Cautela no dia da eleição nos EUA


Os números fracos da balança comercial da China em outubro apenas elevam a cautela esperada hoje nos mercados financeiros neste dia de eleição presidencial nos Estados Unidos. Os investidores redobram a postura defensiva e aguardam o resultado das urnas, a fim de saber se a absolvição do FBI nas investigações sobre o uso de e-mails por Hillary Clinton ocorreu a tempo de corrigir os estragos à campanha da candidata democrata.

A euforia de ontem nos negócios globais esteve mais relacionada à conclusão apressada do FBI do que à possibilidade real de derrota de Donald Trump, uma vez que a disputa pela Casa Branca segue acirrada. Hoje, mais de 225 milhões de americanos vão poder votar para decidir se querem manter o atual status quo e o establishment político dos EUA ou se vão alterar esse curso para algo mais excêntrico. Cerca de 50 milhões de cidadãos já votaram antecipadamente.

Em termos gerais, uma reação positiva do dólar e dos ativos de maior risco, sobretudo emergentes, será vista como uma comemoração da vitória de Hillary. Por outro lado, uma fuga por proteção nas moedas fortes, no rendimento do ouro e dos títulos norte-americanos (Treasuries) irá refletir a conquista de Trump.

Enquanto aguardam a divulgação das primeiras parciais da votação, que devem ser conhecidas ao longo da tarde de hoje, os investidores digerem novos dados chineses. As exportações da segunda maior economia do mundo caíram pelo sétimo mês consecutivo, em 7,3% no mês passado em relação a um ano antes, em termos dolarizados, mais que a previsão de queda de 6%. As importações também recuaram, em -1,4% no período.

Com isso, o superávit da balança comercial foi de US$ 49,1 bilhões. Os números da China realça a fraca demanda global, ao mesmo tempo em que os investimentos domésticos em infraestrutura parecem seguir firmes. Sob impacto desses dados e do rali da véspera no Ocidente, a Bolsa de Xangai subiu 0,5%, no maior nível em 10 meses. À noite, a China anuncia os índices de preços ao produtor (PPI) e ao consumidor (CPI) em outubro.

Mas as atenções do mundo estão mesmo voltadas ao resultado das eleições norte-americanas, que já deve ser conhecido na madrugada de amanhã, uma vez que as pesquisas de intenção de voto estão longe de consolidar um favoritismo de Hillary contra o republicano. Além da escolha do próximo presidente, também está no radar a composição do Congresso, com mais de 400 deputados e cerca de 30 senadores sendo eleitos.

À espera desse desfecho, os índices futuros das bolsas de Nova York perdem terreno, ao passo que o ouro se recupera e o petróleo é negociado abaixo de US$ 45. O cobre e o níquel saem das máximas em um ano. As principais praças europeias também exibem fôlego reduzido, assim como as moedas de países emergentes.

O peso mexicano tenta segurar os ganhos, mostrando certa confiança de que os planos protecionistas de Trump serão rejeitados nas urnas. Mas o rand sul-africano e o dólar australiano recuam. Já o iene japonês sustenta-se no menor nível em uma semana.

Internamente, o mercado doméstico também monitora o andamento de pautas importantes no Senado sobre o ajuste fiscal do governo Temer.

Embora em segundo plano, os investidores acompanham a votação do texto da proposta (PEC) que fixa um teto para os gastos públicos por até 20 anos, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), e também a possibilidade de uma nova rodada da repatriação de recursos, em fevereiro. A agenda do dia traz como destaque o IGP-DI (8h), que deve ganhar força em outubro.

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