Governo lança ofensiva

08.08.2017

 

O governo afinou o discurso e começou ontem uma ofensiva em São Paulo, onde estiveram presentes o presidente Michel Temer e os ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento). Hoje, os dois primeiros seguem na capital paulista, participando de novos eventos, e devem aproveitar a ocasião para reafirmar o objetivo de aprovar a reforma da Previdência até outubro e, antes, revisar a meta fiscal.

 

O ministro Meirelles voltou a dizer, na noite de segunda-feira, que o governo está estudando uma possível revisão do déficit primário de R$ 139 bilhões previstos para este ano e afirmou que o próximo mês será "um bom momento" para avaliar a necessidade de mudar ou não esse número. Tal mudança, se ocorrer, será por causa da frustração das receitas do governo, como também frisou o ministro Dyogo ontem.

 

Portanto, em uma retórica alinhada, o governo retomou eventos com empresários e instituições, em busca de apoio ao chamado "ciclo de reformas", que inclui, além do teto para os gastos públicos e a reforma trabalhista, já aprovados pelo Congresso, as reformas previdenciária e tributária, que devem ser colocadas em pauta em breve. Tem, ainda, a reforma política, que deve ser acelerada para entrar em vigor já em 2018.

 

Hoje, o presidente Michel Temer participa da cerimônia de abertura (11h30) de um congresso promovido pela indústria automotiva, que contará também com uma palestra de Meirelles (17h). Ambos devem aproveitar a ocasião para colocar o debate das reformas na mídia. À noite, o ministro da Fazenda é convidado de uma cerimônia de premiação de uma revista mensal. A agenda de Dyogo prevê apenas despachos internos.

 

Tratam-se dos grandes destaques do calendário doméstico desta terça-feira, que prevê ainda a divulgação do IGP-DI de julho (8h) e dos dados regionais da atividade industrial em junho (9h). O índice de preços deve seguir em queda, mas em uma ritmo mais moderado na intensidade da deflação, diante das quedas menos acentuadas dos produtos agropecuários e industriais, em meio à recuperação nos preços das commodities.

 

Contudo, os metais básicos e o petróleo são influenciados pelos dados da balança comercial da China e pela reunião de países produtores em Abu Dabi, respectivamente, o que respinga no comportamento das bolsas no exterior. As ações de mineradoras recuam e enfraquecem as praças na Europa, após as exportações e as importações chinesas cresceram menos que o esperado em julho, em +7,2% e em +11%.

 

O saldo da balança comercial da China cresceu pelo quinto mês seguido, a US$ 46,7 bilhões, mas a abertura dos números mostra que o gigante emergente tem encontrado dificuldades tanto para exportar, com o crescimento dos embarques para os Estados Unidos desacelerando de 19,8% em junho para 8,9% em julho, quanto para importar, com a demanda por produtos estrangeiros caindo ao menor nível em seis meses.

 

Diante dessa fricção nas relações comerciais, e do eventual impacto nas transações globais, os investidores reduzem o apetite por ativos de risco. Os índices futuros das bolsas de Nova York também estão no negativo, a despeito dos ganhos ensaiados pelos preços do petróleo, que tenta se firmar na marca de US$ 50 por barril enquanto aguarda uma decisão sobre os cortes de produção.

 

Entre as moedas, o dólar está de lado em relação aos rivais, em busca de algum gatilho para os negócios, em meio à agenda econômica norte-americana esvaziada hoje. O destaque fica com o rand sul-africano, que aguarda a decisão judicial sobre o futuro do presidente do país Jacob Zuma. Ontem, a moeda subiu quase 2%.

 

  

 

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