Política às escuras

28.03.2017

 

Vai faltar um gatilho para os mercados domésticos nesta terça-feira, agora que o ministro Meirelles (Fazenda) resolveu adiar, talvez para amanhã, o anúncio de aumento de impostos, esperado para hoje. Mas enquanto os negócios no exterior aguardam o discurso de Janet Yellen (Fed), os investidores digerem os demais encaminhamentos tomados na esfera política, antes de a equipe econômica apresentar uma solução amarga para cobrir o rombo de quase R$ 60 bilhões nas contas públicas.   

 

Apesar da pressão no governo para anunciar medidas que não onerem demais a sociedade, principalmente a classe empresarial, nem comprometa a recuperação da atividade ou a trajetória favorável da inflação, a decisão do PSDB de isentar o presidente Michel Temer de responsabilidade deve aliviar a tensão entre os investidores.

 

Segundo o partido, apenas a ex-presidente Dilma Rousseff deve ser incriminada por possível abuso de poder político e econômico, adotando uma postura mais condizente ao mais importante aliado do governo atual. As alegações finais dos tucanos junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode minar o receio quanto a uma possível cassação da chapa eleita nas eleições de 2014.

 

Em outra esfera judicial, no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, deve se manifestar apenas a partir de abril sobre os 83 pedidos de investigação de políticos com foro privilegiado, contemplados na "Lista de Janot" e citados nas delações premiadas da Odebrecht. Aliás, a quebra de sigilo do conteúdo delatado por 77 executivos da empreiteira segue sem previsão.

 

Assim, o “núcleo duro” do governo Temer, possivelmente incluído na “Lista de Janot”, ganha sobrevida e o presidente tem tranquilidade para seguir adiante com a pauta das reformas estruturais. Sem perder tempo, ele já teria optado por não esperar a votação no Senado sobre o projeto mais brando de terceirização no país e foi convencidos por aliados e pelo empresariado a regulamentar a lei aprovada na Câmara.

 

Nesse sentido, o governo prepara o terreno para anunciar as medidas de corte de gastos e de aumento de impostos, de modo a cumprir a meta fiscal deste ano, negativa em R$ 139 bilhões. A expectativa é de que haja um congelamento de despesas ao redor de R$ 30 bilhões e um alta de tributos que deve gerar cerca de R$ 15 bilhões em arrecadação. O restante virá de receitas extras, como as concessões e processos judiciais.

 

Mas até o prazo final, na quinta-feira, esses números podem mudar. Afinal, a ideia de aumentar a peso sobre a população, principalmente as empresas, não agrada ao presidente Temer, que aposta todas as fichas em Meirelles. A esperança do Palácio do Planalto está na recuperação econômica.

 

Se for bem-sucedido na condução do ajuste fiscal, o governo conseguirá construir um cenário favorável para as eleições em 2018 - agora que o risco de não concluir o mandato parece reduzido. Sob o lema de que tirou o Brasil da maior recessão da história, o PMDB poderia até tentar credenciar um candidato, emplacando uma chapa própria.

 

Em meio a esse noticiário político mais ameno, os mercados domésticos devem se recompor, apoiados no movimento de recuperação engatado no âmbito internacional. A forte pressão vendedora ("selloff") dos últimos dias, diante do temor em relação à agenda pró-crescimento do governo Trump, foi suavizada.

 

Os investidores reavaliam o cenário após a derrota do presidente norte-americano, Donald Trump, no Congresso e alimenta a esperança de que medidas como corte de impostos e gastos em infraestrutura podem conquistar mais votos (e apoio) entre os republicanos. Essa avaliação resgata o otimismo recente com a economia dos Estados Unidos.

 

Assim, o sinal positivo prevaleceu nas bolsas da Ásia - exceto Xangai (-0,43%) - e tenta predominar na abertura do pregão na Europa, diante da sinalização vinda de Wall Street. As commodities também mostram melhora, com o barril do petróleo WTI de volta à marca de US$ 48, mas o cobre segue no vermelho.

 

Nas moedas, o dólar mede forças ante os rivais, com os investidores avaliando as possibilidades de aumento gradual dos juros norte-americanos neste ano. Novas pistas sobre quanto mais o custo do empréstimo nos EUA deve subir este ano podem ser reveladas na fala da presidente do Federal Reserve, às 13h50.

 

Antes, ainda nos EUA, saem índices sobre preços de imóveis em janeiro (10h) e sobre a confiança do consumidor norte-americano neste mês (11h). Na agenda doméstica do dia, serão conhecidos dados da FGV sobre a construção civil em março (8h) e do IBGE sobre os preços ao produtor (IPP) em fevereiro (9h). Às 10h, será conhecido o relatório sobre a dívida pública federal no mês passado.

 

 

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