Contas de fim de mês

28.07.2017

 

Um novo recuo nas ações do setor de tecnologia volta a pesar nos mercados internacionais, interrompendo a recuperação ensaiada ontem. O sinal negativo prevalece nas bolsas desde Sydney até Nova York, passando por Londres. O euro e o iene ganham terreno em relação ao dólar, mas o petróleo está estável. Esses movimentos podem respingar nos negócios no Brasil, mas o fato é que os investidores promovem os últimos ajustes antes do fim do mês, com as atenções divididas entre a temporada de balanços e os indicadores econômicos.

 

No topo das preocupações, está a situação fiscal. Os esforços da equipe econômica para salvar as contas públicas continuam intensos, em meio às dificuldades em cumprir os déficits primário de R$ 139 bilhões neste ano e de R$ 129 bilhões no ano que vem. O governo cogita mudar as metas, mas o ministro Meirelles (Fazenda) ainda espera alcançar receitas extraordinárias para garantir o prometido.

 

De qualquer forma, o ritmo intenso adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) no ciclo de queda da taxa de juros, que pode culminar em quatro cortes seguidos de um ponto na Selic em setembro, tende a aliviar os custos da dívida pública, atenuando a delicada situação fiscal. Mas o “time dos sonhos” ainda tenta pavimentar a mudança das metas.

 

As chances maiores são de alteração nos números fiscais para 2018, mas o corte de gastos já põe em colapso os serviços prestados à população, mesmo após a retomada da emissão de passaportes. O mercado financeiro nunca acreditou que a meta seria cumprida, mesmo tendo sido inflada, mas os investidores se apegam ao compromisso da equipe econômica em tratar a questão de forma transparente e arrumar as contas do governo de vez.

 

Enquanto isso, o governo se esforça para barrar a denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer na Câmara. Ontem à noite, ele recebeu parlamentares e ministros no Palácio do Jaburu para discutir as estratégias e a previsão é de uma debandada ministerial, com mais de 10 ministros retomando seus mandatos de deputados para fortalecer a discussão em plenário.

 

A agenda desta sexta-feira traz, no Brasil, o resultado de julho do IGP-M, que deve registrar deflação pelo quarto mês seguido. A previsão é de recuo de 0,6% em relação a junho, com a taxa acumulada em 12 meses aprofundando a queda para -1,55%. Os dados oficiais serão conhecidos às 8h.

 

Depois, às 9h, é a vez dos números do desemprego no país atualizados até o segundo trimestre deste ano. A expectativa é de que taxa de desocupação confirme a tendência de estabilização e fique em 13,4% nos três meses até junho, atingindo quase 14 milhões de brasileiros. Ainda pela manhã, sai a nota de política fiscal no mês passado (10h30).

 

Na safra de balanços brasileira, destaque para os resultados trimestrais de Usiminas, Embraer e Santander, antes da abertura do pregão, e Hypermarcas, após o fechamento do mercado. No exterior, destaque para os demonstrativos contábeis da gigante petrolífera ExxonMobil.

 

Entre os indicadores econômicos lá fora, merece atenção a primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre deste ano (9h30). Os números devem reforçar a percepção de que a maior economia do mundo vem ganhando tração, apresentando um crescimento de 2,5% em relação aos três primeiros meses de 2017.

 

Na quarta-feira, o Federal Reserve deu um sinal de confiança na recuperação econômica dos EUA, ao informar que espera reduzir o balanço patrimonial “relativamente em breve”, enxugando a liquidez de recursos. O processo deve ter início em setembro, com chances de um novo aumento na taxa de juros dos EUA em mais 0,25 ponto em dezembro.

 

Depois, às 11h, é a vez do resultado final do índice de confiança do consumidor norte-americano em julho. À espera desses números, os investidores reduzem o apetite por ativos de risco, consolidando os ganhos acumulados na semana e ciente de que a secura a ser promovida pelo Fed, retirando parte dos US$ 4,5 trilhões injetados nos mercados, pode demandar uma atenção constante a fim de garantir rendimentos atrativos.

 

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