Basta a cada dia o seu mal

05.07.2017

 

A aprovação do regime de urgência para a reforma trabalhista por um placar folgado, de 46 votos a favor e 19 contra, combinada com a escolha de um relator do PMDB para a denúncia contra o presidente Michel Temer devem aliviar a pressão nos mercados domésticos, resgatando o sentimento observado com a soltura de Rodrigo Rocha Loures e que fora atenuado após a prisão de Geddel Vieira Lima. O governo e os investidores comemoram o andamento das pautas no Congresso, como se não houvesse amanhã no front político.

 

Apesar da promessa de "total independência" do deputado Sérgio Zveiter, o relator escolhido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara deve facilitar o caminho para que a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) seja rejeitada no plenário da Casa. Zveiter, recém-filiado ao PMDB, deve apresentar um relatório contrário à denúncia e ajudar na aceleração da tramitação do processo, reduzindo o desgaste de Temer.

 

No Senado, o projeto que muda as leis trabalhistas pode ser votado no plenário na semana que vem, provavelmente na terça-feira. Para ser aprovado, basta maioria simples dos senadores presentes na sessão e a ausência de propostas para mudanças no texto leva a reforma à sanção presidencial, acatando demandas apresentadas por empresários e que significaram perdas aos trabalhadores.

 

Assim, tanto na Câmara quanto no Senado, a tramitação das pautas está sendo conforme a intenção do Palácio do Planalto, ficando a sensação de que o Congresso faz pelo governo o que nem mãe nem pai fazem por seus filhos. Afinal, a continuidade de apoio do poder de Temer garante a proteção de toda a classe política, que teme ser laçada pela Lava Jato.

 

A reforma trabalhista, ao lado da previdenciária, é uma das prioridades do governo (e do mercado financeiro). E a sinalização de que o governo ainda tem fôlego para aprovar tais medidas é uma demonstração de força política importante, elevando a confiança na capacidade de Temer em contar com a sua base aliada no Congresso e trazendo certo clima de tranquilidade em Brasília, antes da viagem do presidente para a Alemanha, onde acontece o G-20.   

 

Essa percepção deve animar os negócios locais, que voltam a ganhar ritmo hoje, após o feriado nos Estados Unidos esvaziar o pregão no começo da semana. Mas os negócios lá fora parecem estar "de ressaca", sem forças para retomar o rali recente entre os ativos de risco diante da escalada da tensão geopolítica com mais uma investida da Coreia do Norte.

 

As principais bolsas europeias estão de lado, sem um rumo definido, em meio à falta de direção entre os índices futuros das bolsas de Nova York, que estão na linha d'água, porém com um ligeiro viés negativo. O mesmo comportamento lateral é observado no petróleo e entre as moedas, com o dólar medindo forças ante os rivais.

 

Os investidores aguardam a ata da reunião de junho do Federal Reserve (15h), quando a taxa de juros norte-americana subiu mais 0,25 ponto percentual (pp) para o intervalo entre 1% e 1,25%. O documento pode trazer explicações adicionais sobre a decisão do Banco Central dos EUA em apertar as condições monetárias no país e dar pistas sobre os próximos passos.

 

Depois que os principais BCs das economias desenvolvidas elevaram o tom e adotaram uma postura mais dura (“hawkish”) quanto aos estímulos artificiais, os investidores querem saber qual é a possibilidade de o custo do empréstimo nos EUA subir mais uma vez neste ano. Amanhã, é a vez do BC europeu (BCE) publicar a ata referente ao último encontro.   

 

Antes, saem dados de atividade na região da moeda única, logo cedo, e sobre as encomendas às fábricas nos EUA em maio (11h). No Brasil, o calendário do dia está mais fraco e traz como destaque as divulgações do BC local sobre o fluxo cambial em junho e o índice de commodities (IC-Br), ambos às 12h30.

 

 

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