Japão frustra mercados

29.07.2016

 

A decepção com o Banco Central do Japão (BoJ) marca este última dia de negócios no mês de julho. Contrariando as expectativas do mercado financeiro, o BoJ manteve a taxa de juros do país negativa em -0,1% e não anunciou nenhum novo estímulo à economia, o que fortaleceu o iene ante o dólar e o rendimento do bônus japonês (JGB) de 10 anos. Enquanto isso, as commodities recuam e  as bolsas internacionais ensaiam alta - mas esse movimento deve ser testado ao longo da manhã, diante da forte agenda econômica do dia.

 

Os investidores estavam ávidos por uma taxa de juros ainda mais negativa no Japão, o que seria uma rodada renovada de liquidez monetária. Houve apenas o anúncio do aumento da meta para a compra de fundos de índices, que subiu de 3,3 trilhões para 6 trilhões de ienes ao ano e que foi considerada a expansão de estímulo mínima possível.

 

A decepção com o BoJ segue-se às recentes decisões dos bancos centrais da zona do euro (BCE) e da Inglaterra (BoE), de também esquivar-se em assumir novas ações, o que leva os mercados financeiros a reavaliarem as apostas por estímulos sem precedentes por parte dos principais BCs globais. Diante dessa elevado apetite por medidas mais agressivas das autoridades monetárias, os investidores reagiram sem esconder a frustração.

 

O iene subia quase 2% ante o dólar, ao passo que a Bolsa de Tóquio recuperou-se de uma queda ao redor de 1,5% e fechou em alta de 0,5%. Nas demais praças asiáticas, porém, o sinal negativo prevaleceu, com Xangai caindo 0,5% e Hong Kong recuando 1,3%. A moeda norte-americana também perde terreno para o euro e a libra esterlina, mas mede forças em relação às divisas de países emergentes.

 

Na Europa, as principais bolsas da região exibem ganhos, apoiadas nos balanços corporativos, antes dos resultados dos testes de estresse dos bancos europeus e de uma série de indicadores econômicos na zona do euro, que podem dar pistas sobre as chances de o BCE seguir o rumo do BoJ e seguir inerte. Logo cedo, saem a taxa de desemprego na região da moeda única em junho; os preços ao consumidor (CPI) em julho e uma nova leitura da soma do PIB dos países entre abril e junho de 2016.

 

Nos Estados Unidos, sai a segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, que deve ter crescido 2,5% na taxa anualizada. E qualquer sinal de recuperação mais firme da maior economia do mundo reaquece o debate sobre o momento exato em que o Federal Reserve deve voltar a subir os juros, após o recado um pouco duro (“hawkish”) deixado pelo Fed na reunião deste mês.

 

O dado será conhecido às 9h30, juntamente com o deflator do PIB e os custos de produtividade. O calendário norte-americano traz ainda o índice de atividade em Chicago em julho (10h45). Em seguida, é a vez da confiança do consumidor neste mês (11h).

 

À espera desses números, os índices futuros das bolsas de Nova York não exibem uma direção única, com a queda dos preços do petróleo pesando nos negócios. A commodity caminha para a pior perda mensal em um ano, rumo à faixa de US$ 40 por barril. Entre os metais, o cobre e o ouro também estão no vermelho.

 

Internamente, a agenda doméstica também está carregada e começa cedo, às 8h, com a divulgação das sondagens da indústria e do setor de serviços em julho. Depois, às 9h, sai a taxa de desocupação no segundo trimestre deste ano, que deve renovar o nível recorde da série, subindo a 11,3% e ultrapassando os 11,5 milhões de desempregados no Brasil. No mesmo horário, será conhecida a inflação ao produtor (IPP) em junho.

 

Já os números consolidados do setor público no mês passado, a serem divulgados pelo Banco Central (10h30), devem apenas confirmar o rombo nas contas do governo anunciado ontem pelo Tesouro Nacional. Apesar de o resultado mensal ter diminuído em relação a maio e ficado um pouco abaixo de R$ 10 bilhões, o déficit primário de R$ 8,8 bilhões foi o pior resultado da série histórica, iniciada em 1997. Nos seis primeiros meses de 2016, o governo central contabiliza um rombo de R$ 32,5 bilhões.

 

E as incertezas dos mercados domésticos com relação à viabilidade e à aprovação das reformas econômicas no país só aumentam, em meio aos sinais de que o governo parece estar tendo dificuldades para entregar o ajuste necessário. Com a virada da “folhinha”, os investidores também aguardam a volta dos trabalhos no Congresso, onde esperar que o embate fiscal seja destravado, pois na Esplanada dos Ministérios, crescem as rusgas entre a Fazenda de Henrique Meirelles e o Planejamento de Dyogo Oliveira.

 

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