Alta dos juros nos EUA pode ser adiada


Agosto começa com dados sobre a atividade em várias partes do mundo, que já influenciam os negócios hoje. Os mercados financeiros se apoiam nos sinais de fraqueza da economia global e mantêm a perspectiva de elevada liquidez, ao menos até o ano que vem. A possibilidade de o Federal Reserve não elevar os juros em 2016, após os números fracos do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no segundo trimestre deste ano, põe os investidores de volta ao risco, içando bolsas e moedas emergentes.

O mercado global de ações encerrou o mês de julho com o melhor desempenho desde março, diante das apostas de que os principais bancos centrais globais vão manter os estímulos monetários, ou até mesmo elevá-los, diante da fragilidade do crescimento econômico. O crescimento anualizado de 1,2% do PIB norte-americano entre abril e junho deste ano, abaixo dos +2,5% previstos, levou o mercado a esquecer o debate sobre se o Fed aumentaria os juros em setembro ou em dezembro.

Agora, parece só haver chance de aperto em setembro de 2017, quando as apostas superam 50%. A possibilidade de aumento dos juros antes do fim deste ano caiu a 36%, de 45% na semana passada. A geração de emprego nos EUA pode dar pistas sobre as chances de o Fed não elevar mesmo os juros em 2016. O sempre aguardado relatório sobre o mercado de trabalho no país (payroll), referente ao mês de julho, na sexta-feira, pode calibrar de vez essas apostas.

Por ora, as principais bolsas da Ásia e da Europa avançam, seguindo o tom positivo em Wall Street e relegando os números fracos apurados pelos índices dos gerentes de compras (PMI) da região. Na China, enquanto o PMI oficial da indústria caiu a 49,9 em julho, de 50 em junho, o dado calculado pelo Caixin subiu ao maior nível desde fevereiro, a 50,6, de 48,6, no período.

De qualquer forma, ambos sugerem pouca deterioração da manufatura chinesa. Já no setor de serviços da China, a tendência segue clara, com o PMI mantendo a trajetória de alta e subindo a 53,9 no mês passado, de 53,7 no mês anterior. Em reação, a Bolsa de Hong Kong subiu 1,09%, enquanto Xangai caiu 0,87%, ainda refletindo preocupação com potenciais restrições nos negócios.

O índice MSCI da Ásia-Pacífico subiu 0,7%, embalado ainda pela alta de quase 1% da Bolsa de Sydney, liderada pelas ações de commodities. Na Coreia do Sul, a Bolsa de Seul subiu pouco menos de 1%, de olho na valorização do won, que atingiu o maior valor em um ano ante o dólar. Aliás, as moedas de países emergentes ganham terreno do dólar, com destaque também para o ringgit malaio.

Na Europa, as ações dos bancos conduzem os ganhos, após o resultado dos testes de estresse mostrar que a maioria das instituições financeiras possui nível adequada de capital para conter os efeitos de eventuais crises. Os papéis de mineradoras também sobem, diante da valorização dos metais básicos. Com isso, os investidores relegam a queda do índice PMI industrial da zona do euro para 52 em julho, penalizado pelo recuo da atividade na Alemanha.

Novos dados sobre a indústria e o setor de serviços ao redor do mundo em julho serão conhecidos ainda hoje. Após os indicadores chineses e da zona do euro, nesta manhã saem ainda os índices PMI do setor industrial no Brasil e nos EUA, além do índice ISM da manufatura norte-americana. Os números do IBGE sobre a produção industrial em junho saem amanhã.

Internamente, também são esperadas as revisões do mercado financeiro para as principais variáveis macroeconômicas hoje, no Boletim Focus (8h25), após a ata mais conservadora (“hawkish”) do Comitê de Política Monetária (Copom) e diante das incertezas do lado fiscal. À tarde (15h), saem os dados de julho da balança comercial.

Na safra de balanços, após o fechamento do pregão local tem os números trimestrais de Cielo. Amanhã, antes da abertura dos negócios sai o resultado do banco Itaú. Depois, as empresas de energia elétrica entram em cena, com os balanços da Light (quarta-feira), Eletropaulo e AES Tietê (quinta-feira). Nos mesmos dias, são esperados os resultados da empresa de papel e celulose Suzano e da petroquímica Braskem.

No exterior, também serão conhecidos os preços ao produtor (IPP) e as vendas no varejo da zona do euro em junho, amanhã e na quarta-feira. Dados sobre o emprego nos EUA recheiam o calendário norte-americano até sexta-feira, aquecendo os motores para o payroll.

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