Mercados no Brasil antecipam fim de 2016

29.12.2016

 

O ano termina hoje para os mercados domésticos, novamente sem nada no radar capaz de influenciar esta última sessão dos negócios locais. Em tempos de volumes financeiros baixos, os investidores estão praticamente à espera do fim de 2016, cientes de que o chamado "rali de Natal" foi adiado para 2017.

 

Mas o próximo ano será repleto de desafios, que irão dificultar a saída do Brasil da recessão e garantir um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), após dois anos consecutivos de queda da atividade. Em 2016, o lado mais perverso da atual crise econômica se refletiu nos níveis recordes de desemprego.

 

E hoje o dado do IBGE sobre a taxa de desocupação no país (9h) deve renovar os níveis recorde de alta, alcançando a marca de 11,9% nos três meses encerrados em novembro. O total de pessoas sem emprego no país já passa de 12 milhões. Antes, às 8h, a FGV informa o IGP-M de dezembro. O índice é conhecido por reajustar os preços de aluguéis.

 

Só que os problemas internos estão longe de serem apenas econômicos. Enquanto o Palácio do Planalto tenta ocupar o noticiário de fim de ano com uma agenda positiva, os ruídos vindos do lado político continuam incomodando, principalmente depois do episódio de desgaste com a compra de alimentos para abastecer o avião presidencial.

 

Cada vez mais, os agentes econômicos se conscientizam que o corte de gastos em 2017 mais parece uma peça de ficção e não será suficiente para cumprir a meta das contas públicas no ano que vem. Ainda mais com o governo pregando o ajuste fiscal sem praticá-lo. Vem aí, aumento e/ou novos impostos...

 

O andamento das medidas fiscais, porém, vai depender da relação do governo com o Congresso. Os parlamentares voltam do recesso apenas em fevereiro, mas o primeiro item da pauta não será nem a Reforma da Previdência nem um novo projeto de renegociação da dívida dos Estados, agora que o presidente Michel Temer decidiu recuar e vetou a proposta já aprovada.

 

O assunto na mesa de deputados e senadores será a eleição para os presidentes das duas Casas. E o chamado "centrão" está de olho na cadeira da Câmara, após a derrota para o mandato tampão de Rodrigo Maia. Contudo, ele vai querer tentar seguir na presidência - sem saber sequer se poderá concorrer, por causa de questões ligadas ao regimento interno.

 

Maia também está na lista da Odebrecht e, por ora, não é alvo da Operação Lava Jato. Mas espera-se que a "cereja do bolo" das investigações da Polícia Federal venha em 2017, fechando o cerco em relação ao desvio de recursos da chapa Dilma-Temer na campanha de 2014.

 

A depender do desfecho, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode ficar sem argumentos para manter a chapa eleita. No último ato de 2016, as buscas em gráficas da chapa por suspeita de fraude nas contas eleitorais deixaram a sensação de que uma nova eleição - desta vez, indireta - em 2017 é possível.

 

E é esse ruído político que tem deixado a Bovespa em uma região de "acumulação", abaixo dos 60 mil pontos. Ontem, a Bolsa brasileira cravou a quarta alta consecutiva, mas seguiu praticamente sem sair do lugar, indo da faixa dos 57 mil para a dos 59 mil, no vácuo - ou seja, sem giro financeiro.

 

No dólar, os negócios já estão com cara de fim de festa e a cotação da moeda norte-americana pouco tem se mexido. Mas a liquidez dos negócios pode melhorar um pouco hoje, dia de formação da taxa de referência do Banco Central (Ptax) do ano. Já nos juros, a expectativa de uma ousadia do BC, com cortes mais agressivos na taxa básica (Selic), promovem uma devolução de prêmios nos contratos.

 

No exterior, a queda do dólar em relação às moedas rivais pode beneficiar o real hoje, com a moeda brasileira devendo fechar o ano com uma valorização de quase 20%, a maior desde 2009. Essa perda de força da moeda norte-americana ajuda o petróleo, que é negociado nos maiores níveis em 17 meses.

 

Os metais básicos pegam carona e também avançam. Essa recuperação nos preços das commodities pode ajudar a Bovespa a recuperar a marca dos 60 mil pontos no apagar das luzes de 2016.

 

Se confirmado, seria uma sinalização importante começar o ano novo em novo patamar, mas a sustentação nesse nível é outra questão. De qualquer forma, a Bolsa brasileira terá o melhor desempenho anual também desde 2009, com ganhos acumulados de mais de 30%.

 

Já Wall Street ainda tem um pregão derradeiro amanhã, quando o índice Dow Jones pode tentar buscar a marca psicológica dos 20 mil pontos. Nesta manhã, porém, a falta de direção nos índices futuros das bolsas de Nova York indica que talvez não haja força suficiente para tal conquista. As principais bolsas europeias recuam do nível mais alto do ano.

 

Na agenda econômica norte-americana, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego e os estoques semanais de petróleo bruto e derivados, ambos às 11h30. Amanhã, o calendário internacional traz apenas o índice de atividade em Chicago neste mês.

 

Na segunda-feira que vem, que seria o primeiro dia útil de 2017, os mercados em Nova York e as praças na Europa permanecerão fechados, prolongando o fim de semana do ano novo, o que deve manter baixo o fluxo de negócios. Então, vai morrer de solidão quem estiver operando nas mesas domésticas no próximo dia 2.

 

Por isso, só vale a pena a falar do mundo dos mercados financeiros e da economia, nacional e internacional, apenas na terça-feira que vem. Até lá!

 

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