Mercado entre Opep e PEC

28.09.2016

 

Após o primeiro de três debates presidenciais nos Estados Unidos embalar os mercados financeiros, ontem, a euforia nos negócios perde força hoje, com as atenções voltadas para a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Especulações de que o cartel da commodity irá fazer pouco para reduzir o excesso de oferta e adotar limites à produção deixa os investidores apreensivos.

 

Esse sentimento vindo do exterior pode ofuscar a tentativa de Brasília em manter o nível de confiança elevado, ao cravar uma data para votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que fixa um teto para os gastos públicos por até 20 anos. O presidente Michel Temer lotou o Palácio da Alvorada de políticos ontem, na primeira reunião no local desde que assumiu o cargo, fazendo jus à fama de bom articulador.

 

No encontro, foi definido com a base aliada que a PEC deve ser votada nos dias 10 e 11 de outubro no plenário da Câmara dos Deputados, entre o primeiro e o segundo turno das eleições municipais. A informação foi dada pelo ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, que disse ainda que o envio da reforma da Previdência deve ser adiado, mas pode ocorrer ainda no mês que vem.

 

Os mercados domésticos têm grande expectativa pelo encaminhamento das medidas de ajuste fiscal, a fim de restaurar a confiança dos agentes econômicos e retomar a trajetória de crescimento, ainda que às expensas das demandas sociais. Porém, esse sentimento pode ser testado uma vez que a maioria dos mercados emergentes recua nesta manhã, à espera do desfecho da reunião dos maiores produtores de petróleo.

 

O ringgit malaio é negociado no menor nível em três meses, com o dólar ganhando terreno ante os rivais, ao passo que o barril do petróleo segue abaixo da marca de US$ 45, após os sinais vindos da Arábia Saudita de que qualquer compromisso com o Irã em relação à produção da commodity será adiado para o próximo encontro, em novembro. A partir daí, esfriaram as chances de qualquer acordo na reunião deste mês, na Argélia.

 

Diante da ausência de acordo, a expectativa é de que o petróleo passe a ser negociado em níveis cada vez mais próximos de US$ 40, por causa da falta de medidas que buscam estabilizar os preços. Um proposta de congelamento da produção vem sendo discutida desde fevereiro, mas já em abril não houve nenhum acordo.

 

Ainda assim, os índices futuros das bolsas de Nova York exibem ganhos acelerados nesta semana, o que sustenta as ações de bancos e do setor de energia na Europa. Na Ásia, a Bolsa de Tóquio lidera as perdas e caiu 1,3%, ainda assim, os mercados na região caminham para fechar o melhor trimestre desde os três primeiros meses de 2012.

 

Na agenda econômica do dia, após o Banco Central brasileiro praticamente chancelar as apostas do mercado doméstico e indicar haver espaço para cortes na taxa básica de juros (Selic) nas duas próximas reuniões, as atenções desta quarta-feira se voltam aos discursos de presidentes de BCs dos Estados Unidos e da zona do euro. Ontem, o Copom emitiu sinais de que já há condições suficientes para iniciar o ciclo de afrouxamento monetário e a manutenção de uma política suave (“dovish”) em termos de estímulos no exterior tende a manter o fluxo de capital ao Brasil.

 

O destaque hoje é o discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, na Câmara norte-americana, às 11h. Ela volta a falar em público uma semana após a decisão de setembro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que mostrou a maior dissidência no placar da votação pela manutenção dos juros norte-americanos desde dezembro de 2014. 

 

Porém, a comunicação do Fed não deve trazer nenhuma novidade (ou surpresa) em relação ao processo de normalização monetária, com Yellen reafirmado que o cenário para uma nova alta na taxa dos Fed Funds se fortaleceu, mas deixando em aberto o momento exato deste aperto. Amanhã, ela volta a discursar, desta vez, no Senado.

 

Do outro lado do Atlântico Norte, também está no foco o discurso do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, a partir das 12h. Antes, ele participa de uma reunião no Parlamento alemão, o que redobra as atenções em meio ao nervosismo dos investidores quanto à solvência do Deutsche Bank.

 

Entre os indicadores econômicos, saem as encomendas de bens duráveis em agosto (9h30) e os estoques semanais de petróleo bruto e derivados (11h30). No Brasil, o calendário está mais fraco e traz a sondagem da indústria em setembro (8h) e a nota do Banco Central sobre operações de crédito em agosto (10h30).

 

 

 

 

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