Mercados tentam recompor o fôlego

19.08.2016

 

Os mercados financeiros tentam recompor o fôlego para seguir em frente, com os sinais de adiamento da alta de juro nos Estados Unidos impulsionando as commodities e enfraquecendo o dólar. Aliás, a moeda norte-americana deve interromper hoje a maior sequência de ganhos ante o real em seis meses, após o Banco Central reduzir a intervenção nos negócios, ofertando um lote menor de swap reverso. Apesar da trégua hoje, a situação fiscal ainda traz cautela, diante das dificuldades em Brasília para avançar a pauta.   

 

As discussões sobre as medidas para contornar a trajetória de deterioração das contas públicas no Brasil tendem a neutralizar o impacto positivo vindo do exterior, após a ata do Federal Reserve afastar a urgência por um aperto monetário nos EUA. Ainda há uma chance inferior a 50% de o Fed elevar os juros em dezembro, mas as incertezas em relação à inflação ao consumidor norte-americano e as condições monetárias suaves ("dosivh") no restante do mundo trazem dúvidas quanto a possibilidade real deste movimento.

 

Como consequência, os ativos de risco tentam ganhar tração, embalados pela volta do petróleo ao território de alta (bull market), menos de três semanas após ter entrado no mercado de baixa (bear market). O barril da commodity segue negociado na faixa de US$ 48 em Nova York, após saltar mais de 15% nas últimas seis sessões, diante das sinalizações de que a Rússia estaria disposta em discutir um congelamento da produção, após a Arábia Saudita apontar a necessidade de ações para estabilizar o mercado.

 

Porém, o dólar ainda mede forças ante os rivais, o que reduz o espaço de alta das commodities e inibe um avanço maior entre as bolsas internacionais, que mostram uma disposição dos investidores em realizar os lucros recentes. O sinal negativo prevalece na Europa, depois de um desempenho misto entre as praças asiáticas e um dia após a primeira alta em cinco sessões na região.

 

Os índices futuros em Wall Street também estão no vermelho, com o volume menor de negócios pelo mundo, em meio às férias de verão no Hemisfério Norte, dificultando movimentos adicionais nos ativos. Por aqui, os investidores também aguardam fatos novos para ampliaram suas posições em risco, liberando um maior fluxo de recursos ao país. A agenda econômica esvaziada do dia, no Brasil e no exterior, tende a deixar os mercados de lado.

 

Enquanto lá fora espera-se que o fato novo venha do discurso da presidente do Fed, Janet Yellen, em Jackson Hole, daqui a uma semana; internamente a novidade esperada é uma definição do quadro político. Com o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff cada vez mais concreto, as atenções se voltam às medidas fiscais e à postura que será adotada pelo ainda presidente interino Michel Temer, assim que o processo for concretizado, no fim deste mês.

 

Até por isso, o PSDB estaria pressionando o governo Temer para ser mais duro, austero na economia.  Desse modo, se a equipe econômica fracassar, os tucanos poderão dizer que não foi por falta de cobranças, ganhando força para o pleito de 2018. Se tudo de certo, o partido passa à condição de sócio na vitória, ficando a reboque do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

 

Após um jantar na noite da última quarta-feira, Temer acertou com a cúpula do PSDB uma maior participação dos tucanos nas decisões do governo, principalmente aquelas relacionadas ao controle dos gastos públicos. O líder do governo no Senado, Aloysio Nunes, passará a integrar as reuniões no Palácio do Planalto do núcleo econômico. Foi, portanto, um encontro de aproximação, com os tucanos manifestando um desejo, represado desde 2014, de construir as principais medidas para o Brasil.

 

 

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