Dias depois das crises


Aquele temor inicial dos investidores com o chamado "Efeito Trump" se dissipou. Os mercados financeiros se apoiam no tom conciliador do presidente eleito nos Estados Unidos, diferente do adotado durante a campanha eleitoral, e recompõem os preços dos ativos, amparados na perspectiva de maior crescimento da economia norte-americana.

No Brasil, a uma semana da última decisão do ano sobre a taxa básica de juros (Selic), a solução para os Estados quebrados rouba a cena. O governo Temer fechou acordo e irá repassar aos Estados brasileiros R$ 5,3 bilhões do total arrecado com multas e impostos a partir do programa de repatriação de recursos no exterior.

Como contrapartida, ao menos 23 unidades da federação terão de fazer um ajuste fiscal tal qual proposto pela União, com o congelamento de salários e o cortes de gastos de serviços públicos essenciais. Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o dinheiro da repatriação está longe de resolver o problema dos Estados.

Mas será uma ajuda importante, capaz de oxigenar o caixa dos governos durante a implementação das medidas de austeridade. "É isso que vai resolver a crise fiscal nos Estados", afirmou Meirelles ontem à noite, dizendo que não havia garantias de que os valores seriam pagos ainda neste ano.

Com isso, Meirelles consegue avançar a pauta do controle de gastos para além da esfera federal, pavimentando o caminho para quedas mais agressivas na Selic, em 2017. O Comitê de Política Monetária (Copom) ainda aguarda avanços concretos no lado fiscal, mas ontem recebeu essa forte mensagem da equipe econômica, horas após um novo almoço entre o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

Hoje, Meirelles reúne-se com os governadores do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (11h), e do Espírito Santo, Paulo Hartung (16h). Entre os indicadores econômicos, destaque para a prévia da inflação oficial ao consumidor em novembro.

O IPCA-15 deve interromper dois meses de desaceleração e voltar a ganhar força, subindo 0,30%, ante alta de 0,19% em outubro. Ainda assim, se confirmada a previsão, será o resultados mais baixo para o mês desde 2007 (+0,23%). Além disso, a taxa acumulada em 12 meses deve sair do patamar de 8% e registrar inflação de 7,70%.

Os números oficiais serão conhecidos às 9h e tendem a calibrar as apostas dos investidores em relação à reunião de novembro do Copom, mas a expectativa é de que, por ora, o ritmo de corte seja mantido na dose mínima de 25 pontos, para 13,75%. Nos EUA, os mercados já embutem 100% de chance de aumento da taxa de juros norte-americana para o intervalo entre 0,50% e 0,75% em dezembro.

Mas esse aperto monetário pelo Federal Reserve já não mais assusta os mercados e a questão é como se dará o ciclo de alta ao longo de 2017. Desde a inesperada vitória de Trump nas eleições, os investidores especulam que haverá um aumento dos estímulos fiscais nos EUA, com corte de impostos e aumento dos investimentos em infraestrutura, gerando maior crescimento no país mas também inflação.

Como resultado, as bolsas de Nova York cravaram novos níveis recordes de alta ontem, com o índice Dow Jones alcançando a inédita marca dos 19 mil pontos. O S&P 500, o Nasdaq 100 e o Russell 2000 também atingiram máximas históricas. Mas hoje, os contratos futuros desses índices mostram fôlego encurtado para novas altas, o que reduz o ritmo das bolsas europeias, que abriram embaladas pelo rali na Ásia.

Já o dólar perde terreno para os rivais de países desenvolvidos e mede forças ante as moedas emergentes, sendo que o ringgit malaio caiu à mínima em 13 meses após a decisão do BC local de manter a taxa de juros. O petróleo, por sua vez, mantém os ganhos, mesmo após o cartel da Opep adiar a decisão sobre cortes na produção da commodity, por não decidir como Irã e Iraque irão participar desse plano.

Apesar dessa recuperação dos ativos de maior risco, o cenário global ainda é de incerteza, com os investidores no aguardo da definição da equipe e da política econômica de Trump. Assim, os negócios devem continuar voláteis, principalmente neste véspera de feriado nos EUA.

A data mais comemorada no país acontece amanhã, Dia de Ação de Graças, o que enxuga a liquidez dos mercados já a partir da tarde de hoje, fechando Wall Street amanhã e esvaziando a sessão no dia seguinte. Com muitos de fora das mesas de operação, os negócios ficam mais soltos, sujeitos a ajustes dos movimentos recentes.

Até porque a agenda econômica desta quarta-feira está carregada, sobretudo o calendário norte-americano. O destaque do dia fica para a ata da reunião de novembro do Federal Reserve (17h), que deve apenas confirmar o cenário de aperto da taxa de juros dos EUA no próximo mês.

Antes, saem a leitura preliminar de outubro das encomendas de bens duráveis e os pedidos semanais de auxílio-desemprego, ambos às 11h30; o índice de preços de imóveis (12h); a prévia da indústria em novembro (12h45); as vendas de imóveis novos em outubro e o dado final deste mês do índice de confiança do consumidor (13h). Logo cedo, na zona do euro, serão conhecidos dados de atividade industrial e de serviços.

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