A disputa do século


A poucos dias das eleições presidenciais norte-americanas, os mercados financeiros se retraem e ficam na defensiva. Os investidores relegam até os eventos e indicadores econômicos, neste dia de dados de emprego nos Estados Unidos (payroll), e concentram o foco na acirrada disputa pela Casa Branca. Com isso, a incerteza e a volatilidade tendem a dominar os negócios até a próxima terça-feira, dia 8.

Os mercados globais mantêm uma forte onda vendedora (selloff) dos ativos mais arriscados e caminham para a pior semana desde a definição do voto pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o chamado Brexit, à medida que as pesquisas de intenção de voto mostraram uma queda na liderança, até então folgada, da candidata democrata Hillary Clinton. Esse movimento afeta principalmente os países emergentes e vizinhos dos EUA.

A Bolsa do Canadá caiu pelo terceiro dia seguido hoje e o peso mexicano segue pressionado, mas é a lira turca quem lidera as perdas entre as moedas de países em desenvolvimento, após a prisão de alguns parlamentares da oposição. De um modo geral, o dólar ganha terreno e mostra sinais de que os investidores estão preocupados com uma possível vitória do candidato republicano Donald Trump, conhecido por um perfil excêntrico e declarações polêmicas.

Porém, a queda da moeda norte-americana frente ao euro, o iene e o franco suíço evidencia uma busca por proteção em ativos seguros. O avanço do ouro, que atingiu o maior nível em um mês, também reforça essa fuga para refúgio. Entre as commodities industriais, o cobre recua e o petróleo segue abaixo de US$ 45 o barril. Nas bolsas, os índices futuros em Nova York estão na linha d'água, enquanto a Europa cai, seguindo o sinal vermelho na Ásia.

O fato é que a eleição de 2016 nos EUA vem confundindo os mercados financeiros e, pela primeira vez em muito tempo, os investidores não se mostram mais dispostos em tomar risco nos dias que antecedem a escolha de um presidente do país. Isso porque a eleição pode mudar todo o cenário político-econômico em Wall Street e no restante do mundo, se Trump vencer. Já a rival representa a continuidade.

Em dia sem divulgação local relevante, o mercado doméstico deve seguir a tendência externa, onde os negócios estão em compasso de espera pelo relatório oficial do mercado de trabalho nos EUA em outubro. O chamado payroll será divulgado às 10h30, juntamente com os dados da balança comercial norte-americana em setembro.

Para o payroll, a expectativa é de geração 175 mil vagas no mês passado, com a taxa de desemprego seguindo em 5% e o ganho médio por hora, em US$ 34,40. Após a primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no terceiro trimestre deste ano mostrar que a maior economia do mundo ganhou tração, a atenção dos investidores nos dados de emprego aumentou.

Isso porque o Federal Reserve reforçou a chance de elevar a taxa de juros em dezembro. Esse cenário combinado com informações sobre renda e emprego nos EUA ajuda a calibrar as apostas em relação ao Fed. Por ora, as chances de aperto monetário no mês que vem subiram para 78%, no maior nível desde março, de 69% de possibilidade ao final da semana passada.

A expectativa é de que o payroll irá autorizar o Fed a elevar os juros em dezembro, em meio à continua recuperação econômica norte-americana. Mas tudo vai depender do resultado da disputa do século, entre Donald Trump e Hillary Clinton.

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