Mercados viram a "folhinha"

01.02.2016

 

 

Os mercados financeiros viram a "folhinha" do calendário nesta segunda-feira, mas do mesmo jeito que a China iniciou 2016 assustando os negócios, o país asiático volta a intimidar os investidores neste novo mês, dando fim ao alívio no último dia útil de janeiro com o estímulo japonês e reacendo o temor com a desaceleração da segunda maior economia do mundo. A atividade industrial chinesa caiu à mínima em três anos no mês passado, seguindo abaixo da linha divisória de 50, conforme a leitura do índice oficial dos gerentes de compras (PMI).

 

O dado agravou o dilema pelo qual vive a China hoje, com Pequim sem saber se adiciona estímulo monetário à economia ou se evita mais afrouxamento para conter a exacerbada saída de capital, pressionando ainda mais para baixo o yuan. A moeda chinesa segue nos menores níveis em cinco anos, ao mesmo tempo que a Bolsa de Xangai se aprofunda no mercado de baixa (bear market).

 

O índice Xangai Composto caiu 1,78% e  Hong Kong recuou 0,76%, após o PMI da indústria do país cair a 49,4 por causa da fraca demanda, ante previsão de 49,6. Já a leitura do dado compilada pelo setor privado mostrou que o setor encolhe há 11 meses. O índice referente aos serviços também caiu, saindo da máxima em 16 meses em dezembro, a 54,4, e recuando a 53,5.

 

O mercado acionário chinês também foi penalizado pelo alerta das maiores empresas do país sobre lucro decepcionantes, como a PetroChina, que disse que seu resultado líquido pode recuar 70%. Essa combinação atinge as bolsas e moedas emergentes, bem como as commodities, diante dos sinais de que a fraqueza na economia chinesa continua. Já a Bolsa de Tóquio subiu 1,98%, estendendo o rali após o Banco Central japonês (BoJ).

 

O recuo de mais de 2% nos preços do barril de petróleo nesta manhã, em meio aos dados da China e às dúvidas em relação aos cortes na produção da commodity, afeta o desempenho de Wall Street. Os índices futuros das bolsas de Nova York não têm forças para ampliar os ganhos firmes vistos na última sexta-feira e operam em baixa, contaminando a abertura do pregão europeu.

 

Dados de atividade industrial na zona do euro e nos Estados Unidos recheiam o calendário desta segunda-feira, sendo que a agenda norte-americana também traz hoje os números sobre a renda pessoal e os gastos com consumo em dezembro (11h30), além dos gastos com construção no mesmo mês (13h).

 

No Brasil, o novo mês tem como destaque a volta aos trabalhos do Congresso Nacional e também do Poder Judiciário, retomando as atividades parlamentares e preparando o palco para o que reserva o ano de 2016, seja em relação às propostas de ajuste fiscal ou sobre o andamentos dos processos contra os mandatos da presidente da República, Dilma Rousseff, e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha - de quem se descobriu cinco novas contas na Suíça, movimentando quase R$ 4 milhões.

 

Porém, o principal alvo da Operação Lava Jato tem sido Luiz Inácio Lula da Silva, seu filho, Fábio, e a Dona Marisa. O espetáculo midiático em torno do ex-presidente ajuda a manter o bom humor nos mercados domésticos, diante da percepção de que a prisão dele poderia acelerar um processo contra Dilma por provocar na população aquele sentimento de que "aí tem coisa".

 

Assim, é sintomático dizer que se deve impedir, de qualquer maneira, tentativas de permitir um respiro da economia. O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, reúne-se amanhã com a base aliada de deputados para apresentar os temas discutidos na reunião do Conselhão e pedir um empenho na aprovação de propostas que estão em análise na Casa.

 

Entre elas, a prorrogação da DRU, que permite o uso livre de parte da arrecadação pelo Executivo, e a recriação da CPMF, bandeira defendida pela equipe do ex-ministro Joaquim Levy como parte da solução para reequilibrar o Orçamento de 2016. Ele, aliás, ficou impedido de tomar posse como diretor do Banco Mundial, para evitar conflitos de interesse por quem ocupou cargo no Poder Executivo federal, conforme previsto em lei.

 

Hoje, Barbosa tem encontro com produtores de biodiesel, pela manhã. Já a presidente Dilma recebe a delegação da Bulgária e participa de uma declaração à imprensa, às 12h30. À tarde, ela reúne-se com o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva.

 

Entre os indicadores econômicos do dia, destaque para o Boletim Focus (8h30), que deve atualizar as projeções do mercado financeiro após as sinalizações trazidas pelo Banco Central em relação à condução da taxa básica de juros (Selic). Contudo, o documento ainda não deve trazer os efeitos da premissa de que o Federal Reserve deve aliviar seus planos de aperto monetário de forma constante.

 

Amanhã, é a vez dos números do IBGE sobre a produção industrial. Na quarta-feira, nos EUA, sai a pesquisa ADP sobre a geração de postos de trabalho no setor privado, tido como uma prévia do relatório oficial de emprego (payroll) no país, na sexta-feira. No mesmo dia, é a vez da inflação oficial no Brasil (IPCA), que deve acelerar em janeiro por causa do reajuste de transporte público e da alta nos preços de alimentos. Decisões de política monetária em países emergentes também agitam a semana, mas o destaque é o anúncio do BC inglês (BoE), na quinta-feira.

 

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