China mostra sua força antes do Fed

01.11.2016

 

Novembro começou primeiro na Ásia e, de lá, chegam notícias capazes de agitar um pouco mais os mercados financeiros, nesta véspera de decisão do Federal Reserve e de feriado no Brasil, o que tende a redobrar a cautela nos negócios. Enquanto o Banco Central do Japão (BoJ) decidiu manter a política monetária, em um sinal de que já pode estar no limite da adoção de estímulos, a China divulgou números sobre a atividade que sugerem que a segunda maior economia do mundo continuou se estabilizando neste último trimestre de 2016.

 

O índice oficial dos gerentes de compras (PMI) da indústria alcançou o maior patamar desde julho de 2014, ao subir a 51,2 em outubro, de 50,4 nos dois meses anteriores, contrariando a previsão de queda a 50,3. O PMI industrial chinês calculado pelas empresas Caixin e Markit também subiu a 51,2, cada, atingindo o maior nível em dois anos. No setor de serviços, o PMI oficial da China foi a 54 no mês passado, de 53,7 em setembro. Números acima de 50 sugerem expansão da atividade.

 

Ao mesmo tempo em que o gigante emergente renova os sinais de estabilização da atividade, a abertura dos dados mostra que os preços na porta das fábricas - antes de impostos - também subiram pela primeira vez desde 2012. Trata-se de um indício de que a economia está sendo estimulada por um consumo doméstico robusto. Ainda assim, a indústria sofre com o aumento de salários e dos custos de matérias-primas, em meio à demanda global anêmica.

 

De qualquer forma, os números sugerem um crescimento econômico expressivo da China no quarto trimestre do ano, o que embalou as bolsas asiáticas, as commodities metálicas e as moedas de países produtores e exportadores de matérias-primas. Xangai subiu 0,71% e Hong Kong avançou 1,23%.

 

Já a Bolsa de Tóquio teve leve alta de 0,10%, diante da decisão do BoJ de seguir como está, conforme esperado, mas de adiar o alcance da meta de inflação de 2% para a segunda metade de 2019. A previsão para a inflação ao consumidor (CPI) no ano que vem foi reduzida de 1,7% para 1,5%, em meio à dificuldade do Japão em gerar pressão inflacionária.

 

Em reação, o iene estava de lado ante o dólar, com a moeda norte-americana cotada ligeiramente abaixo de 105 ienes. O destaque entre as moedas ficava com o dólar australiano, que ganha terreno ante o xará dos Estados Unidos, embalado pelos dados chineses e pela decisão do BC local (RBA) de manter a taxa de juros no mínimo histórico de 1,5% e sinalizar que novos cortes não são prováveis.

 

Nas commodities, o cobre e o níquel avançam pelo sétimo dia seguido, diante do inesperado avanço da indústria chinesa no mês passado. O alumínio se mantém no preço mais alto desde junho de 2015, enquanto o zinco renova a máxima em cinco anos, em meio aos sinais de retomada da atividade do maior consumidor de metais industriais do mundo.

 

O petróleo, por sua vez, se recupera da maior queda em um mês, mas segue negociado abaixo de US$ 50 por barril, em meio à falta de compromisso do cartel da Opep em congelar ou reduzir a produção da commodity. Mas essa queda do petróleo não afeta as bolsas, com as praças na Europa recebendo ainda um impulso extra da temporada de balanços. O destaque da manhã fica com o lucro líquido acima do esperado da Shell.  

 

Em Wall Street as atenções estão divididas, nesta véspera do anúncio da decisão do Fed e dias antes das eleições presidenciais norte-americanas. A possibilidade de aumento dos juros nos EUA antes do fim do ano gira em torno de 70%, mas o pleito do próximo dia 8 eleva a postura defensiva dos investidores, principalmente após a reabertura das investigações do uso de emails por um servidor privado pela candidata democrata Hillary Clinton.

 

Ainda no calendário econômico do exterior, saem dados da indústria nos Estados Unidos em outubro, por volta do meio-dia, além dos gastos com construção em setembro. Ao longo do dia, saem as vendas de veículos das montadoras no mês passado. Já a agenda doméstica começa cedo, com a divulgação, às 8h, do IPC-S em outubro, calculado pela FGV.

 

Depois, às 9h, é a vez da produção industrial em setembro, anunciada pelo IBGE. A expectativa é de que o setor volte a crescer, após interromper em agosto cinco meses consecutivos de alta, com +0,5%. Na comparação anual, porém, a atividade deve ter encolhido pelo 31º mês seguido (desde maço de 2014), em -5%.

 

Também são esperados indicadores da indústria pela CNI (11h) e números da Fenabrave sobre as vendas de veículos em outubro, sem horário definido. Às 15h, saem os dados da balança comercial brasileira no mês passado.

 

Entre os eventos de relevo, a proposta de emenda à Constituição (PEC) 241, que fixa um teto para os gastos públicos por até 20 anos, começa a ser discutida hoje no Senado. Ontem, o presidente Michel Temer disse "ter certeza" da aprovação da proposta por ampla maioria de votos dos senadores.

 

 

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