Riscos e incertezas após eleição de Trump

10.11.2016

 

Enquanto milhares de pessoas vão às ruas em várias cidades nos Estados Unidos para protestar contra a vitória de Donald Trump na corrida presidencial norte-americana, evidenciando a divisão do país realçada no resultado das urnas, os mercados financeiros se recompõem, passado o susto com a inesperada eleição do republicano. Os investidores ainda se apoiam nas palavras doces e no tom conciliador do discurso do presidente eleito ontem, mas parecem estar tentando se enganar, uma vez que o imprevisível ainda ronda o novo governo, sem saber quem de fato ele é e quais são seus planos.

 

A questão é que a eleição de Trump desenha um cenário repleto de incertezas no curto prazo, o que tende a manter o nervosismo e a volatilidade nos negócios. Os mercados terão de aprender a lidar com o bilionário e compreender seu posicionamento republicano – portanto liberal - mas com viés protecionista – contrário ao comércio global. Além disso, ele prometeu elevar as despesas públicas e gastar mais de US$ 500 bilhões para reconstruir a infraestrutura dos EUA e estimular a atividade através do corte de impostos.

 

Trata-se de um antagonismo ultraconservador e muito perigoso, que vai ser colocado em pauta nos negócios, de agora em diante. Afinal, o tom mais ameno no discurso como eleito não significa que o então candidato não irá cumprir, ao menos parcialmente, suas polêmicas promessas de campanha, trocando de personagem ao ocupar a Casa Branca, a partir de 20 de janeiro de 2017.

 

Por ora, o que ainda sustenta certo apetite por ativos de maior risco é a percepção de que o Federal Reserve deve adiar uma nova alta na taxa de juros norte-americana, de modo a evitar ruídos. Especulações dão conta que a presidente do Fed, Janet Yellen, pode renunciar ao mandato, vigente até fevereiro de 2018. Além disso, Trump teria dois nomes a indicar para compor o Conselho do Fed, após o Congresso fechar essas vagas.

 

Ao mesmo tempo, porém, a autoridade monetária tende a zelar pela independência – e não apenas autonomia – que caracteriza o Banco Central dos EUA como um dos mais transparentes do mundo. Afinal, após tantos sinais de que o cenário para um novo aperto dos juros tem se fortalecido, o Fed simplesmente não poderia dizer, agora, que tudo mudou.

 

Ainda assim, os mercados se recompõem nesta quinta-feira, o que embute um sinal positivo nos índices futuros das bolsas de Nova York. Ontem, Wall Street digeriu bem a vitória de Trump, em uma surpreendente recuperação após sofrer uma abrupta durante a apuração dos votos. Essa retomada garantiu ganhos na Ásia, com destaque para o salto de mais de 6% da Bolsa de Tóquio, um dia depois de ceder 5%. Na Europa, as praças também estão no azul.

 

Mas se os países industrializados estão mais confiantes com a mudança de poder nos EUA, com muitos até comprando as ideias de Trump, os países emergentes estão com medo, diante das barreiras comerciais - e até físicas - prometidas pelo presidente eleito. O yuan chinês, por exemplo, caiu ao menor valor em seis anos, diante do receio de relações mais protecionistas com a China e da ameaça de taxar em 45% os produtos chineses.

 

O dólar neozelandês ("kiwi") também recua, em meio às preocupações do banco central local (RBNZ) do fortalecimento da moeda, ao passo que o dólar australiano ("aussie") perde terreno com o temor de que o viés expansionista de Trump no lado fiscal irá acelerar a inflação. Já o peso mexicano se recupera do tombo recente.

 

Nas commodities, os metais básicos avançam, assim como o petróleo, sendo que o cobre e o níquel são negociados no maior nível em um ano. O minério de ferro registrou a maior alta na bolsa chinesa, alcançando o maior nível desde outubro de 2014. Entre os metais preciosos, o ouro segue como um refúgio dos investidores que buscam proteção e avança.

 

Na agenda norte-americana do dia, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego (13h). No Brasil, as atenções se dividem entre a carregada safra de balanços e os dados econômicos.  Antes da abertura do pregão local, serão conhecidos os resultados trimestrais de Banco do Brasil e Bradesco.

 

Após o fechamento, é esperado o demonstrativo financeiro da Petrobras, além de algumas elétricas e construtoras. Enquanto o lucro dos bancos deve cair no terceiro trimestre deste ano, a estatal petrolífera deve manter a trajetória de recuperação iniciada no segundo trimestre e registrar novos ganhos.

 

Entre os indicadores, destaque para as vendas no varejo, que devem cair pelo terceiro mês consecutivo, em 0,90% em setembro ante agosto, refletindo o fraco consumo das famílias, em meio ao desemprego e a inflação em alta. Na comparação com um ano antes, o comércio varejista deve cair 6%, no décimo oitavo resultado negativo seguido.

 

Os números oficiais serão divulgados às 9h, juntamente com os dados da safra agrícola. Antes, às 8h, tem a primeira leitura de novembro do IGP-M.

 

 

 

 

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