Antes tarde do que Cunha

13.09.2016

 

De goleada. A perda do mandato do deputado Eduardo Cunha, que fica inelegível por oito anos, por 450 votos a favor e 10 contra, nesta madrugada, deixa a sensação de perigo no ar. Em discurso após a votação, Cunha disse ter sido vítima de "vingança política", mas ele mesmo pode articular sua própria vingança, ao acusar o governo Temer como responsável pela cassação. Cunha negou que irá fazer delação premiada e prometeu que irá apenas escrever um livro, contando o  que aconteceu no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.   

 

Passada essa última etapa da tensão política no Brasil, as atenções dos mercados domésticos se voltam à capacidade do governo Temer de articular no Congresso as votações necessárias para endereçar o ajuste fiscal, como a proposta que fixa um teto para a dívida do governo, limitando os gastos, e a Reforma da Previdência, que eleva para 65 anos a idade mínima para aposentadoria. Porém, esses temas só devem ser discutidos com maior vigor após as eleições municipais, reduzindo a perspectiva de mudanças no curto prazo.

 

Sem novidade no front interno, os negócios locais se voltam ao exterior, onde os mercados internacionais tentam se recompor. O recuo das chances de aumento dos juros dos Estados Unidos pelo Federal Reserve neste mês, de 30% para 22%, combinado com sinais de fortalecimento da economia chinesa revigoram os ativos, mas a melhora ensaiada é frágil. Afinal, a reunião do Fed acontece na semana que vem e a recuperação econômica global está longe do desejado.

 

As principais bolsas asiáticas encerraram a sessão com um desempenho misto. Tóquio subiu 0,3% e Hong Kong caiu iguais 0,3%. Nem Xangai (+0,05%) se animou com os dados melhores que o esperado sobre a atividade na China. Enquanto a produção industrial no país cresceu 6,3% em agosto, em base anual, mais que a previsão de alta de 6,2%, as vendas no varejo ganharam força e avançaram 10,6% no período, de +10,2% em julho. Já os investimentos em ativos fixos aumentaram 8,1% nos oito primeiros meses do ano.  

 

Em reação, os mercados emergentes tentam recompor o fôlego, mas a queda nos preços do petróleo, para abaixo de US$ 46 o barril, e do minério de ferro, para o menor nível desde julho, atinge as moedas correlacionadas às commodities. O destaque fica com o dólar australiano (aussie), que registra o pior desempenho entre as divisas dos países produtores e exportadores de matérias-primas, tendo a companhia do rand sul-africano e do peso mexicano.

 

O fato é que os investidores estão tentando se convencer de que não haverá aumento dos juros nos EUA neste mês e se apoiam na fala da dirigente do Fed que é conhecida pelo tom suave (“dovish”) em relação ao processo de aperto monetário. A declaração de ontem da diretora do Fed, Lael Brainard, serviu para tranquilizar o humor dos investidores, que passaram a questionar a necessidade e a efetividade de uma nova alta. 

 

Porém, uma reversão do cenário de elevação do custo de empréstimo nos EUA ainda em 2016 depende de um maior consenso entre os demais integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) – o que, neste momento, parece pouco provável. Assim, os investidores ainda têm dúvidas sobre até quando a taxa de juros norte-americana será mantida no nível atual. E essa incerteza deixa os investidores arredios, inibindo o apetite por ativos de risco.

 

Diante disso, os índices futuros das bolsas de Nova York estão novamente no vermelho. Na Europa, as bolsas têm comportamento desigual, sem forças para interromper três pregões consecutivos de queda. O calendário econômico no exterior traz dados sobre o sentimento econômico (ZEW) na Alemanha e na zona do euro, pela manhã, além do relatório de orçamento dos EUA em agosto, às 16h.

 

No Brasil, as vendas no varejo também são destaque no Brasil. Mas o comércio varejista doméstico vem apresentando um comportamento errático desde o início do ano, com um resultado mensal negativo sendo seguido por um resultado mensal positivo.

 

Nesse ritmo, as vendas que excluem os setores automotivo e de construção civil (conceito restrito) devem cair 0,2% em julho ante junho, após a alta de 0,1% no confronto anterior. Na comparação anual, o segmento deve ter caído pelo décimo sexto mês consecutivo (desde abril de 2015), em -5%. Os números efetivos serão conhecidos às 9h.

 

 

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