Fim do toma lá dá cá?

23.08.2016

 

O mercado financeiro deve gostar da mudança de postura acenada pelo governo Temer, que resolveu bater de frente e encarar as pressões de servidores e governadores, em uma tentativa de por um fim às concessões das demandas políticas. Essa virada de estilo em Brasília pode reduzir a cautela que prevaleceu nos negócios locais ontem, ao mesmo tempo em que os ativos no exterior buscam uma recuperação, mas a queda do petróleo assusta.   

 

Ontem, o presidente interino Michel Temer disse que não é o momento para reajustar os salários do funcionalismo público, em meio à greve do Tesouro Nacional e da Controladoria-Geral da União, que buscam equiparação salarial com os auditores da Receita. Em outro front, o governo mudou o foco e deixou para hoje a votação de destaques da renegociação da dívida dos Estados, com receio de não garantir um bom quórum que possa impedir a aprovação de mudanças indesejadas na proposta.

 

O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, disse que irá trabalhar para que todos os destaques ao projeto da dívida dos Estados sejam rejeitados. A votação deve entrar na pauta da Câmara hoje, após uma sessão conjunta no Congresso para votar os destaques a vetos presidenciais e a proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2017.

 

Durante um almoço com a equipe econômica e líderes parlamentares, Temer pediu apoio a votações importantes previstas para esta semana, retomando os tópicos discutidos na sexta-feira passada, em São Paulo. Enquanto aguardam o início do julgamento final do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, a partir de quinta-feira no Senado, o governo interino vem reforçando a necessidade de medidas de ajuste fiscal.

 

Entre elas, o projeto de recriação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), que libera 30% dos recursos da União a serem usados livremente, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que fixa um limite para os gastos públicos e também a proposta que endurece as regras para gastos com o funcionalismo público.

 

Além dessas, outras propostas podem entrar na pauta do Congresso, em razão da agenda política congestionada neste segundo semestre. Afinal, com as eleições municipais em outubro, o Legislativo deve ficar esvaziado já em setembro, com o recesso branco deixando para novembro votações importantes que necessitam de quórum qualificado para apreciação, como o Orçamento de 2017 e a discussão da Reforma da Previdência.

 

Enquanto aguardam avanços nessa ofensiva, os investidores monitoram também o recuo do petróleo, que estende as perdas após bater o maior nível em sete semanas, em meio às preocupações com o excesso de oferta da commodity, diante do aumento de embarques no Iraque e na Nigéria. Apesar da queda nos preços do barril dos tipos WTI e do Brent, o dólar perde terreno ante os rivais, com os investidores ainda avaliando a possibilidade de um aperto dos juros nos Estados Unidos neste ano. A precificação indica 51% de chance.  

 

Já as bolsas do Ocidente sobem, digerindo as leituras preliminares de índices de atividade na zona do euro e nos EUA, pela manhã. Os números reduzem a apatia dos mercados financeiros, que tendem a ficar de lado ao longo da semana, à espera do simpósio econômico em Jackson Hole.

 

Com a política monetária norte-americana emitindo sinais difusos, Wall Street já não descarta mais totalmente a possibilidade de o Federal Reserve mostrar certa urgência em relação a uma nova alta de juros nos EUA. O tom duro (“hawkish”) em discursos recentes de dirigentes do Fed se contrasta à mensagem suave (“dovish”) da ata da reunião de julho do colegiado, deixando o desempate com a fala da presidente Janet Yellen, na sexta-feira.

 

No Brasil, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, participa hoje de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, a partir das 10h. A expectativa é de que ele dê pistas sobre a atuação da autoridade monetária no mercado de câmbio e quanto à possibilidade de um corte na taxa básica de juros antes do fim do ano. O mercado quer saber o que levaria o BC a sair da inércia e demover a Selic para baixo.

 

No calendário doméstico, destaque para a nota do Banco Central sobre o setor externo (15h) em julho. Antes, às 8h, saem uma leitura semanal do IPC-S e a sondagem da indústria em agosto. No exterior, também chamam a atenção a prévia da confiança do consumidor na zona do euro e as vendas de imóveis novos nos EUA no mês passado, ambos às 11h.

 

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