O dia seguinte aos BCs

27.07.2017

 

A quinta-feira é dedicada aos ajustes nos ativos após as decisões dos bancos centrais do Brasil (Copom) e dos Estados Unidos (Fed) em relação à taxa de juros. Os sinais suaves ("dovish") emitidos pelas autoridades monetárias elevam o apetite dos investidores por risco, diante das chances de o custo do empréstimo norte-americano não subir mais neste ano, o que derruba o dólar, e de o brasileiro cair abaixo de 8% em dezembro.

 

Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros em um ponto porcentual (pp), para 9,25%, conforme esperado, e deixou a porta aberta em relação à próxima reunião, em setembro, dando a entender que pode manter o ritmo de corte na Selic. Segundo o BC, "a manutenção depende da permanência das condições no cenário básico".

 

Até o fim do ano, o Copom tem ainda outras três reuniões e as pistas deixadas no comunicado servirão para precificar, com maior precisão, se haverá mesmo uma desaceleração no ritmo de cortes. Apesar do espaço aberto deixado pelo BC para outra redução de 1 ponto, as próximas quedas de juros somente tendem a surtir efeito em 2018.

 

Com a redução de ontem, o Brasil caiu mais uma posição no ranking global dos maiores pagadores de juros reais do mundo e é agora o terceiro colocado, com taxa de 3,71%, atrás de Rússia (4,59%) e Turquia (3,93%). Ainda assim, os ativos domésticos continuam atrativos em termos de rendimento, ainda mais após a chance menor de juros mais elevados nos EUA, o que tende a manter os recursos hoje aplicados em outras praças financeiras.

 

Também ontem, o Federal Reserve manteve a taxa de juros da maior economia do mundo entre 1% e 1,25%, em mais uma decisão amplamente esperada, e afirmou que vai começar a reduzir o balanço patrimonial “relativamente em breve”, o que foi a novidade. Ainda assim, o processo de normalização das condições monetárias deve seguir em ritmo gradual, condicionando aos dados econômicos a chance de uma nova alta da taxa ainda neste ano.

 

Os mercados internacionais ainda reagem à decisão da tarde de ontem do Fed. O dólar derrete e o rendimento (yield) dos títulos norte-americanos (Treasuries) avançam, em um forte sinal de apetite por risco. O movimento ocorre diante da indicação de que a inflação acumulada em 12 meses nos EUA está desacelerando e continua abaixo do alvo de 2%, o que tende a adiar um novo aumento do juros no país para além de dezembro.

 

Apesar da inflação permanecer baixa, a economia norte-americana está ganhando tração, o que mantém o otimismo dos investidores em relação ao crescimento econômico global. Somada a essa percepção, a safra de balanços mantém o sentimento positivo nos negócios, o que garantiu ganhos nas bolsas asiáticas e deve embalar o pregão em Wall Street.

 

Na Europa, porém, algumas praças começam a mostrar sinais de cansaço. A Bolsa de Frankfurt é pressionada pelo resultado decepcionante do maior banco europeu, o Deutsche Bank, ao passo que a Nestlé alertou que as vendas neste ano terão o menor crescimento em duas décadas. No Oriente, a Samsung superou as expectativas diante do sucesso de vendas com o Galaxy S8, enquanto a Nintendo surpreendeu com um salto no lucro líquido.

 

A agenda econômica desta quinta-feira está carregada. No Brasil, saem o índice de confiança da indústria em julho (8h), o índice de preços ao produtor em junho (9h), a nota de crédito do Banco Central referente ao mês passado (10h30) e a sondagem da CNI sobre construção civil (14h30).

 

Na safra de balanços, merecem atenção os balanços das gigantes Bradesco, Vale e Ambev, antes da abertura do mercado. Para a mineradora, a expectativa é de resultado robusto, inflado pela produção recorde de minério de ferro. Porém, os preços mais baixos da commodity metálica em relação ao ano passado podem pesar.

 

No caso do banco, o lucro líquido deve alcançar a cifra de R$ 4,6 bilhões em apenas três meses, com um aumento de 10% em relação ao apurado no segundo trimestre de 2016. Já a empresa do setor de bebidas deve ser impactada pela demanda mais fraca no Brasil.

 

Na temporada norte-americana, hoje serão conhecidos os resultados trimestrais de P&G, Amazon e Intel. Entre os indicadores econômicos, destaque para os dados dos EUA a serem conhecidos às 9h30: os pedidos semanais de auxílio-desemprego; as encomendas de bens duráveis e o índice de atividade em Chicago, ambos referentes ao mês de junho. Logo cedo, sai o índice de confiança do consumidor alemão em agosto.

 

 

 

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