Feriado nos EUA desloca atenção para o Brasil

10.10.2016

 

A semana começa com um feriado nos Estados Unidos, pelo Dia de Colombo, o que enxuga a liquidez dos mercados pelo mundo. Mas os investidores deslocam o foco do dado de emprego nos Estados Unidos, que não esvaziou as apostas de um aumento da taxa básica de juros norte-americana ainda neste ano, e miram no front político, após o segundo debate presidencial no país. No Brasil, as atenções se voltam para a votação no plenário da Câmara da proposta (PEC) que fixa um teto para os gastos públicos.

 

O objetivo do governo Temer é aprovar a medida rapidamente, pois trata-se do primeiro passo para superar a crise econômica. A proposta tem dividido opiniões, mas o presidente Michel Temer afirmou que nenhum movimento contra o limite para a dívida será admitido. Ontem, ele reuniu-se com parlamentares governistas, em um almoço e depois em um jantar, com o objetivo de antecipar a chegada dos deputados a Brasília.

 

Afinal, o governo não conseguiu garantir quórum mínimo para abertura da sessão na última sexta-feira e, de acordo com as regras do regimento interno, é necessário realizar ao menos duas sessões ordinárias para, então, apreciar uma pauta em plenário. Desse modo, com a falta de quórum ao final da semana passada, restam as sessões de hoje e de amanhã, que só serão abertas se houver pelo menos 10% dos 513 deputados.

 

Para ser aprovada, são necessários 308 votos, em dois turnos de votação. Segundo o secretário de governo, Geddel Vieira Lima, o governo conta com mais de 350 votos para aprovar o teto dos gastos por até 20 anos, limitando o crescimento das despesas à inflação oficial dos 12 meses anteriores. A medida também foi defendida em propaganda na TV, a fim de mobilizar a população.

 

Os mercados domésticos vão operar hoje, então, de olho em Brasília, já que Nova York permanecerá fechada hoje. A agenda econômica também está mais tranquila nesta semana. Por aqui, hoje tem as tradicionais divulgações do dia, com o Boletim Focus (8h25) e a balança comercial semanal (15h).

 

No exterior, Wall Street não terá a chance de repercutir hoje um novo debate entre os candidatos à Casa Branca Donald Trump e Hillary Clinton, o qual, mais uma vez, deu a vitória à democrata, com 57%, contra 34% do republicano, segundo pesquisa da CNN. A performance de Trump escancara um crise sem precedentes na campanha do partido, após comentários vulgares dele, recuperados em um vídeo, levar muitos republicanos a retirarem o apoio à candidatura.

 

Em reação, o peso mexicano e o dólar canadense, vistos como um termômetro sobre as perspectivas de Trump à presidência dos Estados Unidos, registram ganhos acelerados ante o dólar, sendo que a moeda do México é negociada no maior nível desde meados de setembro. O dólar australiano, o rand sul-africano e o won sul-coreano também avançam.

 

Já a libra esterlina estende as perdas, diante de pressões renovadas sobre a moeda britânica ainda na esteira do chamado "Brexit". Por sua vez, o yuan chinês é cotado no menor valor desde setembro de 2010, a 6,7051, em meio às intervenções do Banco Central local (PBoC) para evitar uma desvalorização da moeda abaixo do nível de 6,70 por dólar.

 

Os negócios na China voltaram de um feriado de uma semana no país em alta. O índice Xangai Composto subiu 1,5%, com os ganhos liderados por ações de petrolíferas e mineradoras. Porém, os papéis do setor imobiliário recuaram, após Xangai adentrar na lista de cidades com medidas para conter o aumento no preço de imóveis.

 

Na Europa, as principais bolsas tentam seguir o sinal positivo vindo da Ásia, mas mostram pouco vigor para interromper duas semanas consecutivas de perdas. As preocupações em relação à multa a ser paga pelo Deutsche Bank à Justiça norte-americana permanecem, diante de relatos que o presidente do banco alemão, John Cryan, não chegou a um acordo durante encontro em Washington.

 

Também pesam nos negócios a queda do preço do barril de petróleo para abaixo de US$ 50. Ainda assim, os índices futuros das bolsas de Nova York se sustentam em alta, com pouco volume, mas não haverá sessão regular hoje.

 

No calendário econômico, as atenções se voltam para a publicação da ata do Federal Reserve, na quarta-feira. No documento, o Fed deve explicar os motivos que levaram três integrantes a votarem por um aumento dos juros já em setembro, no maior placar de dissidentes em quase dois anos.

 

Depois, na sexta-feira, saem as vendas no varejo norte-americano e a inflação ao produtor (PPI), ambos em setembro, além da leitura preliminar do sentimento do consumidor em outubro. Ainda no mesmo dia, a presidente do Fed, Janet Yellen, discursa. Outros dirigentes do Fed falam, ao longo da semana.

 

Na Ásia e na Europa, o calendário econômico volta a ganhar força. Amanhã e quarta-feira saem números sobre o sentimento econômico e a produção industrial na zona do euro. Na China, serão conhecidos dados da balança comercial (quarta-feira) e de inflação no atacado e no varejo (quinta-feira).

 

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