Mercados contêm euforia após BCs

23.02.2017

 

O “bastante breve” do Federal Reserve para elevar a taxa de juros norte-americana pode levar o mesmo tempo que a porta aberta deixada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para acelerar o ritmo de cortes da Selic. O termo usado pelo Fed na ata da primeira reunião de 2017 foi uma forte pista de um aperto monetário já em março, o que retrai a euforia dos investidores no exterior.

 

No Brasil, é a atividade que definirá uma queda mais acentuada dos juros. O Banco Central brasileiro não reforçou, no comunicado que se seguiu à esperada decisão de cortar a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual a 12,25%, uma aceleração nos cortes de juros - ainda.

 

A autoridade monetária optou por ganhar tempo e condicionou a intensificação do ritmo de queda da Selic à evolução da atividade econômica, dentro outros fatores, como demais fatores de risco, as expectativas inflacionárias e a estimativa e extensão do ciclo. Portanto, o Copom mostrou-se mais interessado não com a dose a cada 45 dias de estímulo monetário, mas com a carga total do processo, que deve levar o juro a um dígito neste ano.

 

A reação dos mercados domésticos à decisão do BC brasileiro pode ser comedida, já que, desta vez, não houve surpresas, nem tantas novidades. Os negócios locais podem se mostrar mais sensíveis ao ambiente externo, onde ainda se ouvem ecos da ata do Fed, divulgada ontem.

 

O colegiado do BC dos Estados Unidos mostrou-se confiante em promover uma nova alta na taxa dos Fed Funds (FFR), mas a probabilidade de que esse aumento ocorra no mês que vem caiu para 32%. Os investidores ainda depositam nas incertezas fiscais em relação ao governo Trump um adiamento na tomada de decisão do Fed, mas essa aposta do mercado pode estar muito baixa.

 

O teor da ata do Fed é consistente com um aperto em breve. Ao que tudo indica, assim como o Copom, o BC norte-americano optou por deixar a porta aberta, caso decida-se por uma alta de juros na próxima reunião, a fim de evitar surpreender o mercado.

 

Porém, a falta de sintonia entre as declarações de dirigente do Fed e o tom não tão duro ("hawkish") no discurso da presidente Janet Yellen ainda levam os investidores a adiarem para junho, pelo menos, a primeira elevação dos FFR em 2017. Nesse sentido, os indicadores econômicos serão o fiel da balança e qualquer sinal de crescimento no ganho real dos trabalhadores pode definir o momento exato desse aperto monetário.

 

O fato é que a necessidade de correção em vários ativos globais cresce consideravelmente, ainda mais considerando-se o caráter praticamente “vazio” do rali dos mercados, que têm "subido no vácuo". Nesse sentido, os mercados contêm a euforia recente e exibem oscilações estreitas nesta manhã, buscando uma justificativa para o movimento recente.

 

Os negócios não têm uma direção única. Os índices futuros das bolsas de Nova York estão na linha d'água, ora em alta, ora em queda, deixando indefinida a abertura do pregão na Europa. O crescimento de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) alemão ao final de 2016, em termos anualizados, tenta embalar os negócios no Velho Continente, mas a proximidade das eleições nas duas maiores economias europeias refreiam o otimismo com o dado.

 

Em relação ao trimestre anterior, o PIB da Alemanha cresceu 0,4% entre outubro e dezembro do ano passado. Nas moedas, o euro mede forças ante o dólar, que ainda digere os sinais difusos do Fed ontem. As moedas de países emergentes, como o rand sul-africano e o won sul-coreano, ensaiam ganhos ante o dólar, mas o peso mexicano ainda cai.

 

O petróleo tenta tirar proveito da falta de definição da moeda norte-americana e ensaia uma recuperação, antes dos dados sobre os estoques semanais da commodity nos EUA (13h). Já os metais básicos recuam pelo terceiro dia consecutivo. Ainda na agenda econômica norte-americana, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos (10h30).

 

No Brasil, destaque para o resultado primário do governo central em janeiro, às 14h30. Os números fiscais seguem horrorosos, o que põe em xeque a propaganda que o governo Temer tem promovido, dizendo que a recessão acabou é que agora é a hora da virada.

 

Essa perspectiva, porém, tem se apoiado mais em índices de confiança do que em números sólidos da atividade real que, de quebra, refletem na geração de postos de trabalho. Assim, o discurso do governo se choca com a realidade de uma economia que ainda deve demorar para dar sinais consistentemente positivos, fazendo com que a equipe econômica não entregue aquilo que está vendendo.

 

Com isso, a atenção é cada maior nos indicadores econômicos. Pela manhã, saem os resultados de fevereiro do IGP-M e da sondagem do comércio, ambos às 8h, e os dados sobre as operações de crédito no mês passado (10h30).

 

Nesse sentido, pode ser perigosa a cada vez maior proximidade do presidente Michel Temer ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, colocando em segundo plano a base aliada no Congresso, que ainda precisa apreciar as reformas estruturais. Nos bastidores da Câmara, já se fala em propostas alternativas para a reforma da Previdência.

 

 

 

 

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