Lula lá

13.07.2017

 

A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz federal Sergio Moro deve continuar impulsionando os mercados domésticos hoje, ainda que em menor intensidade do que o observado ontem. Assim que saiu a decisão de prisão do ex-presidente, a Bovespa e o real intensificaram os ganhos e voltaram aos níveis pré-delação da JBS, que eclodiu a crise política envolvendo o presidente Michel Temer.

 

Tal retomada nos preços dos ativos mostra a relevância do fato envolvendo o ex-presidente, condenado a nove anos e meio pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Para o mercado financeiro, a decisão de Moro deixa Lula mais distante das eleições de 2018 e reduz as probabilidades de o ex-presidente se candidatar à Presidência, apesar de liderar em todas as pesquisas de intenção de voto.

 

Com isso, crescem as chances de vitória de um candidato que dará continuidade à agenda reformista, o que anima os negócios locais. Porém, cabe recurso à decisão e o ex-presidente ainda precisa ser condenado em segunda instância para ser impedido a concorrer no ano que vem. Na sentença, Moro proibiu Lula de exercer cargos públicos pelo dobro de tempo da pena, mas essa interdição também precisa ser julgada por um colegiado.

 

O fato é que a decisão de Moro embaralhou o cenário eleitoral de 2018 e desvio o foco de atenção, prolongando a sobrevida do presidente Michel Temer, que tenta emplacar a votação da denúncia na Câmara até segunda-feira, com quórum reduzido. A vitória expressiva na votação da reforma trabalhista no plenário do Senado mostra que o governo ainda reúne cacife político, apesar da denúncia de corrupção passiva contra o presidente.

 

Assim, crescem as apostas de que Temer é capaz de tocar as mudanças econômicas até a definição do sucessor pelas urnas, no ano que vem, sem o risco de a disputa contar com Lula entre os candidatos. Ao mesmo tempo, o placar da votação no Senado e a derrubada dos destaques ao texto também sugerem que as reformas são uma agenda independente do presidente, o que dá a elas um caráter soberano, acima de qualquer governo.

 

Ou seja, os esforços do Palácio do Planalto para colocar em votação a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) com menos dos que os 342 deputados exigidos pelo regimento apenas realçam a estratégia do governo em se manter no cargo. Mas para o mercado, tanto faz Temer continuar ou não: o importante é as reformas andarem.

 

Desse modo, os mercados domésticos apenas monitoraram as 14 horas de discussão da na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que contou com a fala de 67 deputados, sendo 21 contra e 46 a favor da denúncia contra Temer. Hoje, os trabalhos serão retomados (9h), com a fala de mais 40 deputados, e a expectativa ainda é de que o parecer do deputado Sérgio Zveiter seja rejeitado. A votação do relatório pode ocorrer ainda hoje.

 

Mas o cenário é mais incerto no plenário da Câmara. O presidente da Casa, Rodrigo Maia, rejeitou o pedido do Palácio do Planalto de abrir a sessão contra Temer com 257 deputados e disse que o mínimo necessário são dois terços, ou 342 parlamentares. Do contrário, a abertura da sessão sem um quórum alto pode ser questionada no Supremo Tribunal Federal (STF).

 

O Palácio do Planalto sabe que teria grande dificuldade de colocar essa quantidade mínima de parlamentares para validar a sessão e votar a denúncia. Para arquivar o processo, o governo precisa de 172 votos e é mais fácil alcançar esse placar entre os aliados com menos representantes da oposição presentes na sessão.

 

Tal pressão sobre Maia mostra que o governo não acredita ter ainda os votos necessários em plenário contra a denúncia. A questão é que se a votação ficar para agosto, crescem as chances de Temer ser afastado do cargo, em meio ao surgimento de fatos novos, como a homologação das delações do deputado cassado Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro.

 

Em meio a esse cenário político a agenda econômica do dia perde força. Ainda assim, merece atenção no Brasil mais um dado de atividade em maio, referente ao volume do setor de serviços (9h). No exterior, destaque para novas declarações da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, a partir das 11h.

 

Ela deve repetir o discurso de ontem, quando afirmou que não será preciso elevar tanto os juros nos Estados Unidos, deixando as novidades para a sessão de perguntas e respostas. Entre os indicadores econômicos norte-americanos, saem o índice de preços ao produtor (PPI) em junho e os pedidos semanais de auxílio-desemprego, ambos às 9h30.

 

Logo cedo, a China anunciou um superávit comercial de US$ 42,8 bilhões em junho, após um salto de 11,3% nas exportações em relação a um ano antes, mais que a previsão de alta de 8,9%. As importações avançaram 17,2% no mesmo período. Os números mostram que a demanda por produtos chineses têm sido resiliente, ao mesmo tempo que as compras feitas pelo país no exterior sinalizam um crescimento robusto da economia no trimestre passado.  

 

Diante desses sinais vindos das duas maiores economias do mundo, os mercados internacionais se recuperam, com os investidores confiantes no crescimento econômico global e na manutenção de uma política monetária não tão apertada entre os países desenvolvidos. Como resultado, os índices futuros das bolsas de Nova York estão em alta, ao passo que o dólar perde terreno e o rendimento (yield) dos títulos soberanos caem.

 

O petróleo, porém, é negociado em baixa na faixa de US$ 45, diante do excesso de oferta da commodity. Nas moedas, destaque para o dólar canadense, que reage em alta ao primeiro aumento dos juros no país após sete anos, diante do forte crescimento do mercado de trabalho e da deterioração do cenário de inflação.

 

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