Na volta do carnaval, mercado espera por BCs

01.03.2017

 

O carnaval termina hoje, a partir das 13 horas, para os mercados domésticos, que têm ajustes a fazer nos negócios após dois dias de paralisação por causa da folia no Brasil. Lá fora, os investidores demonstram pouca preocupação com o discurso feito ontem à noite pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reviveu os temas de campanha, mas permaneceu sem detalhar as propostas, o que permite deslocar as atenções para a agenda dos bancos centrais.

 

O destaque da semana por aqui é a ata (notas) da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a ser divulgada amanhã. O documento, em geral, pouco avança em relação ao comunicado que acompanha a decisão do BC, que reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto porcentual na semana passada, para 12,25%.

 

Ainda assim, as novidades no conteúdo do comunicado - que levantou a discussão acerca da taxa estrutural de juros e não trouxe as projeções de inflação no cenário de referência - criam certa expectativa de que os assuntos sejam explicados na ata. O documento também pode trazer a possibilidade de mudança no ritmo de cortes da Selic, bem como a extensão do ciclo.

 

Trata-se do grande evento econômico desta semana na agenda doméstica, que conta com a divulgação de poucos indicadores, por causa da folga prolongada no país. Hoje, a Pesquisa Focus (12h) e os dados de fevereiro da balança comercial (15h) são os destaques. Até sexta-feira, é esperado os dados do Caged sobre o emprego formal no país em janeiro.

 

Já no exterior, o dólar tem ganhos acelerados no exterior, com o foco voltado à decisão de março do Federal Reserve, ao invés da fala de Trump. Comentários de dirigentes do BC dos EUA dizendo que a reunião deste mês irá colocar na mesa a possibilidade de aumento da taxa de juros norte-americana sustentam a moeda, como quase todos se manifestando por um aperto monetário no dias 14 e 15.

 

A aceleração dos preços ao consumidor (CPI) norte-americano já dá argumentos necessários para uma nova alta, mas o relatório oficial de emprego nos EUA (payroll), a ser conhecido apenas na sexta-feira da semana que vem (dia 10), deve ser o fator decisivo para o Fed. A geração de emprego e o ganho médio por hora no país podem dar a luz verde para um aperto monetário neste primeiro trimestre e os diretores do Fed devem continuar calibrando as expectativas nesta semana.

 

Os membros votantes Robert Kaplan (Dallas), Charles Evans (Chicago) e Stanley Fischer (vice-presidente) discursam nesta semana, além da própria presidente do Fed, Janet Yellen (sexta-feira). E a fala deles atrai mais interesse por parte dos mercados globais do que o discurso proferido ontem por Trump.    

 

No Congresso norte-americano, o discurso de Trump foi suficiente para manter os mercados felizes, por ora. Os índices futuros das bolsas de Nova York estão no azul nesta manhã, após ficarem de lado ontem e depois de o Dow Jones e o S&P cravarem novos recordes de fechamento na segunda-feira.

 

Esse sinal positivo embala a abertura do pregão na Europa, com o compromisso de Trump em acelerar o crescimento econômico dos EUA via o aumento de gastos públicos e a flexibilização da regulação mantendo o apetite entre os ativos de risco. Ainda assim, o presidente norte-americano apresentou poucas propostas novas e não fez nenhuma sinalização sobre como irá colocar seus planos em prática.

 

Sem novidades sobre a injeção de US$ 1 trilhão em investimentos de infraestrutura nos EUA e com o fortalecimento do dólar por causa do Fed, as commodities recuam, com o barril do petróleo negociado abaixo de US$ 54. Os metais básicos, porém, ensaiam uma recuperação, apoiados no avanço do índice dos gerentes de compras (PMI) da indústria na China, a 51,6 em fevereiro, de 51,3 em janeiro.

 

A previsão era de ligeira queda a 51,2. Já o PMI chinês referente ao setor de serviços oscilou em baixa, a 54,2 no mês passado, de 54,6 em janeiro. A leitura do índice PMI industrial feito pelo Caixin/Markit subiu a 51,7 em fevereiro. Esses números refletem, em grande medida, a recuperação dos preços ao produtor (PPI) na China e reforçam os sinais de estabilização da atividade na segunda maior economia do mundo.  

 

As leituras finais dos índices PMI dos EUA e da zona do euro em fevereiro recheiam a agenda internacional entre hoje e sexta-feira. Esses números podem dar pistas sobre a retomada mais disseminada da economia mundial, que tem sustentado a aceleração – mesmo que gradual – da inflação. Hoje, saem a renda e os gastos pessoais nos EUA em janeiro (10h30) e o Livro Bege do Fed (16h).

 

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