Incerteza política volta a preocupar

03.04.2017

 

O segundo trimestre deste ano começa com os desdobramentos políticos ameaçando obscurecer as perspectivas econômicas. O rompimento do senador Renan Calheiros com o governo Temer, "que não ouve" e pode "errar sozinho", eleva a preocupação quanto à aprovação das reformas estruturais no Congresso ainda neste semestre e deixa a sensação de que o tempo é curto para novas colisões na base aliada.

 

O enredo político ficou mais crítico desde a sexta-feira passada e a situação agravou-se no último domingo, com o vídeo de Renan publicado em sua página nas redes sociais. O líder do PMDB no Senado criticou a sanção do presidente Michel Temer à lei que libera a terceirização irrestrita da mão de obra, dizendo que ela pune os trabalhadores.

 

O baixo quórum à aprovação do projeto na Câmara já havia deixado o Palácio do Planalto atento, ciente de que faltam votos para aprovar as reformas. Aliás, Renan também mostrou-se contrário às mudanças na Previdência, chamando o governo de errático e refletindo também uma insatisfação da bancada.

 

As duras críticas de uma das principais figuras do governo reforça a percepção de que Temer e o ministro Meirelles (Fazenda) estão perdidos. O anúncio do corte orçamentário e alta de impostos, na semana passada, ilustra bem essa situação. Afinal, o "remendo" encontrado para cobrir o rombo nas contas públicas é contrário à recuperação econômica, onerando as empresas, reduzindo os investimentos e servindo de proteção apenas para o lado financeiro.

 

Passada a euforia dos três primeiros meses de 2017, os investidores ficar mais com os pés no chão a partir de agora, ligando o sinal de alerta para o avanço das reformas. Assim, espera-se um desempenho fraco dos negócios locais nesta segunda-feira, que podem buscar suporte dos mercados internacionais.

 

Mas, lá fora, a questão política é igualmente preocupante, com os investidores mostrando grande expectativa pelo encontro entre os presidentes das duas maiores economias do mundo, Xi Jinping e Donald Trump. A reunião será na propriedade de Mar-a-Lago, na Flórida, a partir de quinta-feira e a pauta de discussão tende a ser extensa, indo desde as relações comerciais até as questões geopolíticas.

 

Às vésperas do encontro, Trump em nada tenta desfazer a sensação de dificuldade que pode ser encontrada nas tratativas com Xi. Em entrevista ontem, ele disse que os Estados Unidos podem "totalmente" lidar unilateralmente com a ameaça nuclear na Corea do Norte, se a China não cooperar para pressionar o país asiático no assunto.

 

"Se a China não vai resolver a questão da Coreia do Norte, nós iremos". Mas a semana começa com um feriado na China (hoje e amanhã), que presta respeito aos mortos (Festival Qingming), esvaziando a reação aos comentários de Trump, que mostrou não haver a necessidade de ajuda de Pequim.

 

Apesar da ausência do pregão em Xangai, as principais bolsas asiáticas encerraram a sessão no azul, embaladas pelo sinal positivo que é ensaiado em Wall Street desde cedo. Ainda assim, os ganhos são tímidos. Tanto que o pregão na Europa teve início sem uma direção única, já reagindo ao salto da indústria na zona do euro em março para o maior nível em 71 meses. Fora do bloco, a manufatura britânica frustrou as expectativas.

 

Amanhã, saem as vendas no varejo na região da moeda única. Aliás, abril marca o início da redução das compras mensais de bônus feitas pelo BC europeu (BCE), para 60 bilhões de euros, e o mercado aguarda pistas sobre a continuidade dos estímulos monetários. Entre as moedas, o euro ganho terreno ante o dólar, que é enfraquecido pela declaração vinda do Federal Reserve de que não há pressa em subir os juros dos EUA.

 

E os indicadores econômicos programados para esta semana aqui e lá fora devem lançar luz sobre os próximos passos dos bancos centrais. No Brasil, as atenções se dividem entre dados sobre atividade e inflação, que podem reforçar as apostas de queda acelerada na taxa básica de juros (Selic) a partir deste mês.

 

A produção industrial em fevereiro (terça-feira) deve continuar mostrando fraqueza, ao passo que o índice oficial de preços ao consumidor (IPCA), na sexta-feira, tende a reforçar a dinâmica favorável. Hoje, saem a Pesquisa Focus (8h25) e os dados de março da balança comercial (15h).

 

Nos EUA, o destaque fica com os dados sobre o mercado de trabalho (payroll), na sexta-feira, que deve manter o quadro favorável das condições de emprego. Antes, na quarta-feira, sai a ata da reunião de março do Federal Reserve, quando ocorreu a primeira alta na taxa de juros norte-americana neste ano.

 

Essas divulgações tendem a calibrar o momento exato em que podem acontecer os outros três apertos monetários nos EUA até o fim de 2017. Hoje, a agenda norte-americana traz o índice ISM de atividade e os gastos com construção, ambos às 11h.

 

 

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