Está chegando a hora

31.07.2017

 

Os mercados domésticos se preparam para o fim do recesso parlamentar, que pode trazer os ruídos políticos de volta aos negócios. As atenções dos investidores estão voltadas para a votação na Câmara da denúncia feita contra o presidente Michel Temer pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Antes disso, porém, a sessão desta segunda-feira ainda reserva os últimos ajustes de fim de mês, com fatores técnicos agitando o dólar.

 

Temer passou os últimas dias negociando com deputados e traçando estratégia para garantir o quórum mínimo de 342 parlamentares na sessão e, principalmente, para impedir que esse total de votos autorize a denúncia. O governo está confiante de que a oposição não reunirá o equivalente a dois terços da Casa para abrir o processo de investigação contra Temer.

 

Contudo, pode haver certa frustração em relação à sessão prevista para quarta-feira. Ainda não é certo de que a votação da denúncia acontecerá no dia 2, já que partidos da oposição avaliam não marcar presença em plenário. A mesma estratégia passou a ser estudada pelos governistas, uma vez que deputados do PSDB, DEM e PSB indicam a possibilidade de se posicionarem a favor da denúncia contra Temer.

 

Com isso, uma nova sessão pode ser marcada para os próximos dias, dando mais tempo ao governo para garantir os 172  votos necessários entre os deputados para arquivar a denúncia. Com todos de volta a Brasília, as negociações tendem a se intensificar, a fim de acelerar o processo antes que surja algum “fato novo”.

 

Amanhã, quando o Congresso Nacional volta aos trabalhos, está prevista a leitura do parecer do relator Paulo Abi-Ackel, que recomenda a rejeição da denúncia, no plenário da Câmara. O procedimento faz parte da tramitação na Casa e permitirá que a matéria entre na pauta de votação na quarta-feira.

 

Até lá, o noticiário político volta a dividir as atenções com a pauta econômica. O auge da agenda no Brasil está previsto para amanhã. A terça-feira começa com a ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada logo cedo, seguida pelos números de junho da produção industrial.

 

O documento do Banco Central pode dar pistas sobre o próximo corte na taxa básica de juros (Selic) e os dados da indústria devem indicam o ritmo da atividade no segundo trimestre deste ano. No calendário de hoje, merecem atenção as projeções do mercado financeiro (8h25) para os indicadores de inflação e juros, após a decisão da semana passada do Copom. Já os números de julho da balança comercial ficaram para amanhã.

 

No exterior, as atenções se voltam aos dados de atividade econômica das principais economias do mundo no início deste trimestre. A rodada começou com os indicadores da China, que sugerem uma perda de tração, em meio às ações das autoridades para impedir que os riscos financeiros no país se espalhem.

 

O índice dos gerentes de compras (PMI) da indústria desacelerou a 51,4 em julho, mais que a previsão de queda a 51,5, de 51,7 em junho. No varejo chinês, o PMI ficou em 54,5 neste mês, de 54,9 no mês anterior. Já a produção industrial no Japão cresceu 1,6% em junho, diante da recuperação da demanda mundial.

 

Esse otimismo na retomada da economia global sustenta as ações de produtores e exportadores de matérias-primas, como a BHP Billiton e a Rio Tinto, ao mesmo tempo em que as commodities avançam. O petróleo estende o rali da semana passada e tenta buscar a marca de US$ 50 o barril pela primeira vez desde maio, ao passo que o cobre segue em alta, depois de alcançar o maior nível em dois anos, na esteira da previsão de aumento de preços por fabricantes chilenas.

 

Nas bolsas, os índices futuros em Nova York e as praças europeias estão em alta, embaladas pela temporada de balanços. Os resultados de HSBC e Heineken dão ritmo ao pregão na Europa, após terem superado as estimativas, enquanto Wall Street aguarda os números da Apple, na semana.  

 

Entre os indicadores, amanhã, saem os índices PMI dos Estados Unidos e da zona do euro, além da leitura preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) na região da moeda única entre abril e junho. Depois, na quinta-feira, o Banco Central da Inglaterra (BoE) tem reunião de política monetária. Antes, saem as decisões de juros na Austrália (RBA) e na Índia (RBI). Por fim, a sexta-feira traz os dados do mercado de trabalho norte-americano (payroll).

 

 


 

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