PEC do Teto testa força do governo

13.12.2016

 

Está difícil acompanhar o noticiário político no Brasil, em meio a tantas denúncias, delações e contra-ataques, que mostram o quão sensível o governo e os partidos estão às investigações de corrupção na Operação Lava Jato. Os investidores já não conseguem ignorar de modo tão solene a crise política, mas os mercados domésticos só querem saber se essa crise afetará a agenda econômica que, por ora, mantém um ritmo constante e veloz.

 

A votação da “PEC do Teto” no Senado hoje, em segundo turno, será um importante termômetro para medir o apoio dos aliados do governo Temer às medidas e reformas econômicas, diante dos episódios que abalam Brasília. Qualquer placar abaixo dos 61 votos obtidos na primeira rodada de votação na Casa já sinaliza uma perda da base e seria importante para o governo sustentar o total de votos favoráveis.

 

O maior temor dos investidores é exatamente que o clima de incerteza acabe corroendo o apoio político do presidente Michel Temer no Congresso, o que poderia comprometer o ajuste fiscal, com muitos partidos querendo desembarcar do governo antes de serem contaminados. Nessa lista, em especial, está o PSDB, que tem planos para 2018, mas o “Centrão” também já estaria mudando a conversa e falando em obstruir a pauta de hoje.

 

Por enquanto, o Palácio do Planalto tenta dar aparência de normalidade, apostando em uma “agenda positiva” para absorver o choque com a delação premiada da Odebrecht. Temer afirmou que o vazamento da delação premiada interfere no governo e pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) que "acelere" a conclusão da Lava Jato - em um pedido que soa como a intenção do senador Romero Jucá de "estancar a sangria".

 

A questão é que os depoimentos de executivos da empreiteira podem acabar derrubando o atual governo, principalmente pela via do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os ministros devem analisar em 2017 se houve irregularidades nas doações de campanha à chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014, podendo culminar na cassação da chapa.

 

A votação da PEC do Teto hoje, a partir das 10h, será presidida pelo senador Renan Calheiros, agora denunciado na Lava Jato e que figura entre os mais citados na delação do ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho. Ele é acusado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

 

Mas enquanto aguardam a votação final no Senado, que deve se estender ao longo do dia, os investidores se voltam à agenda de indicadores econômicos do dia. O destaque fica com as vendas no comércio varejista em outubro (9h), que devem seguir em queda, refletindo o alto nível de desemprego e o recuo na renda real da população brasileira.

 

A previsão é de retração de 0,7% nas vendas que excluem os setores automotivo e da construção civil em relação a setembro, no quarto mês consecutivo de queda no varejo. Em relação a um ano antes, as vendas devem ter cedido 6%, no décimo nono resultado negativo seguido (desde abril de 2015).

 

Esses dados combinados à queda registrada pela indústria no mesmo período evidenciam que a economia brasileira deve ter seguido em queda no último trimestre de 2016 - algo totalmente inesperado até pouco tempo atrás. Tal perspectiva reforça a necessidade de medidas de estímulo à economia real - e não apenas fiscalistas - pelo governo. A expectativa é de que uma reforma microeconômica seja anunciada ainda neste ano.

 

No exterior, o cenário político também está no foco, em meio aos sinais de aproximação do presidente eleito Donald Trump com a Rússia. A escolha do presidente da gigante do petróleo Exxon Mobil, Rex Tillerson, para o cargo de secretário de Estado praticamente confirma os laços do governo com o presidente russo, Vladimir Putin.

 

A nomeação deve provocar uma intensa disputa no Senado norte-americano, onde republicanos e democratas já mostraram insatisfação com a indicação de tornar Tillerson no maior diplomata dos Estados Unidos, diante das relações da petrolífera com o Kremlin. Ao mesmo tempo que fortalece a relação com um antigo país rival, Trump endurece o tom com a China, tensionando o fio que o une as duas maiores economias do mundo.

 

A Bolsa de Xangai ficou praticamente estável hoje, apagando as perdas durante a sessão após dados robustos de atividade. A produção industrial chinesa cresceu 6,2% em novembro, em relação ao mesmo mês do ano passado, ante previsão de alta de 6,1%, ao passo que as vendas no varejo avançaram 10,8% no período, no maior avanço desde dezembro de 2015. Os números mostram que o gigante emergente permanece resiliente.  

 

No Ocidente, os índices futuros das bolsas de Nova York e o dólar aguardam em alta o início da reunião de política monetária do Federal Reserve. O encontro de dois dias termina amanhã, quando deve ser anunciada uma nova elevação na taxa básica de juros nos EUA, um ano após o fim da era de juro zero no país.

 

Com 100% das apostas em um aperto monetário, o comunicado pós-decisão e a entrevista coletiva da presidente do Fed, Janet Yellen, são mais aguardados. Neles, os investidores em esperam encontrar pistas sobre a condução do ciclo de alta dos juros norte-americanos em 2017. Espera-se que o intervalo de tempo para uma próxima alta seja menor, em meados do ano que vem, diante da percepção de uma política expansionista de Trump.

 

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