Mercados ensaiam recuperação, mas volatilidade continua

13.01.2016

 

Acredite se quiser, mas a China trouxe boas notícias nesta quarta-feira. O aumento do superávit comercial em dezembro para US$ 60 bilhões, em meio à recuperação das exportações por causa do yuan mais fraco, engata uma melhora dos mercados financeiros hoje, com as ações e moedas de países emergentes registrando os maiores ganhos em semanas, ao mesmo tempo em que o petróleo sobe pela primeira vez em 2016.

 

Contudo, a própria Bolsa de Xangai caiu 2,41%, encerrando abaixo do "nível psicológico" dos 3 mil pontos e acumulando queda de 16% apenas neste início de ano - na pior performance entre as bolsas de valores no mundo. Os investidores mostraram-se desconfiantes em relação à economia chinesa, a despeito da alta de 2,3% das exportações do país no mês passado em moeda local, na comparação anual.

 

Em novembro, quando o superávit comercial foi de US$ 54 bilhões, as vendas da China para o restante do mundo haviam recuado 3,7% também em moeda local e na mesma base de comparação, mostrando que foi acertada a estratégia de enfraquecer o yuan chinês. Já em dólar, as exportações caíram 1,4%, na menor queda desde junho. Por sua vez, as importações caíram em dezembro pelo 14º mês consecutivo, em -4% em yuan e em -7,6% em dólar em relação a um ano antes - menos que a previsão de queda de 11%.

 

Em reação aos números, os dólares australiano e neozelandês, o ringgit malaio, o won sul-coreano, o rand sul-africano, entre outras moedas emergentes, avançaram, assim como o yuan chinês. Nas bolsas, os índices futuros de Nova York firmaram-se no campo positivo, um dia após o S&P 500 encerrar no menor nível desde setembro, ao mesmo tempo em que digerem o último discurso da União do presidente norte-americano, Barack Obama, já em tom de despedida (e de campanha).

 

As principais praças na Europa também sobem, diante da recuperação dos demais mercados asiáticos, que saíram do menor nível em três anos. Tóquio subiu 2,9% e Hong Kong teve alta de 1,2%. O sentimento mais positivo para os ativos de risco reduziu a busca por proteção entre os investidores, o que promove uma devolução de prêmios nas Treasuries e enfraquece o dólar. De quebra, o petróleo se recupera, um dia após o barril do WTI ter caído abaixo de US$ 30 pela primeira vez em 12 anos. Os metais básicos também avançam.

 

Ainda assim, o colapso da confiança na economia chinesa e o excesso de oferta de petróleo no mundo seguem no radar dos mercados financeiros, com a percepção de uma desaceleração mais forte na China mantendo os negócios em alerta e elevando a volatilidade. No Brasil, esse ambiente externo potencializa os problemas domésticos, o que justificou a sexta queda da Bovespa em apenas sete pregões desde o início do ano, ontem, com as ações preferenciais (PN) da Petrobras nos menores níveis desde 2004 e rumo à mínima de R$ 2,50, atingida em outubro de 2002.

 

Hoje, relatos na imprensa dão conta de que, endividada e sem poder contar com o dinheiro do governo, a estatal petrolífera deve colocar a participação que possui na Braskem à venda. A Petrobras tem uma fatia de 36% na petroquímica, que vale algo em torno de R$ 6 bilhões, e grandes investidores já começaram a ser sondados.

 

Já a agenda de indicadores econômicos desta quarta-feira ganha força. No Brasil, o destaque fica com as vendas no varejo em novembro. Após a inesperada alta do comércio em outubro, em base mensal, quando interrompeu oito meses consecutivos de queda, a expectativa é de que o varejo volte a cair no penúltimo mês de 2015.

 

A mediana das expectativas é de recuo de 1% ante outubro. Em base anual, o comércio varejista deve registrar o pior resultado para o mês de novembro desde o início da série histórica revisada, em 2001, de -9,5%. Os números efetivos serão conhecidos às 9 horas e podem calibrar as expectativas em relação à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na primeira reunião do ano, na semana que vem.

 

Os investidores estão convictos de que a taxa básica de juros irá subir neste mês, em meio ponto porcentual, sendo que a Selic deve ficar aos menos 2 pontos mais elevada em 2016. Depois do tom mais duro (“hawkish”) do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na carta aberta ao Ministério da Fazenda, na esteira do estouro da inflação no país em 2015, os dados de atividade não devem alterar o foco da autoridade monetária em trazer o IPCA ao centro da meta de 4,5% em 2017.

 

Às 12h30, o BC entra em cena para anunciar os números do fluxo cambial nesses primeiros dias do ano. Entre os eventos de relevo, a presidente Dilma Rousseff recebe os ministros do Meio-Ambiente, Izabella Teixeira (9h30), e da Casa Civil, Jaques Wagner (11h). Na Fazenda, o ministro Nelson Barbosa tem reuniões com a presidente da Caixa, Miriam Belchior (11h), e com o Conselho de Administração do BB Seguridades (14h), além do prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Luiz Marinho (16h30).

 

Já no exterior, as atenções se voltam para a publicação do Livro Bege do Federal Reserve, às 17 horas. No mesmo horário, sai o relatório do orçamento do Tesouro norte-americano em dezembro.

 

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