Governo Temer derrete


Os eventos políticos da véspera ainda devem ecoar nos mercados domésticos nesta quarta-feira, em mais um dia de agenda econômica fraca, após a primeira derrota da reforma trabalhista no Senado levantar dúvidas sobre a aprovação da agenda do governo no Congresso e a capacidade de articulação política de Temer. O apoio da base aliada parece frágil, ainda mais diante da rotina de denúncias contra o presidente.

A derrota trouxe desconforto aos investidores, que já mostram desconfiança quanto à aprovação da reforma da Previdência, em meio às evidências de perda de força de Temer no Congresso. Como resultado, a Bovespa e o dólar registraram ontem os piores desempenhos desde o dia em que eclodiu a mais recente crise política, com o vazamento da gravação da JBS, com a moeda norte-americana superando a marca de R$ 3,30 e a Bolsa brasileira fechando no segundo menor nível do ano, na faixa dos 60 mil pontos.

Por mais que Temer tente passar confiança, lá da Rússia, de que haverá vitória do governo na votação da reforma trabalhista no plenário do Senado, pegou mal a rejeição ao texto na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), por 10 votos a 9. A expectativa era de aprovação com 11 votos a favor.

Independente desse resultado, está prevista para hoje a leitura do relatório na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, com a matéria sendo colocada em votação na próxima quarta-feira. Trata-se da última comissão a apreciar o texto, antes de encaminhar a pauta ao plenário da Casa, o que deve acontecer daqui a uma semana.

Já o texto sobre as novas regras na aposentadoria ainda precisa ser aprovado na Câmara, em dois turnos, e o governo ainda espera ao menos a primeira votação pelos deputados antes do recesso legislativo do meio do ano. Mas os episódios recentes realçam que Temer já não tem todo o apoio que imaginava, o que pode levar a um novo adiamento desse cronograma, diante das menores chances de aprovação da Previdência.

Enquanto segue em Moscou, onde se encontra oficialmente com Putin, Temer é alvo de novas declarações que o complicam ainda mais. O doleiro Lúcio Funaro declarou à Polícia Federal (PF) que o presidente sabia do pagamento de propinas na Petrobras e disse que Temer orientou a distribuição de dinheiro desviado da Caixa.

Funaro, que está preso no complexo penitenciário da Papuda (Brasília) e negocia um acordo de delação premiada, afirmou que Temer orientou para que fossem feitas operações de crédito para beneficiar as empresas Gol e Prumo (ex-LLX), no montante de R$ 20 milhões, além de angariar recursos para as campanhas eleitorais de 2014 e de 2012 e pagar comissões aos principais aliados, Moreira Franco e Geddel Vieira Lima.

Por sua vez, o empresário Joesley Batista declarou à PF que soube por Geddel que o presidente "pressionou" a ex-presidente do BNDES Maria Silva para favorecer a JBS. Temer teria chamado Maria Silva para pedir que ela não vetasse a reestruturação societária da companhia no exterior. A data do encontro não foi informada, mas o BNDES barrou a operação e ela pediu demissão do banco em 26 de maio.

Em outro front político, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de adiar a decisão sobre a prisão do senador afastado Aécio Neves, após um novo recurso apresentado pela defesa, mantém a sensação de desembarque do PSDB da base aliada, a qualquer momento. Mesmo com o tucano protegido por manobras jurídicas, o partido deve se posicionar em relação ao governo, antes que a imagem fique mais arranhada.

A bancada executiva voltaria a se reunir hoje para discutir a permanência na base aliada, mas com o adiamento da decisão do STF, o encontro da Executiva Nacional também foi adiado. Oficialmente, o partido alegou falta de quórum, mas é notório o vínculo de Aécio ao apoio ao PMDB, de olho na absolvição do senador e também em 2018.

Em meio a esse noticiário político, a agenda econômica segue em segundo plano. Até porque o calendário de indicadores e eventos continua fraco, trazendo apenas dados semanais do fluxo cambial no Brasil (12h30) e números sobre o setor imobiliário norte-americano (11h). Também merece atenção a posição de estoques de petróleo nos Estados Unidos até a sexta-feira passada (11h30).

Lá fora, a queda de mais de 1% nos preços do barril do petróleo, para a faixa de US$ 43 e entrando em um mercado de baixa (bear market), enfraquece as bolsas, diante da atividade intensa de extração da commodity nos EUA, o que ofusca os esforços do cartel de países produtores da Opep para conter o excesso de oferta. O sinal negativo prevalece em Nova York e também contamina a Europa, após as perdas na Ásia.

A exceção ficou novamente com a Bolsa de Xangai, que subiu 0,5%, após a inclusão das 222 ações tipo A do mercado acionário chinês na carteira de mercados emergentes dos índice de referência global MSCI a partir de maio de 2018. Hong Kong caiu 0,6%. Ainda na região Ásia-Pacífico, a Bolsa de Sidney zerou os ganhos do ano, em meio à queda de mais de 20% do petróleo desde a cotação mais alta em 2017.

As moedas de países emergentes e correlacionadas às commodities também recuam, com o dólar australiano caindo pelo terceiro dia e o won sul-coreano cotado no menor nível desde abril. Entre as divisas de países desenvolvidos, a libra esterlina amplia a desvalorização e também é negociada no menor valor desde abril, ao passo que o iene se fortalece com a busca por proteção. O movimento também valoriza o ouro, interrompendo cinco sessões seguidas de queda.

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