À espera de Trump

13.01.2017

 

Faltando apenas uma semana para a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, os investidores continuam a avaliar se o rali dos mercados globais desde as eleições norte-americanas não foi longe demais. Os negócios no exterior refazem as contas, tendo como pistas os dados fracos da balança comercial chinesa, que já refletem os desafios das relações comerciais com a chegada do republicano à Casa Branca, e também a fala evasiva de Yellen, que não vê sérios obstáculos à economia dos EUA no curto prazo.

 

Sem saber qual será o plano de ação de Trump a partir do próximo dia 20, os investidores mantêm o desmonte de suas posições, o que penaliza principalmente o dólar. A moeda caminha para uma perda semanal ante os rivais, ao passo que o ouro segue como um refúgio e alcança o maior valor em quase dois meses, após quatro dias seguidos de alta. O rendimento (yield) dos títulos norte-americanos (Treasuries) sobe, após perder terreno com especulações de melhora no crescimento econômico dos EUA.

 

O petróleo é beneficiado pela queda do dólar, mas os metais básicos sofrem com a queda de 6,1% das exportações da China em dezembro, em base anual. As importações no período cresceram 3,1%, o que deixou um saldo comercial positivo de US$ 40,8 bilhões. A Bolsa de Xangai caiu 0,2%, após os números mostrarem que a demanda global segue fraca e sinalizarem que o comércio internacional não deve ser nada bom neste ano.

 

Ainda mais agora, que Trump promete fechar as fronteiras e elevar as barreiras para a entrada de produtos importados nos EUA, adotando práticas protecionistas. Durante a campanha eleitoral, ele acusou a China de ser uma "fraude comercial" e a falta de detalhes sobre a política econômica é o que mais preocupa os mercados financeiros, elevando as chances de os negócios terem exagerado no apetite por risco.

 

Já nos EUA, a economia está "indo bem", segundo a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen. Em seu discurso, ontem à noite, ela não falou de política monetária, mas destacou que a inflação no país está "bem perto" do alvo de 2% e que o desemprego atingiu um "nível baixo", deixando em aberto se essas condições econômicas permitem três novos aumentos da taxa de juros norte-americana neste ano.

 

Wall Street, porém, se sustenta no terreno positivo, de olho na safra de balanços norte-americana, que tem como destaque hoje os resultados do último trimestre de 2016 e do consolidado do ano passado dos bancos JPMorgan, Wells Fargo e Bank of America. Entre os indicadores, as atenções se voltam para as vendas no varejo em dezembro (11h30).

 

A expectativa é de que o comércio tenha recebido impulso da temporada de compras de fim de ano, em meio ao aumento do ganho médio do trabalhador. No mesmo horário, sai o índice de preços ao produtor (PPI) no mês passado. Depois, às 13h, é a vez dos indicadores de estoques em novembro e da prévia de janeiro do índice de confiança do consumidor norte-americano, medida pela Universidade de Michigan.

 

Já no Brasil, o destaque fica apenas com o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br), que deve ter o quinto resultado negativo consecutivo e oscilar em baixa de 0,1% em novembro ante outubro. Na comparação com um ano antes, o IBC-Br deve cair 2,75%.

 

Os números oficiais serão divulgados às 8h30 e podem calibrar as apostas para a próxima decisão de juros do BC, em fevereiro. Ainda mais agora que a autoridade monetária frisou que a “evidência disponível” sinalizando que a retomada da atividade econômica será mais demorada e gradual que o previsto abre espaço para um “novo ritmo de flexibilização”.

 

A depender do resultado do IBC-Br, então, os investidores podem ousar em migrar de modo mais agressivo para a possibilidade de uma queda maior que o 0,75 ponto porcentual (pp) promovido pelo BC neste mês. Ontem, na primeira reação, o mercado de juros futuros teve forte ajuste para baixo, o que acabou turvando as apostas para o Copom de fevereiro.

 

Enquanto alguns analistas falam em quedas na mesma magnitude pelas próximas três reuniões do Copom; outros preveem ao menos uma manutenção desse ritmo no encontro do mês que vem. Tem também quem já fale em uma nova aceleração no ritmo de queda, com o juro básico caindo um ponto percentual daqui a pouco mais de 40 dias.

 

Porém, fevereiro também marca a volta dos trabalhos no Congresso, com a Reforma da Previdência entrando na pauta da Câmara assim que for definido o novo (ou velho?) presidente da Casa. A falência dos Estados segue no radar, com o Rio de Janeiro puxando a fila do resgate a outras unidades da federação, como o Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

 

São fatores que podem inibir a euforia dos mercados domésticos no curto prazo e deixam os investidores com o dedo no gatilho para corrigir os exageros. Afinal, uma combinação de coisas boas que podem estar por vir pode demorar mais tempo para chegar do que se imagina.

 

Uma calibragem mais apropriada pode ser adiada apenas para a semana que vem, após a divulgação das notas do BC sobre a reunião de janeiro, na terça-feira. Ainda na agenda local desta sexta-feira, a CNI informa os indicadores industriais em novembro (11h).

 

 

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