Mercado entre protestos e estímulos

08.09.2016

 

A volta do feriado no Brasil é marcada pela preocupação com o aumento da onda de protestos, o que pode elevar a instabilidade do governo e a pauta de reformas, trazendo desconforto aos mercados domésticos. As vaias e gritos de "Fora Temer" ontem, no Maracanã, voltaram a abafar a fala do presidente, mantendo as incertezas no cenário político. Já no exterior, os investidores estão na expectativa por novos estímulos monetários na zona do euro, neste dia de reunião do Banco Central Europeu (BCE).

 

Sem chances de novas ações pelo BC do Japão (BoJ) na semana que vem e afastada a possibilidade de aperto monetário nos Estados Unidos neste mês - com o Livro Bege do Federal Reserve corroborando ontem a visão de que a economia norte-americana tem crescido a um ritmo modesto e de que o robusto mercado de trabalho tem falhado em promover pressão inflacionária - os investidores apostam, agora, na injeção adicional de recursos na região da moeda única.

 

A decisão do BCE será conhecida às 8h45 e o mercado espera manutenção da taxa básica de juros entre os países da moeda única. Porém, o programa de recompra de ativos deve ser estendido para além do prazo atual de março de 2017. Depois, às 9h30, o presidente do BCE, Mario Draghi, concede entrevista coletiva e suas palavras podem ser suaves (“dovish”) para o mercado, lançando mão de estímulos sem precedentes.

 

O problema é que essas medidas artificiais têm mais distorcido o preço dos ativos, principalmente aqueles de maior risco, do que surtido algum efeito sobre a demanda real. Durante o G-20, a China advertiu que as políticas de estímulo monetário continuadas são insustentáveis, sem efeitos para impulsionar o crescimento econômico mundial.

 

Os dados da balança comercial chinesa em agosto, divulgados durante o feriado brasileiro, mostram que as economias estão frenéticas em vender produtos, mas poucas querem comprar. A saída da segunda maior economia do mundo tem sido desvalorizar a moeda local, o que garantiu um aumento de 5,9% das exportações em yuan, mas representou uma queda de 2,8% em termos dolarizados, em relação a um ano antes.

 

Trata-se do sexto aumento seguido em que as exportações chinesas foram beneficiadas pela moeda local mais fraca, impulsionando as receitas. Já as importações registraram um aumento de 10,8% em yuan e um avanço de 1,5% em dólar, na primeira alta das compras externas feitas pela China em termos dolarizados desde o fim de 2014. Como resultado, o saldo da balança comercial foi de US$ 52,05 bilhões, abaixo da previsão de US$ 58,85 bilhões.

 

Em reação aos números, a Bolsa de Xangai ficou de lado, com alta de 0,13%, ao passo que Hong Kong subiu 0,75%. Em Tóquio, o índice Nikkei 225 caiu 0,32%, ainda reagindo à declaração do presidente do BoJ, Haruhiko Kuroda, que descartou a possibilidade de reduzir estímulos monetários à economia do Japão.  

 

Na virada do dia, a China volta à cena para informar os índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) em agosto. Antes, nos EUA, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego (9h30) e o crédito ao consumidor em julho (16h). Mas os investidores estão mesmo de olho é na reunião do BCE, logo mais.

 

À espera desse evento, as principais bolsas europeias avançam, com as ações dos bancos liderando os ganhos. O euro é negociado em leve alta ante o dólar, com a moeda norte-americana perdendo terreno ante os rivais, após as apostas de aperto dos juros pelo Fed em setembro caírem a 22%, de quase 40% no início da semana passada. A menor possibilidade de aumento do custo do empréstimo nos EUA neste ano mantém Wall Street no azul.

 

A exceção entre as moedas fica com o peso mexicano, que tomba após a renúncia do ministro das Finanças do país. De qualquer forma, a perda de tração do dólar beneficia as commodities. O petróleo é negociado no maior nível em uma semana, em meio aos sinais de que o cartel da Opep irá tomar medidas para estabilizar os preços do barril da commodity. Entre os metais básicos, o cobre sobe ao patamar mais elevado em três semanas, diante da greve de mineradoras no Chile.

 

Esse movimento vindo do exterior tende a impulsionar os negócios no Brasil, tentando finalmente colocar a Bovespa acima dos 60 mil pontos e jogando o dólar para a marca de R$ 3,20. Porém, esses níveis só devem ser sustentados se houver uma definição da confiança no mercado doméstico em relação à cena política. Com o fim da interinidade, o comprometimento e o jogo de cintura de Temer para a aprovação do ajuste fiscal será essencial para fomentar o sentimento dos investidores.

 

Na agenda doméstica, o calendário de divulgação começa cedo. Às 8h, saem a primeira leitura do mês do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-S) e o resultado de agosto do IGP-DI, que deve apagar totalmente a queda de 0,39% registrada em julho e subir 0,25% no mês passado. Depois, às 12h30, o BC informa os números de agosto do fluxo cambial e também o índice de commodities (IC-Br).

 

 

 

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