Governo toma providências na Previdência


A leitura de que o governo Temer vai conseguir um acordo para aprovar alguma reforma da Previdência deixa os mercados domésticos mais tranquilos. Da mesma forma, a percepção de que a Síria não assusta os investidores alivia a tensão com o risco geopolítico. Mas esse sentimento nos negócios pode ser testado ao sabor do noticiário sobre esses assuntos, em dia de divulgações econômicas sem relevância.

Entre os eventos de relevo, o presidente Michel Temer reúne-se com deputados e líderes aliados para chegar a uma versão final do projeto que trata da reforma da Previdência, a ser apresentado pelo relator, Arthur Maia, na semana que vem. A intenção do governo é fechar questão na votação e aprovar as mudanças nas regras para aposentadoria.

Após a ofensiva iniciada no fim de semana, o Palácio do Planalto mostra-se mais confiante na reversão dos votos contrários à reforma. Os ajustes em cinco pontos mais polêmicos, apresentados na semana passada, devem favorecer a retomada do apoio. Mas Maia e a equipe técnica ainda buscam uma solução para a regra de transição, que pode dificultar os que estavam mais próximos de se aposentar pelo tempo de contribuição.

Além disso, Temer assumiu o papel de articulador político, em mais um sinal de que o esforço do governo é grande. Um teste para medir a reconfiguração da base aliada é a votação do projeto de recuperação fiscal dos Estados, que pode acontecer na Câmara até amanhã. Mas os aliados ainda resistem às contrapartidas exigidas pela União.

A agenda desta terça-feira está repleta de divulgações, porém de menor peso. No Brasil, saem dados regionais de inflação e de atividade, mas o destaque fica com a estimativa para a safra agrícola neste ano (9h). Além disso, começa hoje a reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom).

No exterior, o calendário norte-americano reserva apenas o relatório Jolts sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos em fevereiro (11h). Na Europa, serão conhecidos indicadores de preços no Reino Unido e sobre o sentimento econômico na Alemanha, além da produção industrial na região da moeda única. No fim do dia, na China, saem os índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) em março.

Lá fora, o grande temor é que a tensão internacional após o ataque de mísseis norte-americanos à base militar na Síria acenda o sinal de alerta em um momento em que a economia global sinaliza uma recuperação firme, após quase uma década de persistente crescimento baixo. Uma deterioração dos riscos geopolíticos e do terrorismo poderia afetar a confiança nessa retomada.

Por ora, a avaliação é de que a ação do governo Trump não significa o início de uma escalada militar no Oriente Médio. Tampouco deve ser capaz de despertar uma contraofensiva da Rússia.

No entanto, a situação pode ser diferente se Trump decidir atacar unilateralmente a Coreia do Norte, como tem ameaçado, alterando o equilíbrio político-econômico entre a China e os EUA. O governo de Kim Jong-Un classificou o envio de navios pelos EUA à Península Coreana como um "movimento imprudente para invasão" e alertou que estará pronto para uma guerra e prometeu se defender usando uma "força poderosa de armas".

A escalada dos riscos geopolíticos inibe o apetite por risco no exterior, ao mesmo tempo que intensifica a busca por ativos seguros, com o iene se fortalecendo e o rendimento (yield) dos títulos norte-americanos (Treasuries) caindo, diante da alta dos preços. As declarações de Janet Yellen, de que o Federal Reserve está tirando o pé do acelerador para verificar a sustentabilidade econômica dos EUA sem os estímulos monetários também impulsiona o movimento.

Nas bolsas, o sinal negativo prevalece desde a Ásia, passando pela Europa e chegando a Wall Street. Entre os destaques, a Bolsa de Hong Kong caiu à mínima em um mês, a de Seul estendeu a maior sequência de perdas desde junho, mas a de Londres ensaia ganhos após dados sobre a inflação no Reino Unido.

Nas commodities, os contratos futuros do minério de ferro se recuperam na China, após recuarem mais de 7% nas duas últimas sessões, entrando em um mercado de baixa ("bear market"). Já o petróleo interrompe a maior sequência de alta do ano, após cinco dias de valorização.

Os investidores também estão atentos à visita do secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, à Rússia, na tentativa de persuadir o presidente Vladimir Putin a rever a aliança com a Síria. A Casa Branca já ameaçou novas sanções contra Moscou e avisou que pode expandir suas ações contra o governo de Bashar al-Assad.

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