Preocupações com BCs voltam a pesar

05.10.2016

 

A perspectiva de que os principais bancos centrais irão diminuir as ações de estímulo monetário sem precedentes às economias volta a angustiar os investidores, pesando nos mercados financeiros. O receio de diminuição da liquidez global de recursos inibe o apetite por ativos de risco, reduzindo também o otimismo que tentava se espalhar, em meio à vulnerabilidade dos negócios às ações vinda dos BCs da Europa, Japão e Estados Unidos.

 

As principais bolsas europeias amanheceram no vermelho nesta quarta-feira, interrompendo seis dias seguidos de valorização, na maior sequência em quase um ano, após relatos de que o Banco Central Europeu pode diminuir a compra mensal de 80 bilhões de euros em bônus e concluir o afrouxamento quantitativo (QE) antes do previsto, em março de 2017. Se confirmado, o BCE não só irá frustrar a expectativa de prorrogação do programa de recompra como também poderá apertar a política monetária ao ritmo de 10 bilhões de euros por mês.

 

A essa notícia somam-se os sinais cada vez mais firmes vindos do Federal Reserve, que parece convicto da necessidade de elevar a taxa básica de juros nos Estados Unidos ainda neste ano. Para o presidente da distrital de Chicago do Fed, Charles Evans, o aumento do custo do empréstimo no país deveria ocorrer já em novembro, ao passo que nos últimos dias os presidentes das distritais de Cleveland e de Richmond, Loretta Mester e Jeffrey Lacker, também defenderam uma alta.

 

Hoje, chamam atenção os discursos dos presidentes das distritais do Federal Reserve em Minneapolis, Neel Kashkari, pela manhã, e novamente de Lacker, à tarde. Apenas o primeiro compõe o colegiado do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) este ano, mas o segundo será membro alternativo do Fed em 2017.

 

À espera desses eventos e também dos indicadores econômicos norte-americanos, os índices futuros das bolsas de Nova York estão na linha d'água. O grande destaque do dia é a pesquisa ADP sobre a geração de vagas de emprego no setor privado norte-americano no mês passado. Como é de praxe, o documento é tido como um termômetro dos números oficiais sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos (payroll), na sexta-feira.

 

O dado da ADP será divulgado às 9h15. Ainda no calendário dos EUA, saem os índices PMI e ISM do setor de serviços em setembro, às 10h45 e às 11h, além das encomendas à indústria em agosto (11h). Depois, às 11h30, é a vez do relatório oficial sobre os estoques semanais norte-americanos de petróleo bruto e derivados.

 

Logo cedo, a zona do euro informou que o índice dos gerentes de compras (PMI) do setor de serviços caiu a 52,2 em setembro, de 52,8 em agosto, impedindo qualquer tentativa de melhora nas bolsas da região. As ações de fabricantes de matérias-primas conduzem a queda, apesar da arrancada do petróleo, que sobe mais de 1% e flerta com o nível de US$ 50 o barril após o dado de uma associação (API) mostrar encolhimento dos estoques norte-americanos da commodity.

 

Os mercados emergentes também estão em baixa nesta manhã, com o índice MSCI da região saindo do maior nível em uma semana. As bolsas da Índia e da Indonésia lideram as perdas, sendo que entre as moedas won sul-coreano e o dólar neozelandês se enfraquecem de modo mais intenso. Já a libra esterlina renova a mínima recorde em mais de 30 anos, sendo negociado abaixo de US$ 1,27, em meio às preocupações de que a saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado "Brexit", pode ferir a economia britânica.

 

Ao contrário do exterior, a agenda econômica doméstica do dia está mais fraca, com destaque

apenas para o fluxo cambial em setembro (12h30). Os números do Banco Central devem reforçar o movimento de saída de dólares do Brasil, diante do saldo negativo das operações financeiras, o que neutraliza a entrada de recursos pela conta comercial.

 

A própria Bovespa amargou o segundo mês seguido de retirada de recursos estrangeiros, acumulando saídas de pouco mais de R$ 4 bilhões, o que reduziu o superávit de capital externo na renda variável para R$ 13 bilhões no ano. Boa parte desse saldo é resultado do ingresso de R$ 8 bilhões apenas no mês de março. Ainda no calendário interno, saem dados da Fenabrave sobre os emplacamentos de veículos automotores no mês passado (11h).

 

Internamente, é grande a expectativa pela votação da proposta (PEC) que fixa um teto para os gastos públicos por até 20 anos na comissão especial da Câmara, amanhã. A aprovação dessa medida é fundamental para o contexto de cortes na taxa básica de juros (Selic), após o tom mais moderado do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, ontem.

 

Segundo ele, o Comitê de Política Monetária (Copom) não tem um cronograma definido para iniciar o processo de afrouxamento, o que sinaliza que o BC não irá adiantar “no fiado” uma redução dos juros básicos, sem um encaminhamento da pauta fiscal. E o avanço da PEC entre os deputados pode ditar ritmo que a votação pode tomar na Casa.

 

Hoje, por lá, é esperada a votação do projeto de autoria do senador e ministro José Serra (Relações Exteriores) sobre o pré-sal, que desobriga a participação mínima de 30% da Petrobras em todos os consórcios de exploração dos campos da camada. A sessão deve começar às 9h e, a depender do andamento da votação, pode entrar na pauta do dia dos deputados o projeto com as mudanças na lei de repatriação de recursos e bens mantidos no exterior sem declaração à Receita Federal.

 

 

 

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