Incertezas políticas e ata do Copom trazem cautela antes do feriado

06.09.2016

 

Os mercados financeiros voltam a funcionar com força máxima hoje, após o feriado de ontem nos Estados Unidos, que manteve Wall Street fechada. As apostas de que o Federal Reserve não tem pressa para apertar os juros mantém a atratividade dos países emergentes. Mas os negócios locais podem redobrar a cautela nesta véspera da comemoração pela Independência do Brasil, em meio às renovadas incertezas políticas que rondam os ativos domésticos, neste dia de divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom).

 

Por mais que se tente diminuir os efeitos dos protestos ocorridos em várias cidades do país no último domingo – e as novas manifestações marcadas para amanhã e quinta-feira - a questão é que, passado o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o cenário em Brasília continua ruim e os riscos só crescem. O receio é de que essa bandeira do “Fora Temer” comprometa a legitimidade do novo governo.

 

Aí, fica complicado avançar nas reformas econômicas, pois essa pressão social pode realçar a falta de unidade na base aliada do presidente Michel Temer, faltando cerca de um mês para as eleições municipais. Como resultado, tendem a crescer as dificuldades em conquistar apoio irrestrito aos cortes de gastos na saúde e educação, além de mudanças nos direitos previdenciários e trabalhistas, comprometendo o ajuste fiscal.

 

A decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Gilmar Mendes, de anexar o impeachment de Dilma às ações protocoladas pelo PSDB, em 2015, que pedem a cassação da chapa Dilma-Temer, deixa o ambiente político ainda mais desconfortável, em meio às divergências entre os partidos. Sem vislumbrar um horizonte definido, os investidores tendem a assumir uma posição defensiva.

 

Já no exterior, os mercados emergentes avançam pelo terceiro dia seguido, diante da recuperação nos preços das commodities e do enfraquecimento do dólar, por causa da perspectiva de que o custo do empréstimo nos EUA permanecerá onde está neste mês. Os números decepcionantes sobre o mercado de trabalho no país esfriaram as especulações de que o Fed iria se mover em setembro e reduziram as chances de aperto em dezembro.

 

Essas apostas abriram espaço para uma recuperação das bolsas e moedas de países em desenvolvimento. Os destaques fica com a Ásia, onde a maioria dos países mantém taxas de crescimento econômico elevadas e os preços dos ativos seguem atraentes. Juntos, Coreia do Sul, Tailândia e Taiwan atraíram cerca de US$ 500 milhões em recursos estrangeiros apenas no início deste mês, em meio ao apelo pelos altos rendimentos.

 

O índice MSCI da Ásia-Pacífico subiu ao maior nível em um ano. Na Europa, o índice Stoxx Europa 600 caminha para o patamar mais alto desde janeiro, com as atenções dos investidores já voltadas para a reunião do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira. A expectativa é de que o presidente Mario Draghi amplia os estímulos monetários na região pela segunda vez, diante da inflação perto de zero na região da moeda única e dos riscos à retomada econômica na zona do euro após a saída do Reino Unido da União Europeia - "Brexit".

 

Do outro lado do Atlântico Norte, os índices futuros das bolsas de Nova York apontam para uma volta do fim de semana prolongado em alta. As atenções por lá se voltam para os discursos de dois integrantes do colegiado do Fed, John Williams e Eric Rosengren, em busca de pistas em relação à trajetória dos juros nos EUA. Amanhã, sai o Livro Bege.

 

Entre as moedas, o dólar australiano avança pelo quinto dia seguido, na maior sequência de ganhos em seis meses, após a decisão do BC local (RBA) de manter a taxa básica de juros no nível recorde de baixa. A moeda tem a companhia da rupia indiana e do dólar taiwanês. Na outra ponta, o ringgit malaio recua, assim como o peso filipino e o baht tailandês. Nas commodities, o barril do petróleo é negociado acima de US$ 45, após a Rússia e a Arábia Saudita chegarem a um acordo para estabilizar os preços.

 

Na agenda econômica do dia, o destaque doméstico fica com a ata da reunião do Copom. No comunicado da decisão da semana passada, o Copom reconheceu a melhora das expectativas para a inflação, mas manteve o início do ciclo de cortes nos juros básicos condicionado à continuidade desse movimento nos preços e também ao avanço do ajuste fiscal.

 

Diante disso, a aposta dos investidores é de que o documento de hoje apresente informações adicionais, detalhando o balanço de riscos, especialmente sobre essas condicionantes que podem definir o momento exato em que a taxa Selic começará a ser reduzida. A ata será divulgada às 8h30. Depois, às 9h, o IBGE informa os números da safra agrícola deste ano.

 

Às 11h20, saem os dados de agosto sobre o desempenho da indústria automotiva. No exterior, o calendário está mais fraco. Logo cedo, a zona do euro informa a leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) na região no segundo trimestre deste ano, que deve confirmar a expansão de 0,3% em relação aos três primeiros meses de 2016. Nos Estados Unidos, às 11h, sai o índice ISM do setor de serviços em agosto.

 

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