Cautela externa se contrasta com agitação doméstica


O período menos agitado em termos de indicadores econômicos relevantes, principalmente no exterior, tem sido uma oficina para os mercados financeiros produzirem cenários sobre uma nova ordem mundial. As atenções voltadas a partidos e políticos de alas radicais, defensores de práticas antiglobalização, têm elevado a cautela nos negócios lá fora. Aqui, o calendário mais forte - com balanço, dado e evento - movimenta os mercados.

O grande destaque do dia é o evento realizado pelo Banco Central, em Brasília, no qual irá tratar sobre as formar sustentáveis de se reduzir o custo do crédito no país. O presidente do BC, Ilan Goldfajn, e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, irão proferir palestras, no fim da manhã, para falar sobre o spread bancário.

Mas os investidores estarão mesmo em busca de pistas sobre as taxas de juro e de câmbio no Brasil. As sucessivas revisões para baixo na projeção de inflação neste ano faz o mercado acreditar que o BC promoverá várias quedas na Selic até dezembro, rumo a um dígito. Nessa aposta, os indicadores de preços ganham ainda mais importância.

A agenda doméstica desta terça-feira traz como destaque o IGP-DI de janeiro (8h), aquecendo os motores para o IPCA, amanhã. O IGP-DI deve perder força e subir 0,45%, vindo de uma alta de 0,83% em dezembro, desacelerando a taxa acumulada em 12 meses para 6%. Depois, às 9h, saem os resultados regionais da produção industrial em dezembro.

Na safra de balanços, o dia é de resultado financeiro do Itaú, antes da abertura do pregão local. O banco deve registrar um lucro líquido de R$ 5,8 bilhões no último trimestre de 2016, fechando um ano de estabilidade no desempenho financeiro.

Já no front político, passada a eleição no Congresso, a expectativa se volta ao andamento das reformas e o apoio da base. Além disso, a indicação de Alexandre de Moraes para a vaga deixada por Teori Zavascki no STF eleva as especulações sobre quem ficará com o posto deixado por ele na Justiça. E há chances de a Pasta ficar nas mãos do PSDB.

No exterior, a agenda econômica traz como destaque a balança comercial nos Estados Unidos (11h30); o relatório Jolts sobre o número de vagas de emprego disponíveis no país (13h); e para os dados sobre o crédito ao consumidor (18h) norte-americano. Todas as divulgações são referentes a dezembro.

Mas são as práticas protecionistas de Donald Trump nos EUA e a tendência nacionalista na França que redobram a postura defensiva ente os investidores nesta manhã. Enquanto ele tem provocado uma resistência bipartidária no Congresso e um embate com o poder Judiciário, cresce o apoio à campanha presidencial de Marine Le Pen. Para ela, a globalização econômica e o fundamentalismo islâmico tem ameaçado a França.

As poucas novidades concretas dessas ofensivas, seja de que forma prática e contra quem, mantêm a busca por proteção em ativos seguros, com os investidores atribuindo maiores prêmios de risco aos movimentos anti-establishment. O dólar ganha terreno ante a maioria das moedas rivais, enquanto o ouro amplia o rali de três dias.

A moeda norte-americana mede forças ante os xarás na Austrália ("aussie") e na Nova Zelândia ("kiwi"), após a decisão de manutenção dos juros pelo BC local (RBA) e o aumento das expectativas inflacionárias, respectivamente. O euro recua e o iene também. Nas commodities industriais, o petróleo testa o fôlego para seguir em alta, mas o cobre cai.

O sinal negativo também prevalece nas bolsas. A Ásia seguiu as perdas de ontem em Wall Street, mas nesta manhã Nova York amanheceu na linha d'água. Na Europa, além da tensão antes das eleições em vários países da região neste ano, a queda de 3% da produção industrial alemã em dezembro ante novembro também pesa nos negócios.

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