Mercados respiram aliviados antes das eleições nos EUA

07.11.2016

 

A decisão do FBI de que Hillary Clinton não cometeu um crime ao usar e-mails a partir de um servidor privado enquanto secretária de Estado faz os investidores respirarem aliviados nesta reta final da corrida presidencial nos Estados Unidos. O peso mexicano ganha terreno ante o dólar, liderando o avanço entre as moedas emergentes, e os índices futuros das bolsas de Nova York têm alta acelerada, de mais de 1%, após o FBI inocentar a candidata democrata.

 

Em carta encaminhada ao Congresso norte-americano neste domingo, o diretor do FBI James Comey informou que o órgão manteve a avaliação anunciada em julho, de absolver Hillary das suspeitas de ilegalidades na descoberta de novos e-mails. Em reação, o apetite por risco volta à mesa, após o índice S&P 500 registrar a mais longa sequência de perdas desde 1980 e o índice Stoxx Europe 600 cair por 11 dias seguidos.

 

Na Ásia, o índice MSCI da região subiu, depois de recuar 1,4% na semana passada, com os ganhos conduzidos pelo salto de 1,6% da Bolsa de Tóquio. No Pacífico, a Bolsa da Nova Zelândia teve o maior avanço em mais de 5 anos. Na outra ponta, o iene japonês e o franco suíço recuam, juntamente com o ouro, que cai pela primeira vez em oito dias. O rendimento dos títulos norte-americanos de 10 anos (Treasuries) aumenta.

 

Ainda assim, um dia antes das eleições, a ansiedade nos negócios tende a seguir crescente, diante da vantagem apertada de Hillary nas pesquisas de intenção de voto, o que não descarta totalmente a possibilidade de vitória de Donald Trump. Ele implorou a seus seguidores para superarem um "sistema manipulado", que protege a rival das acusações, ao passo que ela se disse "confiante" de que o FBI não mudaria a decisão anterior.

 

As pesquisas apontam para uma diferença estreita entre os candidatos, com a liderança geral pendendo para a democrata sobre o republicano. Mas são os chamados “swing states” que vão definir o pleito. O vencedor em cada estado leva todos os votos dos delegados, sendo necessários 270 do total de 538 colégios eleitorais para se eleger.

 

Além da Presidência, também está em jogo nestas eleições a escolha de 34 dos 100 senadores e de todos os 435 deputados da Câmara dos Representantes. Assim, o pleito de amanhã também irá definir a composição do Congresso que trabalhará com o presidente eleito. Atualmente, o partido republicano controla as duas Casas.

 

Confirmada a vitória de Hillary ou de Trump, o candidato vencedor já pode começar a trabalhar na formação do gabinete, sendo que a cerimônia de posse será apenas em 20 de janeiro de 2017. A apuração total deve levar ao menos duas semanas, mas os investidores tentam antecipar e já precificar o resultado final à medida que as parciais que forem sendo divulgadas.

 

Uma vitória de Hillary, a primeira mulher a assumir a Casa Branca, eleva as chances de o Federal Reserve apertar a taxa de juros dos EUA em dezembro, com chances de um ritmo mais agressivo no processo de normalização monetária ao longo de 2017. Em contrapartida, o comportamento dos mercados financeiros hoje mostra que uma vitória de Trump pode ser negativa para o crescimento econômico global e para o lucro das empresas.

 

Com as atenções totalmente voltadas à votação de amanhã, a agenda de eventos e indicadores econômicos tende a ficar em segundo plano. Até porque o calendário norte-americano está mais fraco esta semana, com destaque para os estoques no atacado em setembro (quarta-feira) e para a preliminar em novembro do índice de sentimento econômico (sexta-feira). Hoje sai o crédito ao consumidor (18h).

 

É válido lembra que, com o fim do horário de verão nos Estados Unidos ontem, Wall Street fica ainda mais distante de Brasília. As bolsas em Nova York passam a abrir apenas às 12h30, com a maioria dos indicadores sendo conhecidos às 11h30.

 

No eixo Europa-Ásia, destaque para os dados da balança comercial chinesa, esta noite, além dos índices de preços ao produtor (PPI) e ao consumidor (CPI) no país, amanhã à noite.

 

No Brasil, o cenário político também concentra as atenções. Amanhã serão retomadas as discussões, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, sobre a proposta que cria um teto para os gastos públicos por até 20 anos. Amanhã, a PEC 55, que tramitou na Câmara como a PEC 241, deve ser colocada em votação.

 

Porém, a apreciação da matéria pelos senadores acontece em meio ao receio quanto ao futuro do presidente da Casa, Renan Calheiros, caso o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) seja de que réus não estejam na linha sucessória da Presidência nem possa estar no comando do Congresso. A Corte ainda irá retomar o julgamento, o que pode atrapalhar a votação da PEC 55.

 

Na agenda doméstica, as atenções se dividem entre os indicadores econômicos e a safra de balanços. O grande destaque da temporada fica para quinta-feira, quando saem, pela manhã, os números trimestrais do Bradesco e do Banco do Brasil e, à noite, da Petrobras. No mesmo dia, serão conhecidas as vendas no comércio varejista em setembro, que deve ter seguido em queda.

 

Antes, na quarta-feira, é a vez do índice oficial de preços ao consumidor brasileiro (IPCA) em outubro. O dado deve calibrar as apostas em relação à última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste ano, no fim deste mês, em meio às dúvidas sobre se ritmo de queda da taxa básica de juros (Selic) será mantido.

 

Também na quarta-feira, tem o balanço da Gerdau, antes da abertura do pregão. Amanhã, sai o IGP-DI. Hoje, além das tradicionais publicações do dia, a saber, relatório Focus do Banco Central (8h25) e balança comercial semanal (15h), tem também os dados da Anfavea sobre a indústria automotiva em outubro (11h20) e o balanço da Gol, antes da abertura.

 

 

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