Mercados atentos à ata do Fed

06.01.2016

 

As atenções dos mercados financeiros pelo mundo se voltam hoje para a ata da última reunião de 2015 do Federal Reserve, quando teve fim a era do juro zero nos Estados Unidos, em uma decisão unânime. O documento, que será divulgado apenas às 17 horas, será lido com lupa, com os investidores em busca de detalhes sobre o quão gradual será o ciclo de aperto monetário por lá e se os próximos passos seguirão sem dissidência.

 

A reação dos ativos globais vai depender das pistas a serem deixadas na ata do Fed, seja em relação ao ritmo de alta dos juros ou sobre a perspectiva para a inflação, sendo que o pregão estendido da Bovespa ainda pode sentir o impacto nos negócios. No encontro de dezembro, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) optou por promover a primeira alta na taxa básica norte-americana desde 2006, em 0,25 ponto porcentual, encerrando um período de sete anos (desde dezembro de 2008) com o juro de zero a 0,25%.

 

No mercado, a expectativa é de que entre duas e três novas altas nos Fed Funds ocorram antes das eleições presidenciais norte-americanas, no início de novembro, cabendo ainda uma dose adicional no último mês de 2016, com o juro nos EUA encerrando o ano no intervalo entre 1,25% e 1,50%. No curto prazo, há 56% de chance de que o próximo aperto ocorre até o (ou no) encontro de abril.  

 

Enquanto aguardam o grande evento do dia, os negócios seguem em busca de uma estabilização, após o susto com a China no primeiro pregão de 2016. A Bolsa de Xangai subiu pelo segundo pregão consecutivo, em +2,26%, novamente amparada pelos esforços de Pequim para sustentar o mercado de ações após o pior início de ano da história do país.

 

O índice CSI 300 ganhou 1,75%, mas o avanço dos negócios ofusca a queda do índice dos gerentes de compras (PMI) de serviços na China ao segundo nível mais baixo em uma década. O dado, compilado pelo Caixin junto com a Markit, caiu à mínima em 17 meses, a 50,2 em dezembro, de 51,2 em novembro, sinalizando que as condições do setor não estão tão boas quanto mostram o dado oficial, que alcançou o maior nível desde agosto de 2014.

 

O temor de que a desaceleração econômica da China esteja se espalhando para a atividade de serviços, contaminando toda a dinâmica da segunda maior economia do mundo, atinge os ativos emergentes. O índice MSCI da região caminha para o menor nível em seis anos, sendo que as moedas são impactadas pela queda do yuan chinês ao menor valor em cinco anos, após o Banco Central local (PBoC) reduzir a taxa de referência diária para um patamar inesperadamente fraco, no nível mais baixo desde abril de 2011.

 

Entre os destaques, o ringgit malaio é negociado no nível mais baixo em sete anos, diante do efeito chinês nas exportações da Malásia. Além disso, o teste nuclear com bomba de hidrogênio, realizado hoje pela Coreia do Norte, derruba o won sul-coreano à mínima em três meses, em meio ao receio de recrudescimento da tensão na região. A Bolsa de Seul caiu 0,6%, fechando no nível mais baixo em quatro meses. Ainda na Ásia, Tóquio perdeu 1,00% e Hong Kong, quase isso.

 

No Ocidente, os índices futuros das bolsas de Nova York têm queda acentuada, enquanto o juro da T-note de 10 anos está em 2,22% e o dólar segue com ganhos firme ante os demais rivais, com os investidores preocupados com o crescimento econômico na China e cientes da divergência de política monetária nos EUA e no mundo afora, sobretudo na zona do euro, que ainda segue ávida por estímulos. O euro segue cada vez mais próximo da paridade ante a divisa norte-americana, ao passo que as principais bolsas europeias têm perdas aceleradas.

 

É válido lembrar que ontem os índices Dow Jones e S&P 500 fecharam muito próximos dos níveis psicológicos dos 17 mil e 2 mil pontos, respectivamente, com muitos investidores com o “dedo no gatilho” para engatar uma onda vendedora mais forte (selloff) em Wall Street - talvez já nesta quarta-feira - à medida que a renda variável norte-americana perde atratividade ante a segurança nas Treasuries.

 

Antes, a agenda econômica desta quarta-feira está recheada de indicadores sobre a atividade (nos setores industrial e de serviços) no Brasil e na Europa, a serem conhecidos ao longo da manhã. Ainda por aqui, o Banco Central entra em cena às 12h30 para informar os números de 2015 sobre o fluxo cambial e também o índice de commodities (IC-Br).

 

Ainda nos EUA, sai a pesquisa ADP (11h15) sobre a geração de vagas no setor privado norte-americano no mês passado, tido como um termômetro do relatório oficial sobre o mercado de trabalho no país (payroll), previsto para sexta-feira. A estimativa para o dado de hoje é de criação de 198 mil empregos.

 

Depois, às 11h30, é a vez do saldo da balança comercial em novembro. Ainda no calendário dos EUA, às 13 horas, será divulgado o índice ISM de serviços em dezembro, além das encomendas à indústria e de bens duráveis um mês antes. Por fim, às 13h30, saem os estoques semanais norte-americanos de petróleo bruto e derivados.

 

 

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