Semana com poucos dados econômicos fica por conta da política

06.02.2017

 

Os próximos dias devem ser menos tensos para os mercados financeiros, ao menos no que depender do noticiário econômico. Com um calendário de indicadores e eventos sem grande relevância, tanto aqui quanto lá fora, as atenções se voltam ao cenário político. E daí pode surgir novidades, seja em Brasília ou em Washington.

 

Por enquanto, a perspectiva de que o ambiente internacional pode ser tranquilo nos próximos mantém o tom positivo nos negócios, ainda ecoando os dados de emprego nos Estados Unidos na última sexta-feira. As bolsas da Ásia fecharam no azul e os índices futuros em Nova York caminham para novos ganhos, embalados também pela desregulação do sistema financeiro.  

 

Mas foram os números mistos do payroll - que mostraram mais postos de trabalho, porém, com um crescimento fraco dos salários -  que resgataram o apetite por risco no exterior. O dado levou os investidores a reduzirem as apostas sobre o ritmo de aumento na taxa de juros norte-americana, caindo para cerca de 20% a chance de aperto em março.

 

Essa possibilidade mantém o dólar mais fraco ante as moedas rivais, o que também favorece as commodities. O won sul-coreano e o dólar de Taiwan lideraram as altas entre as moedas asiáticas, ao passo que o dólar australiano figurava no topo das maiores baixas. Já o petróleo é negociado perto dos maiores níveis desde julho de 2015, em meio às novas sanções ao Irã e com o cartel da Opep alcançando 60% da meta de corte na produção.

 

O fato é que os investidores continuam céticos em relação ao prognóstico do Federal Reserve, de elevar os juros norte-americanos pelo menos três vezes este ano. Afinal, sem pressão na inflação, o Fed não tem porque agir. Mas esse cenário pode ser transitório e tal tendência pode se reverter à medida que a política econômica de Trump ficar mais clara. Além de março, há ainda outras seis reuniões do Comitê do Fed (Fomc).

 

A semana com poucos dados econômicos desloca as atenções para o noticiário político também no Brasil. A expectativa é de que o Congresso avance na pauta de reformas, agora que o governo Temer ficou mais tranquilo com a eleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara e de Eunício Oliveira na do Senado.

 

Isso porque o Palácio do Planalto ficou menos dependente do apoio do chamado “Centrão” nas votações e deve obter a adesão necessária para a aprovação da Reforma da Previdência. Uma comissão especial para analisar a proposta já deve ser instalada nesta semana, sendo que a expectativa é de que o Congresso aprove a medida até junho.

 

A mesma celeridade deve ser dada à reforma trabalhista. Quem também prometeu ser célere foi o novo relator da Operação Lava Jato, Edson Fachin. Ele garantiu manter o ritmo das investigações, o que eleva a apreensão em relação às delações premiadas e possíveis vazamentos.

 

Entre os indicadores de relevo, o destaque fica com o índice oficial de preços ao consumidor no Brasil em janeiro. O IPCA deve manter uma dinâmica favorável em janeiro, o que levaria a taxa acumulada em 12 meses para algo em torno de 5,5%, aumentando as chances de a inflação fechar 2017 abaixo do centro da meta (4,5%).  

 

O próprio presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, alimentou uma discussão sobre uma redução da meta de inflação nos próximos anos no Brasil, dizendo que o alvo no longo prazo será de 3%. Trata-se de um nível em sintonia com o praticado em outros países menos desenvolvidos – mas não tão indexados.

 

De qualquer forma, a perspectiva de convergência para a meta estipulada para o fim de 2017 deve reforçar a confiança na continuidade do ciclo de redução da taxa básica de juros (Selic) por um período prolongado. Hoje, a pesquisa Focus (8h25) deve continuar mostrando queda nas estimativas para inflação e juros neste ano, com uma taxa de câmbio comportada.

 

Aliás, o mercado doméstico mantém a ansiedade em relação a mudança de postura da autoridade monetária nos negócios com câmbio, após Ilan afirmar que a intervenção do BC pode ser em qualquer direção, dependendo da circunstância. Na sexta-feira passada, o dólar fechou em leve alta com o mercado de olho em uma possível atuação, de modo a reduzir o estoque de swap cambial tradicional, que hoje soma US$ 26,5 bilhões.

 

Ainda no calendário doméstico, amanhã sai o IGP-DI de janeiro, que deve acompanhar a melhora apurada pelo IGP-M. No exterior, destaque apenas para os dados do setor externo na China. Nos EUA, chama atenção apenas a confiança do consumidor norte-americano, na sexta-feira.

 

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