Todo mundo em pânico

13.06.2016

 

Os investidores estão assustados e com medo, diante dos muitos eventos que estão por vir, nesta e na próxima semana, e que podem levar os mercados financeiros a dar um mergulho. Enquanto os negócios locais testam a blindagem ao risco político, após o primeiro grande protesto que ecoou gritos de "Fora, Temer" dias antes do presidente interino completar o primeiro mês no governo e diante de novas ameaças do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha; os mercados no exterior são afetados por uma onda de incertezas, que deprime bolsas e moedas, ao passo que fortalece o ouro e os títulos soberanos.

 

A tensão no mercado internacional antes da reunião do Federal Reserve, que começa amanhã e termina na quarta-feira, e o temor de uma saída do Reino Unido da União Europeia (UE) continua ditando o rumo dos ativos de risco no exterior. Somado a isso, está o massacre de ontem nos Estados Unidos, que matou mais de 50 e acendeu o sinal de alerta após o maior tiroteio da história do país, cuja autoria foi assumida pelo Estado Islâmico.

 

A libra esterlina é negociada no menor nível em oitos meses, após uma pesquisa mostrar 10 pontos de vantagem para o chamado "Brexit" no referendo do próximo dia 23. O iene japonês, por sua vez, saltou ao maior nível desde 2014, em meio à busca por proteção, que também diminuiu o rendimento (yield) dos bônus de 10 anos do Reino Unido, do Japão e da Nova Zelândia.

 

Os ativos emergentes sofrem com uma onda vendedora (selloff), diante das preocupações com o "Brexit" e também antes da reunião do Fed. A queda do barril de petróleo para abaixo de US$ 49 e o tombo de 3,2% da Bolsa de Xangai contaminam o desempenho dos mercados. Entre as moedas emergentes, o ringgit malaio é negociado no menor nível em duas semanas, ao passo que o yuan chinês caminha para a maior perda em dois meses.

 

Apesar de não esperarem mais nenhuma mudança em relação à taxa de juros norte-americana neste mês, tem relevância a coletiva de imprensa a ser concedida pela presidente do Banco Central dos EUA, Janet Yellen, logo após o anúncio da decisão, bem como a atualização das previsões para as principais variáveis macroeconômicas da maior economia do mundo. Mas não apenas o Fed reúne-se nesta semana para decidir sobre a política monetária, o que eleva a apreensão nos negócios.

 

Na noite de quarta-feira, o Banco Central do Japão (BoJ) decide sobre a taxa de juros e, na manhã do dia seguinte, é a vez do BC inglês (BoE). Para ambos, a expectativa é de manutenção dos atuais estímulos, sendo que o BoE está mais atento ao referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE.

 

Já a China divulgou novos indicadores que reforçam a estabilização da atividade, ao mesmo tempo que mostram um ambiente econômico desafiador para a segunda maior economia do mundo. A produção industrial chinesa cresceu dentro do esperado em maio, em +6% em relação a um ano antes, ao passo que as vendas no varejo avançaram 10% no período.

 

Porém, os investimentos em ativos fixos subiram 9,6% nos cinco primeiros meses deste ano, no ritmo mais lento desde 2000.  Em reação, o índice Xangai Composto registrou a maior queda porcentual desde fevereiro, diante das preocupações com as perspectivas para a economia da China.

 

A queda dos ativos chineses acentuou o selloff  entre os demais mercados acionários, com o índice japonês Nikkei caindo 3,5% e Hong Kong cedendo 2,5%. O sinal negativo se espalha por toda a Europa, onde as principais bolsas já registram perdas na faixa de 1%, e chega até Nova York, com os índices futuros no vermelho. E esse nervosismo vindo do exterior pode influenciar os mercados domésticos, que também monitoram a crise político.  

 

Os investidores podem tentar passar ileso aos protestos da última sexta-feira, diante do aval ao presidente interino Michel Temer e sua equipe econômica, com o mercado doméstico aplaudindo a agenda que vem sendo tocada. Mas Brasília está em alerta, após Cunha mandar avisar que, "se cair, sairá atirando", levando com ele 150 deputados federais, um senador e um ministro próximo a Temer.

 

Temer, aliás, já virou alvo. Antes de completar o primeiro mês na Presidência, a primeira grande manifestação contra o governo interino espalhou-se por 24 Estados brasileiros e no Distrito Federal, além de cidades no exterior. Na Avenida Paulista, a mobilização passou dos 100 mil manifestantes, que entoavam críticas e ameaçavam promover uma greve geral, no caso da perda de direitos trabalhistas e de mudanças na Previdência Social.

 

Enquanto isso, nos mercados, os investidores engoliram até o rombo de R$ 170,5 bilhões na meta fiscal deste ano, já que ela contempla todo o tipo de demanda de grupos de interesse, como o reajuste dos três Poderes. O mesmo se pode dizer da presunção de adiar a convergência da inflação ao alvo de 4,5% para 2018, com a austeridade emplacada pela Fazenda andando de mãos dadas com a política monetária contracionista pelo Banco Central, resgatando o tripé macroeconômico.

 

Só que nem tudo o que é bom para a Bolsa é bom para o bolso (da população). Por mais que os investidores vejam com bons olhos a aprovação de medidas fiscais, como a Desvinculação das Receitas da União (DRU) na Câmara, esses mecanismos tornaram-se uma moeda de troca de Temer para conseguir avançar outras pautas urgentes, como a aprovação da emenda constitucional (PEC) que limita o crescimento do gasto público, a devolução antecipada de R$ 100 bilhões do BNDES ao Tesouro e a própria reforma da Previdência.

 

Nos bastidores, já se fala que o governo Temer é um até a votação do impeachment no Senado, e será outro se confirmada a cassação do mandato da presidente afastada Dilma Rousseff. No segundo tempo, o presidente interino e seus ministros não devem mais ficar desdizendo o que foi dito, como se viu no início da gestão, ou mesmo recuando em relação às reais intenções - que, por ora, tem sido camufladas. Será um governo mais assertivo e menos refém dos parlamentares - e da sociedade - até 2018.

 

A política monetária também será tema no Brasil na quinta-feira, quando sai a ata do Comitê de Política Monetária (Copom). Contudo, o documento perde relevância uma vez que foi redigido pela diretoria demissionária e apenas o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que sai até o fim deste mês, deve trazer as primeiras impressões da nova equipe.

 

Aliás, o BC local realiza hoje, às 15h, a cerimônia de transmissão de cargo, com o atual presidente, Alexandre Tombini, cedendo lugar ao economista Ilan Goldfajn. Pela manhã, sai o tradicional Boletim Focus (8h25) e, à tarde, tem os números semanais da balança comercial (15h), referente ao período em que o dólar caiu ao menor nível em quase um ano.

 

Dados sobre as vendas no varejo, no Brasil e nos Estados Unidos, carregam a agenda econômica amanhã, sendo que o calendário norte-americano também reserva os índices de preços ao produtor (PPI), na quarta-feira, e ao consumidor (CPI), na quinta-feira, além dos números da produção industrial, também na quarta-feira, e do setor imobiliário (sexta-feira).

 

Os mesmos indicadores sobre varejo, indústria, inflação e imóveis, mas referentes ao Reino Unido serão divulgados amanhã. Na zona do euro, além de dados da atividade industrial e dos preços ao consumidor, sai também a taxa de desemprego. Internamente, também é esperado o índice de atividade econômica do BC (IBC-Br). Entre os índices de inflação, sai apenas o primeiro IGP do mês, o IGP-10. Outro ponto de relevo nos EUA é a conferência anual da Apple, em São Francisco, a partir de hoje.  

 

 

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