Tudo vai bem quando termina bem


A falta de brilho nas maiores economias do mundo segue alimentando as apostas de que o Federal Reserve irá se esquivar de subir os juros nos Estados Unidos neste ano, diante das políticas de estímulo pelos bancos centrais da Ásia e da Europa. A probabilidade de um aperto na taxa norte-americana em 2016 segue abaixo de 50%, o que mantém o dólar enfraquecido hoje, antes de dados sobre a atividade e a inflação no país. Mas as bolsas também recuam, diante da falta de fôlego do petróleo para novas altas, após três dias de ganhos.

O problema para os mercados financeiros é que se o Fed não se mover a taxa de juros neste ano, há o risco de elevar ainda mais o custo de financiamento nos EUA no ano que vem, instigando uma busca por proteção em ativos mais seguros. Esse perigo segue latente nos negócios e testa o apetite dos investidores, que vem sendo guiado por especulações de liquidez abundante de recursos em meio à fraqueza da economia global.

Nesse ambiente, o sinal negativo prevaleceu nas bolsas asiáticas e contamina o pregão das praças europeias, em meio à realização nos preços das commodities. O petróleo aguarda os números sobre os estoques norte-americanos, ao mesmo tempo em que tenta se apoiar na expectativa de congelamento dos níveis de produção da commodity pelo cartel da Opep. Porém, a queda do dólar beneficia a continuidade do rali entre as matérias-primas.

Em Nova York, os índices futuros das bolsas também estão em queda hoje, monitorando as commodities e à espera de números sobre a inflação ao consumidor (CPI) nos EUA, às 9h30, e também da produção industrial norte-americana (10h15). Esses dados, referentes ao mês de julho, podem calibrar as especulações em relação ao Fed, com impacto nos mercados mundo afora.

Também às 9h30, saem dados sobre o setor imobiliário norte-americano no mês passado. Já a agenda doméstica está novamente esvaziada nesta terça-feira, o que deixa o comportamento do dólar e da Bovespa mais influenciado pelo ambiente externo, diante do calendário econômico carregado nos EUA.

Ontem, a Bolsa brasileira encerrou no maior nível em quase dois anos (desde setembro de 2014), com a expectativa de estímulos monetários sem precedentes pelos principais bancos centrais globais favorecendo a chegada de recursos externos aos países emergentes, em busca de maior rendimento. Esse aporte de capital estrangeiro (e especulativo) tem sustentado o dólar abaixo de R$ 3,20, apesar da terceira valorização consecutiva da moeda norte-americana ontem em relação ao real.

O fato é que os investidores ainda mantêm certo ceticismo com o Brasil e evitam promover uma enxurrada de recursos externos, apesar da expectativa de ingressos diante da premissa de confirmação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. O mercado doméstico tem demonstrado certa ansiedade pelo avanço do ajuste fiscal em Brasília, em meio à ausência de medidas concretas no governo Temer para contornar o déficit, até então.

Mas a equipe econômica, capitaneada pelo ministro Henrique Meirelles (Fazenda), tem se esforçado em diminuir essa apreensão, tentando segurar os negócios “no gogó”, em meio à série de declarações divulgadas na imprensa nas últimas semanas. Por ora, o único resultado é que a cena política tem testado a paciência do mercado, gastando o crédito do “time dos sonhos” até o afastamento definitivo de Dilma no Congresso.

Para os investidores, uma correção na trajetória das contas públicas é a condição indispensável para o Banco Central começar a cortar a taxa básica de juros. No aguardo desse sinal verde, a variável fiscal influencia diretamente na valorização do real e reflete nas decisões de política monetária - e suas consequências na atividade. Sem uma resolução de um lado, o outro lado pode desandar.


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