Mercado tem rali após decisão da Opep


A surpresa com a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de reduzir a produção da commodity pela primeira vez desde 2008 provoca um rali nos mercados financeiros. As ações de empresas de energia conduzem os ganhos nas bolsas, o que sustenta os negócios na Ásia, na Europa e em Nova York no azul, ao passo que os mercados emergentes sobem pelo terceiro dia seguido. Os metais básicos avançam, mas o barril do petróleo recua, depois de ir além dos US$ 47, com os investidores questionando como tal acordo do cartel pode funcionar. Esse receio faz o dólar medir forças frente as moedas rivais.

De qualquer forma, o sentimento volta a ser de maior apetite por ativos de risco, uma vez que o temor de um excesso de oferta de petróleo pesou nos preços da commodity por mais de dois anos, lançando uma espiral deflacionária entre as maiores economias do mundo. Assim, o setor de energia e os países produtores e exportadores de petróleo são os mais beneficiados, após o inesperado pacto da Opep de cortar a produção para o intervalo entre 32,5 milhões e 33 milhões de barris por dia ante previsão de manutenção dos atuais níveis.

Entre as moedas, o rublo russo e o ringgit malaio avançam, enquanto o iene japonês cai à mínima do mês. As bolsas emergentes também têm alta acentuada, sendo que o índice Kospi da Bolsa de Seul subiu ao maior nível em 14 meses. A exceção fica com a Índia, onde as ações e a rupia afundaram, após o país atacar alvos terroristas no Paquistão. Na outra ponta, as bolsas das Filipinas, da África do Sul e da Rússia lideraram os ganhos.

O índice MSCI de mercados emergentes caminha para o melhor desempenho trimestre desde março de 2012, com as moedas da região rumo à melhor sequência de valorização em dois anos. No Ocidente, os mercados também estão animados com a decisão da Opep, que pode reavivar a inflação na Europa e nos Estados Unidos, mas os negócios já se voltam para a agenda econômica do dia.

Hoje, a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, volta a discursar, desta vez em um evento, a partir das 17h. Antes, são esperados os discursos dos presidentes das distritais do Fe em Atlanta, Dennis Lockhart (10h), e em Minneapolis, Neel Kashkari (15h), que não têm direito a voto no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) neste ano, além do diretor Jerome Powell (11h), que votou pela manutenção dos juros norte-americanos neste mês.

Mas a sequência considerável de discursos de integrantes do Fed, ontem, e a forma como cada um esquivou-se em falar sobre política monetária deixou nítido o desconforto cada vez maior no colegiado em relação ao nível baixo dos juros nos EUA e o incômodo deles por não saber exatamente quando e em quanto se deve apertar a taxa.

Diante disso, os investidores esperam encontrar pistas desse movimento nos indicadores, em meio aos receios de se evitar um superaquecimento da economia norte-americana. Nesse sentido, a terceira e última leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre deste ano concentra as atenções do dia.

O dado será divulgado às 9h30 e a previsão é de aceleração no crescimento norte-americano, com a taxa anualizada mostrando alta de 1,3%, ante +1,1% na prévia anterior.

Os números podem mostrar que a maior economia do mundo suportaria um novo aumento dos juros, sem comprometer a recuperação em curso. De qualquer forma, não será uma alta de mais 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 0,50% e 0,75%, na taxa dos Fed Funds (FFR) que irá mudar a direção do fluxo externo rumo a países emergentes.

Da mesma maneira, não será um início do ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic) em um ritmo mais intenso, de 0,50 ponto percentual, que irá retirar a atratividade pelos rendimentos dos ativos brasileiros. Porém, mais do que a expectativa pelo ciclo de desaperto no Brasil, o fluxo de recursos estrangeiros será influenciado pelos passos do Fed para normalizar os juros.

Também na agenda do EUA, às 9h30, saem também os pedidos semanais de auxílio-desemprego. Depois, às 11h, é a vez das vendas pendentes de imóveis no país em agosto.

Na agenda doméstica, é esperado o resultado primário do governo central em agosto, a ser divulgado pelo Tesouro, que ainda não confirmou a publicação. Logo cedo, às 8h, sai a inflação pelo IGP-M em setembro, que deve subir 0,23% ante alta de 0,15% no mês anterior. Ainda assim, a taxa acumulada em 12 meses deve desacelerar a 10,71%, de 11,49% no período até o mês passado.

Entre os eventos de relevo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, participa de uma cerimônia de premiação de empresas, na capital paulista. Ele não deve perder a oportunidade para manter elevado o nível de confiança dos agentes econômicos, sinalizando que a proposta (PEC) que fixa um teto para os gastos públicos em até 20 anos deve ser votada já no mês que vem na Câmara.

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