Petróleo e fiscal deixam investidores na defensiva

11.08.2016

 

Um clima de cautela torna-se evidente nos mercados financeiros hoje, com a cotação do barril de petróleo abaixo de US$ 42 enfraquecendo bolsas e moedas no exterior. A queda da commodity pelo terceiro dia consecutivo, diante do sinais de excesso de oferta, renova as preocupações quanto à uma queda livre nos preços do óleo, que entrou no mercado de baixa (bear market) na semana passada.

 

Os investidores até que se mostravam mais dispostos em comprar ativos de risco, diante do apoio das políticas monetárias dos principais bancos centrais, que mantêm elevada a liquidez global de recursos. Hoje, foi a vez da Nova Zelândia juntar-se à Austrália e ao Reino Unido e cortar a taxa básica de juros para o mínimo histórico, ao mesmo tempo em que o BC da Coreia do Sul sinalizou que há espaço para seguir nesta direção em breve.

 

Enquanto isso, o Japão e a zona do euro adotam estímulos sem precedentes e os sinais de robustez no mercado de trabalho dos Estados Unidos ainda precisam convencer que o Federal Reserve irá apertar os juros este ano. Assim, o principal temor dos negócios é com o petróleo.

 

Um dia após cair mais de 2,5%, a commodity negociada em Nova York segue em baixa hoje, diante do aumento dos estoques norte-americanos de petróleo bruto, da produção recorde na Arábia Saudita e dos sinais de baixa demanda. Os metais básicos também caem, com o níquel interrompendo quatro dias de avanço. O recuo das commodities potencializa a alta do dólar, que ganha terreno ante as moedas de países emergentes e produtores de matérias-primas, como o rublo russo e o ringgit malaio.

 

Entre as bolsas, as ações de empresas produtoras e exportadores de petróleo lideram as perdas, pesando nos negócios na Ásia e na Europa. Porém, a temporada de balanços também influencia o pregão, deixando a direção indefinida. Em Wall Street, os índices futuros tentam manter um viés positivo, com os investidores apostando que o índice Dow Jones alcançará o patamar recorde de 20 mil pontos em até um ano.

 

É bom lembrar que hoje, após o fechamento da sessão doméstica, a Petrobras divulga seu resultado financeiro referente ao segundo trimestre deste ano, que deve apresentar lucro na faixa de R$ 1,5 bilhão, revertendo o prejuízo nos três primeiros meses de 2016. A melhora na produção e no refino devem explicar o desempenho.

 

No Brasil, as novas concessões políticas feitas pelo governo Temer para aprovar o projeto de renegociação das dívidas dos Estados com a União elevou as incertezas quanto à eficácia das medidas fiscais para corrigir a trajetória de deterioração das contas públicas. Mas os investidores (e a equipe econômica do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles) não admitiram que houve uma derrota.

 

A realização de lucros por causa do noticiário fiscal ficou limitada à Bovespa e às taxas de juros futuros, ontem. Ainda assim, o mercado atribuiu a queda mais consistente da Bolsa (-1,33%) ao recuo nos preços das commodities no exterior, bem como relacionou a recomposição de prêmios nos contratos de depósito interfinanceiro (DIs) à inflação pelo IPCA mais salgada que o esperado em julho.

 

Já o dólar seguiu renovando o maior patamar em pouco mais de um ano, encostando-se à marca de R$ 3,10 e podendo vir abaixo de R$ 3,00 tão logo o impeachment da presidente Dilma Rousseff seja aprovado. De olho nisso, o Banco Central decidiu aumentar a oferta no leilão de swap cambial reverso hoje, equivalente à compra de dólares no mercado futuro, a fim de conter a queda da moeda norte-americana. Cerca de US$ 750 milhões serão retirados do mercado, reduzindo a oferta da moeda norte-americana.

 

A questão é que com as principais economias no mundo com taxas de juros próximas a zero, ou até abaixo disso, os juros reais pagos no Brasil seguem atraentes ao capital especulativo, ávido por rendimentos. Afinal, a taxa Selic está em 14,25% e os sinais de resiliência apontados pelo índice oficial de preços ao consumidor turvam as apostas de um ciclo de queda dos juros básicos antes do fim do ano.

 

Logo, esse dinheiro estrangeiro que entra no país em nada ajuda a economia real e o setor produtivo, pois não está direcionado aos investimentos nem ao consumo. Ao contrário, trata-se de um fluxo que visa ao ganho (lucro) com operações financeiras de arbitragem entre câmbio e juros.

 

Esse dólar abaixo de R$ 3,50 já vem limitando a recuperação da balança comercial, tornando as importações novamente interessantes e diminuindo a competitividade das exportações, o que reduz o superávit e adia o ajuste das contas externas. Aliás, na história da economia não há o registro de nenhum país em recessão profunda, com juros estratosféricos e uma moeda local forte, como no Brasil.

 

Na China, depois de assustar o mundo com a maxidesvalorização do yuan ante o dólar, promovida há cerca de um ano, o país asiático tem sido capaz de atenuar os efeitos da transição econômica e das reformas estruturais, que desaceleram o crescimento, impulsionando a receita e estimulando o investimento e o consumo doméstico, via uma moeda local mais fraca.

 

Trata-se de um exemplo que vai além da famigerada dicotomia entre capitalismo e comunismo, mas que reforça a visão clássica de que a riqueza de uma nação depende do grau de dificuldade na produção. Por isso, Pequim deve deixar a moeda chinesa se desvalorizar ainda mais.

 

Aliás, na madrugada de hoje para amanhã, a China divulga dados sobre a atividade industrial e as vendas no varejo em julho, além dos investimentos em ativos fixos. Durante o dia, saem o índice de preços de produtos importados nos Estados Unidos no mês passado e os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país, ambos às 9h30. Decisões de política monetária na América Latina (Chile, México e Peru) chamam a atenção.  

 

Internamente, a agenda econômica traz apenas a pesquisa sobre o setor de serviços em junho. O dado será divulgado às 9h pelo IBGE e pode dar pistas quanto ao comportamento do índice de atividade econômica (IBC-Br), a ser divulgado na sexta-feira pelo Banco Central. O indicador do BC é visto como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) e pode apontar o tamanho da queda da economia brasileira no segundo trimestre deste ano.

 

Entre os balanços, a safra está carregada e traz também como destaque Banco do Brasil e Oi, antes da abertura. São esperados ainda os resultados trimestrais de BM&FBovespa; das “elétricas” Copel, CPFL e Transmissão Paulista (CTEEP); além das construtoras Even, Gafisa e MRV, entre outras. 

 

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