Memórias de um governo sorrateiro


Começou ontem à noite o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a cassação da chapa eleita em 2014, mas um desfecho para o processo segue indefinido. A ausência de um prognóstico confiável tende a manter os mercados domésticos na defensiva. Até porque, os investidores não estão certos de qual cenário seria melhor.

A permanência do presidente Michel Temer no cargo - seja por causa do pedido de vista de um dos ministros do TSE, seja por causa de uma absolvição na Corte eleitoral por quatro ou mais votos – não necessariamente encerraria a mais recente crise política. Ele ainda pode ser alvo de denúncia, na esteira do inquérito aberto após a delação da JBS.

Uma sobrevida de Temer, portanto, apenas prolongaria as incertezas, deixando o país refém de um governo incapaz governar e sem apoio político. É bom lembrar que, para os investidores, o que realmente importa é que as reformas trabalhista e da Previdência continuem andando no Congresso e sejam aprovadas – ainda que com certa demora.

Já a saída do presidente colocaria o Brasil em um novo limbo institucional, resultante de um sistema político-eleitoral falido, cujo estopim se deu em uma afronta ao texto constitucional e pode, agora, dar fim à República. Haveria um cabo de guerra entre os protestos nas ruas por eleições diretas e a convocação de eleição indireta por uma classe política que ainda costura um nome de consenso para um mandato tampão.

Mas mesmo uma condenação pelo TSE pode arrastar a situação de Temer por mais algum tempo, em meio aos recursos impetrados para defender o mandato. Ou seja, por mais que o julgamento no TSE seja resolvido ainda nesta semana, a mais recente crise política definitivamente está longe de acabar.

O cenário mais benéfico seria uma definição rápida, mas essa possibilidade ainda não aparece no horizonte. Principalmente porque Temer resiste em renunciar. Talvez só um desembarque dos tucanos da base aliada dificultaria a continuidade do governo até 2018, pois a saída do PSDB estimularia o rompimento de outras legendas. Mas daí, fica a dúvida sobre quem assumiria a cadeira vaga na Presidência...e como.

Diante das infinitas hipóteses (e incertezas), os mercados domésticos acompanham mais uma sessão do TSE, que começa às 9h, com a análise sobre a utilização (ou não) de informações coletadas da delação da Odebrecht para o julgamento da chapa. Trata-se do grande evento da agenda econômica desta quarta-feira, que traz também a inflação de maio pelo IGP-DI (8h).

O indicador deve registrar nova deflação, de -0,60%, por causa da queda dos preços nos produtos agrícolas, porém em um ritmo menos intenso que em abril, quando caiu pouco mais de 1%. No exterior, o calendário econômico traz os estoques semanais de petróleo bruto e derivados nos Estados Unidos (11h30), além dos dados sobre o crédito ao consumidor norte-americano em abril (16h).

Mas os investidores estão mesmo atentos aos eventos programados para amanhã, quando o Banco Central Europeu (BCE) atualiza a política de estímulos monetários na zona do euro, a população britânica vai às urnas para uma nova formação do Parlamento e o ex-diretor do FBI James Comey depõe no Congresso norte-americano. Enquanto esperam, os investidores redobram a cautela e buscam proteção.

Os índices futuros das bolsas de Nova York estão em queda nesta manhã, na contramão do sinal positivo que prevalece nas praças europeias, após uma sessão indefinida na Ásia. Xangai subiu mais de 1%, em meio às intervenções de Pequim para manter o apetite dos investidores pelos ativos chineses. O dólar tem desempenho misto em relação às moedas de países desenvolvidos e emergentes, ao passo que o petróleo recua.

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