Mercado vê riscos políticos

26.07.2016

 

O noticiário político volta a influenciar o rumo dos mercados financeiros, colocando os investidores na defensiva e redobrando a cautela nos negócios. A oficialização da candidatura da democrata Hillary Clinton nesta semana perde o brilho após novo escândalo envolvendo vazamento de e-mails e depois de duas pesquisas de intenção de votos mostrarem o republicano Donald Trump à frente da rival, pela primeira vez. No Brasil, a lua de mel com o governo interino pode estar com os dias contados.

 

Questões relacionadas aos gastos preocupam os investidores, diante das sinalizações de que o viés do lado fiscal segue expansionista. Enquanto Michel Temer promove uma troca de favores, abrindo os cofres públicos para garantir a saída definitiva da presidente afastada Dilma Rousseff, o benefício da dúvida dado pelos investidores começa a perder efeito.

 

Afinal, não basta apenas ter uma equipe econômica “market friendly”, é preciso ações duras e firmes – sem querer agradar a todos. Para o mercado, essa tentativa de atender a todos acaba não agradando a ninguém e o próprio ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, observou que foi essa estratégia que levou à deterioração fiscal e ao prejuízo de todos.

 

Por isso, as atenções dos investidores se concentram nos dados fiscais do governo, a serem conhecidos a partir de quinta-feira, o que deixa em segundo plano a ata da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sob o comando de Ilan Goldfajn, a ser divulgada hoje (8h30).

 

O documento é o grande destaque da agenda econômica desta terça-feira e deve trazer informações detalhadas sobre a atual situação da economia brasileira, principalmente quanto ao rumo da inflação. Contudo, a expectativa de que o Comitê sinalize quando (e se) deve começar um eventual ciclo de cortes na taxa Selic pode ser frustrada.

 

Além de afastar essa possibilidade de distensão monetária no curto prazo, o comunicado que se seguiu à decisão do encontro de julho expôs que tal processo depende dos avanços de medidas econômicas, sobretudo no lado fiscal. Ao fazer isso, o Banco Central jogou a responsabilidade para o Palácio do Planalto, que vem liberando recursos e inflando as contas públicas em um ritmo mais acelerado do que vinha fazendo Dilma neste ano.

 

A promessa de estancar a sangria e tapar o rombo dos gastos serviu para calibrar as expectativas dos investidores, que se apoiam na retomada da credibilidade para comprar o prêmio de risco no Brasil. Mas diante do receio quanto à aprovação de reformas no Congresso para reverter a trajetória decrescente da economia doméstica, os ativos locais tendem a ficar sob pressão.

 

Até porque começa hoje, e termina amanhã, a reunião de política monetária do Federal Reserve. Um novo aumento da taxa de juros norte-americana não é esperado. Porém, diante da melhora da economia dos Estados Unidos, uma mudança no comunicado para um tom mais agressivo (“hawkish”) pode acontecer. E essa mensagem pode ser a senha para uma realização de lucros mais intensa nos mercados globais.

 

Nesse ambiente, o dólar mede forças ante os rivais. A moeda norte-americana cai ante o iene, que segue em recuperação após atingir a mínima em um mês na semana passada, com os investidores à espera de novos estímulos à economia japonesa. Já a libra esterlina recua ante o dólar, também diante das expectativas de estímulos adicionais no Reino Unido, em meio à queda da atividade britânica na esteira da decisão de sair da União Europeia (UE).

 

Entre as moedas de países emergentes, os dólares australianos e neozelandês sobem ante o xará dos EUA. Nas bolsas, o sinal negativo prevalece na Europa e em Nova York, depois da ausência de uma direção única na Ásia, onde Xangai subiu 1,14%, mas Tóquio cedeu 1,43%. As ações de petrolíferas lideram as perdas nas praças europeias, após o lucro da BP ficar abaixo do esperado.

 

O petróleo segue negociado em baixa, ampliando as perdas acumuladas nas últimas três sessões. Os investidores não conseguem simplesmente ignorar o excesso de estoques da commodity nos EUA, apesar das sucessivas quedas nos números semanais. A ampla oferta de petróleo inibe um movimento de alta para a faixa de US$ 55 a US$ 60 por barril. Nos metais, o ouro e a prata avançam, mas o cobre recua.

 

Ainda no calendário do dia, também são esperados para hoje dados sobre a atividade nos EUA, o setor imobiliário e a confiança do consumidor, entre 10h e 11h. Internamente, saem números da construção civil em julho (8h) e sobre as contas externas no mês passado (10h30). Logo cedo, a Fipe informou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em São Paulo subiu 0,72% na terceira prévia do mês.

 

 

 

 

 

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