O futuro de Temer

05.06.2017

 

A postura defensiva adotada pelos investidores ao final da semana passada deve continuar hoje, nesta véspera do início do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a cassação da chapa eleita em 2014. A hipótese de excluir do processo as informações relacionadas à Odebrecht favorece a permanência do presidente Michel Temer, mas é outra delação que preocupa mais.

 

A prisão do ex-assessor especial do governo Rodrigo Rocha Loures no sábado traz cautela aos negócios, com o aliado do presidente podendo complicar de vez a situação de Michel Temer no inquérito em que ambos são investigados por suspeita de corrupção. O Palácio do Planalto teme um possível acordo de delação, o que seria fatal ao governo.

 

Os riscos podem resultar em uma antecipação da denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR), em um novo inquérito contra Temer ou mesmo os fatos já existentes podem impactar na decisão do TSE. Seja qual for a hipótese, cresce o desgaste político do presidente, que já sofre ameaças de desembarque dos partidos governistas.

 

Assim, não serve de alento a decisão do PSDB de continuar na base aliada - por ora - pois o mercado sabe que qualquer apoio ao governo está condicionado ao desfecho no TSE sobre o abuso de poder político e econômico nas eleições de 2014. E, diante dos fatos recentes, sabe-se que é um esquema bilionário de financiamento privado, oriundo de propina, que sustenta o modus operandi da classe política brasileira.

 

Por isso, uma solução rápida, via deposição de Temer pelo TSE e posterior eleição indireta seria o melhor caminho para os mercados domésticos. Mas, mesmo se condenado, o presidente pode adiar a saída do cargo, por meio de recursos no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo o "efeito suspensivo" da perda do mandato. Nas ruas, ecoa-se o clamor por Diretas Já.

 

Em meio a essas incertezas no front político, a percepção dos investidores é de que o tempo vai passando e fica cada vez mais longe a chance de aprovação das reformas em pauta no Congresso. Até porque, se Temer sair, ainda não se tem um nome de consenso para assumir o comando, que seja comprometido com as reformas e que tenha apoio político para aprová-las.

 

Diante das grandes implicações que uma eventual troca de nomes no Executivo – e de foco no Congresso – pode trazer às perspectivas para o país, o julgamento do TSE é o grande evento da semana e pode ser decisivo para o governo. Com isso, o calendário econômico volta a ficar em segundo plano.

 

Ainda assim, as atenções da agenda doméstica se dividem entre a ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), amanhã, e o resultado da inflação oficial ao consumidor (IPCA), na sexta-feira. Entre uma divulgação e outra tem o IGP-DI de maio, na quarta-feira, e os números da safra agrícola, na quinta-feira.

 

Hoje, destaque para a Pesquisa Focus (8h25), que pode trazer revisões nas estimativas para a taxa de juros, após o recado do Copom, na semana passada, de que os próximos cortes na Selic devem ser menores. Também teria diminuído o tamanho total para a queda dos juros, atualmente em 10,25%.

 

Aliás, o documento de amanhã do Banco Central não deve ir muito além do que já trouxe o comunicado que acompanhou a decisão de reduzir a taxa básica em um ponto percentual. Afinal, o Copom foi muito claro em apontar o impacto das incertezas políticas no processo de queda dos juros.

 

De qualquer forma, ainda existe espaço para um recuo adicional dos juros, por causa do quadro inflacionário favorável. Em maio, porém, o IPCA deve registrar uma taxa bem mais salgada e subir cerca de 0,5%, com a reversão do benefício da energia elétrica no mês anterior. Já a taxa acumulada deve seguir bem abaixo da meta de 4,5%.    

 

No exterior, a agenda econômica está mais fraca e traz como destaque os números da balança comercial da China, além dos índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) chinês, nos próximos dias. Dados de atividade nos Estados Unidos e na zona do euro serão divulgados hoje.

 

Mas os destaques lá fora ficam concentrados na quinta-feira. Nesse dia, sai a leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) da região da moeda única no primeiro trimestre deste ano e o Banco Central Europeu (BCE) anuncia a decisão da taxa de juros.

 

Como se esses eventos já não fossem suficientes para agitar os mercados internacionais, a quinta-feira ainda reserva as eleições parlamentares no Reino Unido, que podem decidir o futuro da primeira-ministra britânica Theresa May. O Partido Conservador vem perdendo apoio desde o ataque terrorista em Manchester e o atentando em Londres, uma semana depois, tornou o cenário ainda mais indefinido.

 

Nos EUA, a quinta-feira também será marcada pelo depoimento do ex-diretor do FBI James Comey no Senado. Ele está no centro das denúncias sobre uma possível intervenção russa nas eleições presidenciais de novembro do ano passado, que podem levar ao impeachment do presidente norte-americano Donald Trump.

 

Em meio à indefinição sobre o futuro de Temer, Trump e Theresa, os investidores não devem se apegar ao rali nos preços do petróleo neste manhã. Afinal, o barril do WTI sobe ao redor de 0,5%, mas segue cotado abaixo de US$ 50, após a decisão da Arábia Saudita e outras nações do Oriente Médio romperem os laços com o Qatar, o que elevou os riscos geopolíticos na região.

 

A notícia não embalou os índices futuros das bolsas de Nova York, que exibem ligeiras perdas, e tampouco animou a abertura do pregão na Europa. Na Ásia, o sinal negativo também prevaleceu. Por sua vez, o dólar apresenta um rumo indefinido em relação aos rivais, perdendo terreno para o peso mexicano, mas ganhando tração em relação à libra esterlina.

 

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