Meio cheio ou meio vazio?


Uma semana após a chegada de Donald Trump à Casa Branca, os mercados financeiros dão o benefício da dúvida ao presidente dos Estados Unidos, confiantes de que ele irá cumprir as promessas de campanha. Porém, os investidores só olham o “copo meio cheio”, diante da possível adoção de medidas de estímulo fiscal, como corte de impostos e gastos com infraestrutura, e de desregulamentação, rumo a um crescimento anual de 4% da economia.

Por ora, os negócios não levam em conta ignorando as promessas polêmicas de Trump, como a construção de um muro na fronteira com o México, ou mesmo a perspectiva protecionista do novo governo norte-americano, criando uma guerra comercial. Diante dessa visão do “copo meio vazio”, o atual ambiente favorável aos ativos de risco pode ser perigoso, pois a política econômica nos EUA ainda é um ponto muito incerto e nebuloso.

A agenda econômica norte-americana desta sexta-feira testa esse apetite dos investidores. O destaque fica com a primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do país no quarto trimestre do ano passado. A previsão é de desaceleração no crescimento econômico para 2,2% na taxa anualizada, de +3,5% no período entre julho e setembro.

Os números oficiais serão divulgados às 11h30, juntamente com as encomendas de bens duráveis nos EUA em dezembro. Às 13h, é a vez da leitura final de janeiro do índice de confiança do consumidor, medido pela Universidade de Michigan.

À espera desses números, o dólar recupera o terreno perdido, o que testa o fôlego das commodities. O destaque fica com a queda do peso mexicano, que se enfraquece cada vez mais à medida que a tensão diplomática com os EUA aumenta. A libra esterlina também recua, antes do encontro da primeira-ministra britânica Theresa May com Trump.

Nas bolsas, a safra de balanços rouba a cena, mas os resultados mistos de Caterpillar e Microsoft não conseguem animar Wall Street, o que contamina o pregão na Europa. Na Ásia, vários mercados permaneceram fechados hoje por causa do início do Ano Novo Lunar, com os investidores já na expectativa pela reunião do Banco Central do Japão (BoJ), na semana que vem. O Federal Reserve também se reúne, na próxima terça e quarta-feira.

É válido lembrar que à medida que a política econômica de Trump for sendo conhecida (e efetivada), o Fed pode ter uma postura mais firme no aumento dos juros. Só pelo atual cenário, o mercado já prevê um aperto triplo da taxa norte-americana, mas esse processo pode ganhar força, acelerando a retirada dos recursos hoje aplicados em países mais arriscados, como o Brasil.

Por aqui, a novidade ficou com a decisão da Petrobras de reduzir o preço da gasolina e do diesel nas refinarias, em 5,1% e 1,4%, respectivamente, na média. Trata-se do segundo reajuste aplicado pela companhia em menos de um mês e os novos valores passam a vigorar a partir desta sexta-feira.

A decisão era totalmente inesperada, já que as atualizações sobre os combustíveis vinha sendo mensais e no último dia 5 a estatal já havia anunciado um aumento de preço. Assim, o anúncio mais se parece a uma nova medida para manter a "agenda positiva" que o governo vem tentando emplacar, a fim de acalmar o cenário doméstico dias antes da volta aos trabalhos no Congresso e no Judiciário.

Afinal, os nervos dos políticos devem estar à flor da pele, em meio à expectativa de homologação da delação premiada de executivos da Odebrecht. O presidente Michel Temer já se posicionou contra a ideia de a presidente do STF, Cármen Lúcia, homologar o conteúdo antes da escolha do substituto de Teori Zavascki na relatoria da Lava Jato. Segundo ela, esse assunto não será tratado, "nem sob tortura".

Mas o mandado de prisão envolvendo o empresário Eike Bastita, no âmbito da operação no Rio de Janeiro, mostra que as investigações da Polícia Federal devem se intensificar. O ex-bilionário está fora do país e já é considerado foragido pela Justiça brasileira.

Assim, esses temas esquentam o clima para a volta aos trabalhos no Judiciário, em fevereiro. O recesso no Congresso também termina logo no início do mês que vem. No primeiro dia de atividades, na próxima quarta-feira, será escolhido o sucessor de Renan Calheiros no Senado e, no dia seguinte, a Câmara decide se reelege ou não Rodrigo Maia à presidência da Casa.

Na agenda econômica do dia, saem dados da construção civil (8h) e sobre a expectativa do consumidor (11h), ambos referentes ao mês de janeiro.

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