Reforma em pauta


O segundo semestre começa para valer a partir de hoje em Brasília e a ordem do governo é retomar a pauta do Congresso e avançar com as reformas. Após a rejeição da denúncia contra o presidente Michel Temer, o Palácio do Planalto e da equipe econômica se esforçam para virar a página nesta semana, retomando projetos prioritários na Câmara e no Senado, o que tende a manter um tom otimista nos mercados, sustentando a confiança.

O significado da vitória de Temer na votação da Câmara na semana passada ainda gera dúvidas, embora a rejeição da denúncia seja favorável ao governo e sua equipe econômica. Por isso, Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tentam faturar o resultado, jogando otimismo ao mercado financeiro quanto à aprovação da reforma da Previdência no Congresso até outubro.

O problema é que, enquanto vários deputados que votaram contra o presidente, mas que votariam a favor das novas regras para a aposentadoria - como é o caso dos 21 tucanos dissidentes - não se pode dizer que os deputados que votaram a favor de Temer também irão votar pela mudança previdenciária. Até porque o tema não será o único da extensa agenda legislativa deste semestre.

Com isso, a digestão da vitória de Temer na Câmara deve prosseguir, com várias outras votações ficando no radar dos investidores, como as medidas provisórias sobre a renegociação das dívidas dos Estados (Refis) e a reoneração da folha de pagamentos, além da reforma política e do Orçamento para 2018. Tudo isso, sem falar de possíveis novas denúncias contra Temer vindas da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Mas o que entra de vez no radar do governo é a reforma da Previdência. Ontem, o ministro Moreira Franco afirmou, após reunião com Temer e os presidentes da Câmara e do Senado, que o governo não aceitará uma mudança "meia sola". A estratégia do presidente é ter um discurso unificado pela aprovação das novas leis para aposentadoria.

Na agenda econômica, o destaque da semana é o resultado de julho da inflação oficial ao consumidor brasileiro (IPCA), na quarta-feira. Apesar de apagar a queda registrada em junho, o índice deve reforçar o cenário benigno para os preços no país, mesmo após o impacto da alta recente dos impostos sobre combustíveis.

O IGP-DI do mês passado, que sai amanhã, pode dimensionar melhor o efeito da maior incidência de PIS/Cofins sobre a gasolina e o diesel na evolução dos preços no atacado, a fim de aferir se a trajetória favorável da inflação tende a seguir intensa e disseminada. Mas é possível que as surpresas com a inflação para baixo sejam cada vez menores.

Esses dois indicadores concentram as atenções do calendário doméstico, que traz hoje as tradicionais publicações semanais: Pesquisa Focus (8h25) e balança comercial (15h). O levantamento do Banco Central deve trazer um cenário de um real mais apreciado, uma inflação menor, uma recuperação gradual da atividade e uma taxa de juros no piso histórico.

Na safra de balanços brasileira, merecem atenção para os resultados trimestrais de Petrobras e Banco do Brasil, ambos na quinta-feira. No exterior, a agenda de indicadores está igualmente fraca e começa com a divulgação, hoje à noite, dos dados de balança comercial da China em julho, cujas exportações e importações deverão manter ritmo forte de crescimento.

Amanhã, saem os índices de preços ao produtor (PPI) e ao consumidor (CPI) chinês no mês passado. Na sexta-feira é a vez dos dados de inflação no varejo dos Estados Unidos. Antes, na quinta-feira, sai a decisão de política monetária no México.

Por ora, o sinal positivo prevalece entre as bolsas, com a sessão asiática ainda ecoando os dados robustos sobre o mercado de trabalho norte-americano (payroll), divulgados na sexta-feira. Na Europa, a inesperada queda na produção industrial alemã, em -1,1% em junho, pesa em Frankfurt, mas os ganhos das mineradoras sustentam Londres em alta. As ações de siderúrgicas também avançam.

O minério de ferro subiu quase 3% na bolsa chinesa, embalando os demais metais básicos, ao passo que o petróleo afasta-se um pouco mais da marca de US$ 50 o barril, atento a mais um encontro entre os maiores produtores, que acontece em Abu Dhabi. O vigor do dólar inibe as commodities, com a moeda norte-americana sustentada pela criação de vagas de emprego acima do esperado em julho, com um avanço da renda.

Os números do payroll na semana passada reforçaram as apostas de que o Federal Reserve deve mesmo elevar a taxa de juros nos EUA mais uma vez em 2017, dando continuidade ao processo de normalização das condições monetárias. Se confirmada, será o terceiro aperto apenas nesta ano e a quinta alta no atual ciclo.

A abertura de 209 mil postos de trabalho, acima dos 180 mil esperados, com a taxa de desemprego caindo a 4,3%, reduziu as chances de o custo do empréstimo na maior economia do mundo ficar onde está até o fim do ano. Esse perspectiva tende a atrair recursos aplicados em países mais arriscados, como o Brasil, para a segurança dos títulos norte-americanos, engatando uma correção nos ativos nos próximos meses. A conferir.

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