Terça-feira brava nos mercados

26.01.2016

 

 

Os mercados domésticos voltam do feriado de segunda-feira na cidade de São Paulo com ajustes importantes a serem feitos. Além do derretimento do petróleo, que atingiu em cheio as bolsas de Nova York ontem e contaminou o pregão da Ásia hoje, as questões internas devem fazer preço nos ativos, intensificando a correção esperada para o dia. Ao mesmo tempo, os investidores miram o início da reunião do Federal Reserve, que termina amanhã.

 

Enquanto o mundo se abala com a queda livre dos preços do petróleo, que volta a ser negociado abaixo de US$ 30 à medida que o dólar se fortalece e o Oriente Médio mantém investimentos em energia, a falta de confiança na economia brasileira está no radar dos negócios locais. Ontem, no boletim Focus do Banco Central, o mercado financeiro piorou a previsão para a inflação, pela quarta vez, e também de retração da economia.

 

Neste ano, a alta do preços medida pelo IPCA deve chegar a 7,23%, acompanhada de uma queda de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Um dos vilões da inflação será o dólar, que deve ir a R$ 4,30, diante de um espaço maior de afrouxamento monetário pelo BC, com a taxa básica de juros indo a 13,75%, no médio prazo. Em 2017, a inflação segue próxima ao teto da meta, ao passo que o crescimento econômico não deverá alcançar 1%.

 

Já a dívida federal total encerrou o ano passado no maior nível da série iniciada em 2004, somando R$ 2,793 trilhões, uma alta de cerca de 20% ante 2014. O número está dentro da meta estabelecida no Plano Anual de Financiamento (PAF) do Tesouro Nacional, que ia até R$ 2,8 trilhões. Para 2016, o estoque da dívida pode chegar a R$ 3,3 trilhões, com o perfil migrando de títulos prefixados para bônus flutuantes (ligados à taxa Selic e ao câmbio).

 

Segundo o secretário do Tesouro, Otavio Ladeira de Medeiros, há caixa para atender às necessidades do ano e, portanto, não há necessidade de emissão adicional de títulos. Mas o mercado financeiro, como se espera, vai pedir mais prêmio pelo risco do Brasil. Afinal, o cenário econômico se agrava e as incertezas políticas continuam.

 

Para o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, 2015 foi um ano "singular" e desafiador, marcado por um "debate político polarizado". Ele voltou da viagem à Suíça tentando colocar em prática a estratégia vendida em Davos: um ajuste fiscal seguido de reformas (da Previdência e tributária, principalmente), com atuação específica em mecanismos de crédito de setores produtivos onde haja demanda, sem subsídios públicos.

 

Trata-se da ideia de “levar o cavalo à água e ver se quer bebê-la”, dita pelo ministro em referência a um ditado popular. Além disso, Barbosa julga haver chances reais de conseguir a aprovação das duas emendas constitucionais decisivas: a CPMF e a Desvinculação das Receitas da União (DRU). Para tanto, é preciso haver um consenso político, a fim de garantir o equilíbrio das contas do governo e trazer de volta as condições para o crescimento. 

 

Hoje, ele se reúne com a presidente Dilma Rousseff, às 9h30, antes dela viajar para o Equador, onde será recebida pelo presidente Rafael Correa.

 

Mas os esforços do governo também dependem de uma cooperação vinda do ambiente internacional, onde, ao contrário, a volatilidade nos mercados por causa do petróleo e da China continua. Wall Street recuou mais de 1% ontem e os índices futuros apontam para novas perdas hoje, com o ressurgimento da busca por ativos seguros ditando o rumo dos negócios. O juro T-note seguiu em 2% e o T-bond está abaixo de 2,8%, enquanto o dólar ganha dos rivais.

 

A forte onda vendedora (selloff) nos preços da commodity reduz a pressão da inflação nos Estados Unidos diante de uma moeda mais forte que, por sua vez, eleva os temores quanto à desaceleração econômica no restante do mundo. As moedas de países emergentes seguem perdendo terreno para o dólar, assim como as bolsas dessas regiões, com o índice MSCI rumo à maior queda em quase uma semana.

 

Por sua vez, a Bolsa de Xangai caiu 6,4% hoje, ao menor nível em 13 meses, apagando os ganhos de 0,8% registrados ontem, após dados mostrarem que a saída de recursos estrangeiros da China alcançou a marca recorde de US$ 1 trilhão no ano passado, o que representa um valor sete vezes maior que o verificado em 2014. Hong Kong e Tóquio perderam 2,3%, cada.

 

Contudo, os investidores seguem apostando em medidas adicionais de estímulo por parte dos principais bancos centrais da Ásia e da Europa, a fim de acalmar a turbulência nos mercados. O BC chinês (PBoC) injetou US$ 67 bilhões no sistema financeiro hoje, através das operações de recompra reversa, em meio ao aumento da demanda por dinheiro antes do feriado do Ano Novo Lunar, que começa na segunda semana de fevereiro.

 

Essa divergência na condução da política monetária nas maiores economias do mundo amplia as chances de o Fed postergar um novo aperto nos juros norte-americanos. Afinal, os Estados Unidos não estão blindados do comportamento do mercado nem da desaceleração global.

 

Na curva a termo, a precificação de alta dos Fed Funds em ou antes do encontro de março caiu a 25%, de 51% ao final do ano passado. Para a reunião que termina amanhã, há 96% de probabilidade de manutenção do juro entre 0,25% e 0,50%, após o primeiro aperto na taxa desde 2006 em dezembro, já que o índice preferido de inflação do BC do país não chegando ao alvo de 2% desde 2012.

 

Agenda. Aliás, a decisão do Fed, na tarde desta quarta-feira, não é o único grande evento nos EUA nesta semana. Na sexta-feira, dia 29, sai a primeira prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do país no quarto trimestre do ano passado, que pode mostrar o ritmo de expansão da maior economia do mundo ao final de 2015, após a leitura anterior, referente ao terceiro trimestre, ter sido revisada em baixa (+2,0%).

 

Hoje, serão conhecidos dados sobre o setor imobiliário nos EUA, além da confiança do consumidor, medida pelo Conference Board (13h). Na Europa, as atenções se voltam para os números do PIB do Reino Unido, na quinta-feira, enquanto a zona do euro tem indicadores sobre o sentimento econômico e os preços ao consumidor (CPI) na região, no fim da semana.

 

Ainda no radar, dados de atividade e inflação na Alemanha. Na Ásia, o Japão também anuncia uma série de indicadores econômicos, a partir de quinta-feira, mas o destaque fica com a decisão de política monetária do Banco Central japonês (BoJ), no dia seguinte.

 

No Brasil, as atenções se voltam para a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada, quando contrariou as apostas de aperto da taxa básica de juros e manteve a Selic em 14,25% ao ano pela quarta vez seguida. No documento, os investidores buscarão pistas sobre o contexto dos juros brasileiros para 2016 e 2017.

 

Nesta terça-feira, o BC entra em cena novamente para publicar a nota sobre o setor externo, às 10h30. Amanhã, é a vez da nota sobre as operações de crédito e, na sexta-feira, sai a nota sobre política fiscal, com os números do setor público consolidado.

 

Na quinta-feira, saem a taxa de desemprego de dezembro e de 2015 nas seis principais regiões metropolitanas do país, calculada pelo IBGE, além da inflação de janeiro medida pelo IGP-M. Além disso, começa a safra brasileira de balanços, com destaque para os resultados trimestrais dos bancos Santander (quarta-feira) e Bradesco (quinta-feira).

 

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