Mundo se prepara para o grande momento de Trump


O contexto geral nos mercados financeiros continua sendo de expectativa pela posse de Donald Trump, hoje, a partir das 12h. O discurso após o juramento dele como novo presidente dos Estados Unidos, por volta das 15h, é o grande evento desta sexta-feira, o que esfria a reação dos investidores aos números robustos sobre a economia na China. No Brasil, a morte trágica de Teori Zavascki lança dúvida sobre o futuro da Lava Jato.

O Produto Interno Bruto (PIB) chinês acelerou e cresceu 6,8% no quarto trimestre de 2016, após crescer 6,7% em cada um dos três trimestres anteriores do ano passado. A previsão era de manutenção desse ritmo. No acumulado de 2016, a China teve alta de 6,7%, ficando dentro do alvo de Pequim, entre 6,5% e 7%, mas com uma expansão menor que a de 6,9% verificada em 2015.

Assim, o PIB chinês registrou, pelo segundo ano seguido, o menor crescimento econômico desde 1990, quando o aumento foi de 3,8%. Contudo, os indicadores chineses reforçam os sinais de estabilização no crescimento do país em um ritmo elevado, dando continuidade à migração de uma economia baseada na indústria pesada rumo ao consumo interno, ainda mais se foram observados os dados de atividade, separadamente.

Enquanto a produção industrial teve alta de 6% em dezembro, em base anual, ante aumento de 6,2% no mês anterior, as vendas no varejo avançaram 10,9% no mês passado, no confronto com igual período de 2015, frente a um avanço de 10,8% em novembro. No acumulado de janeiro a dezembro, os investimentos em ativos fixos cresceram 8,1%, de +8,3% no período até novembro.

Em reação, a Bolsa de Xangai 0,7%, mas Hong Kong recuou 0,4%, à medida que os investimentos e as exportações perderam força na China, com a demanda doméstica passando a ser o principal motor do crescimento. Os metais básicos reagem em baixa a esses sinais, enquanto o petróleo avança, beneficiado pelas perdas do dólar. O ouro também exibe ganhos, pelo segundo dia seguido.

A moeda norte-americana enfraqueceu após a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, apoiar um movimento gradual de alta das taxas de juros nos EUA. Para ela, não há riscos de superaquecimento da economia norte-americana e o Fed não está "atrás da curva", caso seja necessário conter pressões inflacionárias ou crescimento muito acelerado. Diante disso, cresceu para 50% a chance de um novo aperto monetário em maio, de 42% um dia antes.

Mas os investidores só querem mesmo saber de Trump. Desde a corrida presidencial nos EUA, tem sido difícil diferenciar o que é diversão do que é seriedade na fala dele. Mas essa falta de sentido nas declarações do republicano está ficando cada vez mais séria. Ainda mais agora, que ele vai assumir para valer o cargo de homem mais poderoso do mundo.

E os investidores seguem sem saber o que podem esperar dele e da equipe dele, a partir de hoje. O que se sabe, por enquanto, é que o governo Trump é composto por empresários e executivos com vivência no mercado financeiro e que será o primeiro gabinete a não ter representantes latinos desde que Ronald Reagan esteve na Casa Branca, nos anos 80.

Outro fato evidente é que Trump vai receber um país economicamente muito melhor do que aquele que Barack Obama recebeu, quando Bush filho entregou ao sucessor o início da maior crise econômica mundial desde 1929, com a economia em recessão e desemprego crescente. Também é latente que os EUA terão muito um processo de aumento dos juros.

E contra esses fatos não há argumentos - por mais que o mercado pareça estar querendo se enganar e vendo na política fiscal expansionista de Trump motivos para continuar comprando risco, sob a promessa de crescimento econômico forte nos EUA. A questão é que o ciclo de aperto monetário norte-americano mais duro ("hawkish") compete com ativos globais mais arriscados, como os emergentes.

E esse movimento pode se chocar com o discurso mais otimista no Brasil que a equipe econômica está tentando fazendo imperar, tirando proveito do recesso no Judiciário e no Congresso, o que esfriou o noticiário político neste início de ano. Sabe-se que a realidade dos fatos é outra e que ainda existe um longo caminho a ser percorrido para que o país volte aos trilhos.

Ainda mais agora, que as incertezas em relação ao futuro da Lava Jato se avolumaram, após o acidente com o avião que levava o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator da Operação, Teori Zavascki. O clima de consternação ainda toma conta do governo e do Judiciário, mas as investigações não devem sair do curso, ainda mais agora que a delação de executivos da Odebrecht estava para ser homologada, citando nomes de vários políticos.

A presidente do STF, Cármen Lúcia, ainda irá estudar o destino dos processos da Lava Jato e reconheceu não saber o que irá ocorrer com a Operação. O presidente Michel Temer deve indicar um novo ministro para ocupar a cadeira de Teori "o mais rápido possível" e esse indicado pode herdar a relatoria da Lava Jato na Corte.

Mas a tendência é de que Cármen Lúcia recorra a uma solução interna, invocando o "caráter excepcional" da questão, e redistribua o processo em sorteio entre ministros da 2ª Turma, da qual Teori fazia parte. O colegiado atual é composto pelos ministros Celso de Mello, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. A medida pode ser tomada se Temer não escolher um nome em até 30 dias.

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