PSDB "decide" ficar


Os ruídos políticos continuam e os mercados domésticos já não mostram mais tanta resistência ao noticiário vindo de Brasília, diante das incertezas com o que pode acontecer nos próximos dias. A permanência condicionada do PSDB na base governista pode até trazer um alívio aos negócios locais, neste dia de recuperação também nos mercados internacionais.

A sensação é de que a crise política não terá um fim tão cedo e já não se espera mais nada de bom do governo. O mais recente episódio, com o Palácio do Planalto acionando a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para investigar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, relator da Lava Jato, agrava a tensão entre os poderes e compromete a credibilidade (e a governabilidade) do governo.

Os partidos da base aliada estão apenas aguardando o conteúdo da denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer e potenciais novas delações, como de Lúcio Funaro e Rodrigo Rocha Loures, para decidir se ficam ou se saem do governo - de vez. Foi o que deixou claro ontem a bancada do PSDB, que ainda mantém o apoio ao PMDB por causa das eleições de 2018.

Em reunião que terminou no fim da noite, os caciques tucanos decidiram que o partido vai continuar na base do governo, salvo o surgimento de algum fato novo, o que levaria a uma reavaliação da decisão. O partido defende ainda recorrer da decisão que absolveu a chapa eleita em 2014, pois a cassação via TSE seria a saída mais fácil.

A expectativa pela denúncia da Procuradoria-Geral da República dificulta o curso das reformas no Congresso, gerando um desânimo entre os investidores quanto ao fim da crise política. Afinal, enquanto Janot não denunciar Temer, é difícil imaginar que o calendário da reforma trabalhista nas comissões do Senado irá avançar.

A pauta será retomada hoje com a leitura do texto, mas a votação deve ficar para a semana que vem. No cenário mais otimista, a proposta de mudanças nas leis de trabalho deve ir ao plenário da Casa apenas em agosto, sem tempo hábil para apreciar o texto antes do recesso parlamentar. A mesma hipótese vale para a reforma previdenciária na Câmara, uma vez que o governo ainda luta para conquistar os 308 votos necessários.

Esse adiamento no cronograma de votação faz cair por terra a ideia de que Temer sairia fortalecido da absolvição pela Corte Eleitoral (TSE) para enfrentar a denúncia que Janot fará contra ele no STF. Ao contrário. O acúmulo de notícias negativas envolvendo o presidente reduz a credibilidade do governo.

O acirramento no meio político justifica certa morosidade na apreciação das reformas, provocando ruídos no mercado financeiro. Os investidores, é bom lembrar, ainda veem um caráter de soberania nas propostas, capazes de suplantar a quem quer que esteja sentado na cadeira de presidente – como se fosse uma pauta unânime.

Mas a paralisia que o governo enfrenta no Congresso já está sendo danosa à recuperação econômica. Aliás, a agenda doméstica traz hoje o primeiro de uma série de indicadores de atividade que será conhecida ao longo da semana e que devem trazer informações relevantes sobre o desempenho da economia no início deste segundo trimestre.

Porém, a expectativa para as vendas no varejo não são positivas, especialmente devido ao fraco desempenho dos segmentos de supermercados, móveis e eletrodomésticos. O comércio varejista deve cair pelo terceiro mês em abril e recuar pelo vigésimo quinto mês consecutivo (desde abril de 2015) na comparação com igual período de 2016.

Os dados efetivos serão divulgados às 9h pelo IBGE. No exterior, o destaque fica com os dados do varejo e da indústria na China no mês passado, a serem conhecidos apenas à noite. Pela manhã, saem índices de inflação no Reino Unido e nos Estados Unidos e também sobre o sentimento econômico na zona do euro.

O dia é de recuperação nos mercados internacionais, capitaneada pelas ações do setor de tecnologia, que sofreram uma forte onda vendedora (selloff), levando a Bolsa eletrônica Nasdaq à maior queda em dois dias desde setembro. A libra esterlina, que também acumulou perdas aceleradas desde as eleições no Reino Unido, tira proveito do movimento e se recompõem. O petróleo é outro que mostra retomada, após três semanas seguidas de desvalorização, mas segue abaixo de US$ 50.

De um modo geral, os investidores ajustam suas posições, cientes de que a farta liquidez global ainda favorece a tomada de risco. Essa disposição se antecipa à reunião do Federal Reserve, amanhã, diante da expectativa de que o Banco Central dos EUA deve apertar a taxa de juros norte-americana apenas mais uma vez neste ano - além do aumento promovido em março e da alta esperada para amanhã.

À espera da decisão do Fed, o dólar e o rendimento (yield) dos títulos dos EUA (Treasuries) estão de lado, o que beneficia a busca por ativos mais arriscados. As moedas de países emergentes e correlacionadas às commodities ganham terreno, com destaque para os xarás neozelandês, canadense e australiano.

Os bônus europeus têm alta nos yields, ao passo que o ouro recua, em mais um sinal de que o dia deve ser de alívio nos negócios globais. Mas esse alívio tende a ser passageiro.

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