Governo deflagra investida ao ajuste

22.08.2016

 

A segunda-feira começa com as atenções voltadas para Brasília, pois o governo começa hoje uma série de reuniões com parlamentares para tentar avançar o ajuste fiscal. A projeto do Orçamento de 2017 deve ser apresentado até o próximo dia 31 e a grande expectativa é se a proposta irá contemplar aumento de imposto, em meio à frustração com a arrecadação federal e às resistências no Congresso em aprovar um teto para os gastos públicos.

 

Após cerca de três horas de reunião na última sexta-feira, em São Paulo, entre o presidente interino Michel Temer, a equipe econômica e líderes do Congresso, ficou acertado que as áreas de educação e saúde ainda serão preservadas. Segundo o ministro Henrique Meirelles (Fazenda), o projeto para o ano que vem está consistente com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita o crescimento das despesas do governo à inflação do ano anterior - exceto onde há vinculação constitucional, já que a PEC dos gastos não foi aprovada até o momento.

 

Por isso, a partir de hoje, tem início uma ofensiva para conseguir apoio ao ajuste fiscal. Mas, para o  presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o governo precisa se comunicar melhor para conseguir aprovar temas econômicos complexos. Para ele, por mais que Meirelles enfatize que o controle dos gastos públicos é essencial para a retomada econômica, ainda é preciso convencer que o país necessita de reformas que retiram alguns direitos (de alguns grupos), sob o risco de cair em descontrole macroeconômico.

 

Talvez por isso o governo tem enfrentado dificuldades em aprovar medidas já encaminhadas ao Congresso. Uma delas é a renegociação da dívida dos Estados, com as regiões do Norte, Nordeste e Centro-Oeste pedindo mais benefícios por não se sentirem contemplados com a atual proposta. Afinal, os maiores devedores com a União são Rio de Janeiro e São Paulo. Em outra frente, o Senado ainda precisa votar a recriação da Desvinculação de Receitas da União (DRU), cuja sessão na semana passada foi cancelada por falta de quórum.

 

Por enquanto, o mercado financeiro tem dado respaldo à equipe econômica, mas espera-se que após a conclusão do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, o governo comece a entregar efetivamente as medidas consideradas necessárias. O julgamento final contra o mandato de Dilma tem início nesta quinta-feira, dia 25, sendo que, antes do fim deste mês, Temer já deve encerrar a interinidade.   

 

À espera de um desfecho no front político, os mercados domésticos devem seguir com movimentos laterais, com os investidores redobrando a cautela e mantendo-se a postos para sacudir os negócios somente após a conclusão do impeachment, quando espera-se uma postura mais dura, austera de Temer. No exterior, é grande a expectativa pelo o simpósio econômico na cidade de Jackson Hole (EUA), o que também põe os investidores na defensiva.

 

A presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, discursa na sexta-feira e pode esquentar de vez o debate sobre o momento exato em que acontecerá uma nova alta nos juros norte-americanos. As apostas são de que ela dirá que o Banco Central dos Estados Unidos está pronto para apertar a taxa mais uma vez antes do fim do ano - possivelmente já em setembro, o que tende a sacudir os mercados globais.

 

Ontem, o vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, precedeu ao discurso de Yellen e disse que as metas de pleno emprego e de 2% de inflação nos Estados Unidos estão próximas de serão alcançadas. Contudo, ele não deu pistas sobre quando o Fed deve elevar os juros, mas retirou o argumento de que é preciso ter cautela com o ritmo lento de aperto monetário.

 

No aguardo deste grande evento, os índices futuros das bolsas de Nova York estão de lado desde cedo, mas com um ligeiro viés positivo. A agenda econômica esvaziada do dia e o período de férias no Hemisfério Norte reduz o ímpeto dos negócios. Na Europa, o sinal positivo também prevalece  nas bolsas, seguindo os ganhos de Tóquio e Hong Kong na Ásia.

 

O dólar, por sua vez, ganha terreno ante os rivais, o que enfraquece o petróleo. A commodity recua mais de 1% nesta manhã, diante do receio de que quanto mais o preço do barril encostar-se à faixa de US$ 50, mais propensa estarão às produtoras de xisto nos EUA a retomarem as atividades. Os metais básicos e preciosos também estão em queda.

 

Entre os indicadores, destaque para a segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre deste ano, a ser divulgada na sexta-feira. Antes disso, o calendário nos EUA traz dados de atividade e sobre o setor imobiliário. Na zona do euro, também saem indicadores de atividade e sobre a confiança do consumidor, na semana.

 

Fora da região da moeda única, destaque para o PIB do Reino Unido no trimestre passado (sexta-feira), que também pode lançar luz sobre o impacto da decisão da ilha britânica de sair da União Europeia (UE) e a necessidade de mais estímulos à economia.

 

No Brasil, a segunda-feira reserva as tradicionais divulgações: Pesquisa Focus (8h25) e balança comercial semanal (15h). Enquanto o saldo do comércio internacional deve continuar robusto, o levantamento do Banco Central tende a mostrar um espaço menor para reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 2016, visando um cenário mais positivo em 2017.

 

A prévia da inflação oficial no país em agosto, medida pelo IPCA-15 (quarta-feira), pode corroborar esse cenário, com a pressão nos preços de alimentos ainda trazendo dúvidas em relação ao processo de afrouxamento monetário neste ano. Uma postura mais cautelosa do BC nas próximas reuniões de 2016 pode influenciar na inércia inflacionária, ajudando a alcançar o objetivo de trazer a inflação ao centro da meta (4,5%) ao final de 2017.

 

Um dia antes, na terça-feira, o Banco Central publica a nota do setor externo em julho, em novo horário (15h).

 

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