O ano em que tudo pode acontecer...inclusive nada

04.01.2017

 

Ainda há dúvidas sobre o que esperar de 2017 e, enquanto isso, os investidores estão comprando risco. A alta acelerada da Bovespa (+3,7%) e a queda do dólar (-0,6%), ontem, foram os primeiros indícios de que o Brasil segue atraente, principalmente aos investidores estrangeiros, e produzindo certo tom otimista para o início do ano.

 

Mas é mesmo a falta de notícias relevantes, sobretudo em Brasília, que tem alimentado essa disposição nos negócios locais. Afinal, com o recesso parlamentar, o noticiário político desacelerou consideravelmente e as novidades por lá só devem voltar em fevereiro, agitando os mercados domésticos a partir de então, com o risco fiscal voltando à cena.

 

O receio recai sobre a evolução da Operação Lava-Jato e as possíveis implicações para a base aliada do presidente Michel Temer, o que poderia atrasar a aprovação das reformas estruturais. Além disso, os Estados inadimplentes podem fazer manobras para driblarem as dificuldades. O único consenso, então, é de que 2017 pode ter períodos de volatilidade.

 

No restante do mundo financeiro, existe uma estranha animação com o governo Trump, ainda mais diante da coleção de declarações polêmicas do republicano, que se avolumam dias antes da posse, em 20 de janeiro. A maior incerteza é sobre as medidas que serão implementadas pelo presidente eleito, que tem tido a Ásia como o principal alvo, e que podem provocar níveis de instabilidade vistos pela última vez na Segunda Guerra Mundial.

 

Por ora, os investidores aproveitam certa calmaria para promover mudanças na composição das carteiras, apoiados no estigma da resolução fiscal pelo mundo. O apetite por ativos mais arriscados continua em alta, o que garantiu ganhos acentuados na Ásia hoje e mantém as commodities com valorização. A Bolsa de Tóquio subiu 2,5% na primeira sessão do ano, diante do quarto dia seguido de queda do iene.

 

O petróleo se recupera das perdas da véspera, à espera dos estoques norte-americanos da commodity compilados pelo instituto API, ao passo que os metais básicos se apoiam em dados robustos sobre a atividade nos Estados Unidos e na China. O dólar mede forças ante as moedas de países desenvolvidos e emergentes, seguindo nos maiores níveis em décadas em relação aos rivais.

 

Ainda na região Ásia-Pacífico, a Bolsa de Xangai subiu pelo terceiro dia, com +0,7%, ao passo que os mercados na Austrália, Índia e Coreia do Sul também avançaram. Os índices futuros das bolsas de Nova York estão no azul, em meio à confiança dos investidores com a recuperação econômica nos EUA, o que embala a abertura do pregão na Europa.  

 

Mesmo assim, existe certo receio em relação a retrocessos políticos – seja no Brasil, na Europa ou em outras partes do globo - e também alguma preocupação com a volta da inflação nos EUA. Esse tema, aliás, volta ao radar hoje, com a ata do Federal Reserve podendo trazer mais detalhes sobre a decisão de dezembro.

 

O documento do Banco Central dos EUA será divulgado às 17h e deve explicitar os motivos que levaram o colegiado a elevar a taxa de juros norte-americana para o intervalo entre 0,50% e 0,75%. Mais que isso, a ata pode sinalizar o que levaria o Fed a voltar a agir – em que ritmo e com qual frequência.

 

Trata-se do único evento da agenda econômica norte-americana. No Brasil e na zona do euro, saem indicadores (PMI) sobre a atividade nos setores industrial e de serviços no mês passado, pela manhã.

 

Além disso, serão conhecidos os números sobre a saída e a entrada de recursos externos no país (12h30) em dezembro e no acumulado de 2016. Também merecem atenção a inflação ao consumidor (CPI) na região da moeda única (8h) e os dados sobre as vendas de veículos no Brasil e nos EUA, todos referentes ao final do ano passado.

 

 

 

 

 

 

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